QUER UM SMARTPHONE MAIS FINO COM PIOR DURAÇÃO DE BATERIA?
2025-05-16 21:04:31

A Samsung e a Apple querem seduzi-lo com smartphones mais finos, mas com compromissos evidentes. Gostaria de ter um telemóvel ligeiramente mais fino com pior duração de bateria? A Samsung e a Apple parecem acreditar que sim. Na segunda-feira, a Samsung apresentou um novo telemóvel vendido a partir dos 1100 dólares (cerca de 981 euros) que é um pouco mais fino e leve do que os modelos tecnologicamente equivalentes. A desvantagem? O Galaxy S25 Edge tem uma bateria com menos capacidade do que outros dispositivos recentes da marca - embora a Samsung garanta que a autonomia chega para um dia de "utilização típica". E a partir deste Outono, a Apple deverá lançar um novo iPhone mais fino que pode não durar um dia inteiro sem ser ligado à corrente, segundo o site de notícias tecnológicas The Information. Os fãs da marca estão a apelidar o modelo de iPhone 17 "Air", em referência aos portáteis ultrafinos da Apple. A Apple não respondeu aos pedidos de comentário. De acordo com sondagens da YouGov, o que as pessoas mais valorizam nos smartphones é a duração da bateria. Então, porque é que a Apple e a Samsung estão a tentar vender-lhe telemóveis mais finos mas com possível perda de autonomia? Eu própria quero segurar estes telemóveis mais finos e ver se fico impressionada com a diferença - especialmente depois de lhes colocarmos uma capa. Pode ser desmotivador saber que estes novos designs são, talvez, mais fruto do desespero da Apple e da Samsung em vender-lhe algo novo - seja o que for. Consegue notar a diferença? A própria Samsung reconheceu que não sabe ao certo se os consumidores querem um telemóvel mais fino. Blake Gaiser, responsável pela gestão de produto de smartphones na Samsung Electronics America, diz que a empresa está a produzir um número limitado de unidades do S25 Edge, e que não será vendido em todos os mercados. O responsável explicou que é uma espécie de teste para perceber se os consumidores querem aquilo a que chamou "dispositivo Goldilocks" - não tão topo de gama como o modelo de 1300 dólares, mas mais atractivo do que outros modelos de gama alta da Samsung. A Samsung afirma que o S25 Edge tem 5,8 milímetros de espessura, sem contar com as saliências das câmaras traseiras e assumindo que não é usada uma capa de protecção. Em comparação, o novo S25 (normal) tem 7,2mm e o iPhone 16 tem 7,8mm. A olho nu, olhando para a minha régua, mal consigo ver a diferença entre seis e sete milímetros. Gaiser afirmou que o tamanho e peso do novo modelo "fazem uma grande diferença na mão" - e alguns críticos que já testaram o dispositivo disseram o mesmo. Foto O Galaxy S25 Edge durante um evento na loja da marca em Seul, Coreia do Sul. Pesa apenas 163 gramas REUTERS/Kim Hong-Ji No entanto, a consequência da menor espessura é uma bateria de menor capacidade, o que normalmente significa menos tempo de utilização. Para alguns, isso pode ser um compromisso demasiado grande. O novo iPhone Air, com uns alegados 5,5mm de espessura, também deverá ter desvantagens, incluindo uma autonomia mais fraca. Para compensar, a Apple irá vender uma capa com bateria integrada, segundo o The Information. Gaiser disse que a Samsung tornou o telefone mais eficiente para poupar bateria. A Apple planeia fazer o mesmo com os novos modelos, segundo a Bloomberg News. Telemóveis finos nascem do desespero No fundo, a motivação por detrás dos telemóveis mais finos é impulsionar as vendas, que estão mais baixas hoje do que em 2017, segundo dados da empresa de análise IDC. E sabemos porquê. Os smartphones mudam pouco de ano para ano, e são suficientemente bons para os mantermos por mais tempo. Isso torna o smartphone um produto como um carro ou um frigorífico - algo de que dependemos mas que não trocamos com frequência. E isso não é bom para a Samsung e Apple, que procuram desesperadamente uma forma de voltar a entusiasmar os consumidores. Experimentar telemóveis mais finos, mesmo que os consumidores não os adoptem em massa, pode também ser uma oportunidade para a Apple e a Samsung testarem tecnologias mais arrojadas - como os telemóveis dobráveis, que oferecem mais área de ecrã. Este conceito ainda não conquistou o mercado, porque os dispositivos são caríssimos e a maioria de nós não percebe bem para que servem. (A Apple pretende lançar o seu primeiro smartphone dobrável até 2027, segundo a Bloomberg.) A jornalista e podcaster de tecnologia Myriam Joire diz que os telemóveis mais finos até podem conquistar o público, tal como os portáteis ultraleves o fizeram depois do lançamento do MacBook Air, em 2008, mas afirmou que a Apple e a Samsung não precisavam de tantos compromissos. Segundo Joire, marcas chinesas como Xiaomi e OnePlus - difíceis de encontrar nos EUA - utilizam tecnologia de bateria desenvolvida para carros eléctricos para criar telemóveis finos com grande autonomia, e a preços muito inferiores aos modelos topo de gama da Samsung e da Apple. Para Joire, a Apple e a Samsung "deixaram de inovar porque não têm concorrência" na América do Norte. Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post Tradução e adaptação: Natalia Vásquez e Pedro Esteves Shira Ovide