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DESCODIFICADOR - BRUXELAS ADIA GUERRA ÀS EMISSÕES POLUENTES

Expresso

2025-05-16 21:05:58

As restrições de Bruxelas às emissões de CO2 estavam a asfixiar a indústria automóvel europeia, que, pelo menos por agora, pode voltar a respirar de alívio 0 Bruxelas recuou no combate às emissões poluentes? Aparentemente sim, mas também há quem diga que se trata apenas de um adiamento de regras mais severas às construtoras automóveis europeias. O que se passou foi que, na passada semana, o Parlamento Europeu (PE) aprovou a flexibilização de medidas para os fabricantes de automóveis no que respeita à emissão de dióxido de carbono (co2), dando assim mais tempo às construtoras de carros e carrinhas da Europa para se adaptarem e reduzirem a possibilidade de pagarem multas pesadas por incumprimento. Segundo contas feitas recentemente pelo sector dos fabricantes de veículos, esta medida poderá evitar o pagamento de multas na ordem dos EUR15 mil milhões por parte das empresas europeias que fabricam automóveis. 2 O que está em causa? A Comissão Europeia colocou em vigor, no início deste ano, regras que obrigam a indústria automóvel a reduzir as emissões poluentes nos carros a combustão para 93,6 gramas por cada quilómetro percorrido, uma redução de 15% face ao que estava em vigor. Em caso de incumprimento, cada marca terá de pagar EUR95 por cada carro e por cada grama de co2 emitido acima do novo limite estipulado por Bruxelas. Acontece que, segundo vários analistas e representantes do sector, esta nova meta pode colocar vários fabricantes em risco de incumprimento, especialmente os que tiverem no mercado um número mais reduzido de modelos híbridos ou 100% elétricos. E, como têm revelado as estatísticas, a taxa de penetração de carros elétricos no mercado não está a correr como era esperado. 3 O que foi aprovado? Foi aprovada uma proposta que acaba por dar aos fabricantes automóveis a possibilidade de cumprirem com as suas obrigações para os anos de 2025, 2026 e 2027, calculando a média do seu desempenho ao longo do período de três anos, em vez de cada ano individualmente Esta abordagem permitir-Ihes-ia equilibrar, segundo O PE, "quaisquen emissões anuais excedentárias, superando a meta nos anos subsequentes”. Para entrar em vigor, a proposta de alteração agora votada favoravelmente pelo PE ainda tem de ser aprovada por unanimidade no Conselho Europeu, onde há algumas vozes dissonantes nesta matéria. E, por outro lado, continua a haver dúvidas sobre como será a aadoção de carros elétricos no curto prazo, tendo em conta que continuam inacessíveis à maioria das pessoas. @ O que diz a indústria? Mesmo sem o processo estar totalmente fechado, a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) já manifestou o seu apreço pelas medidas aprovadas na passada semana pelo PE e congratula-se com o alívio das restrições às emissões de co2 e a adoção do mecanismo de média de três anos para o cumprimento das emissões para automóveis e carrinhas. No entanto, e apesar de tudo isto representar algum alívio no curto prazo, os fabricantes reclamam uma estratégia de descarbonização a longo prazo, incluindo mais postos de carregamento para carros elétricos, incentivos fiscais e de compra (há quem defenda um subsídio pan-europeu à compra de carros elétricos), custos de energia mais acessíveis e autonomia estratégica da União Europeia em tecnologias críticas para o sector. VÍTOR ANDRADE