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MOBILIDADE ELÉTRICA INOVA CONDUÇÃO

Blue Auto

2025-05-19 21:03:29

O PRAZER DE CONDUZIR NA ERA DIGITAL Durante décadas, a condução foi uma experiência sensorial completa. O som do motor, a resposta da direção, o “tato” da caixa de velocidades manual, a sensibilidade no pedal de travão. Pequenos gestos, grandes emoções.com a transição para a mobilidade elétrica, muitos temeram que essas sensações se diluíssem num mundo assético de silêncio e linearidade. Mas os tempos mudaram e, com eles, a abordagem da indústria. Hoje, mais do que nunca, engenheiros e designers estão focados em recuperar essas emoções que pareciam perdidas. O objetivo não é, não deve ser, apenas deslocar pessoas de um lado para o outro, mas fazer com que cada quilómetro conte. E, para isso, os fabricantes estão a reinventar tudo: do volante à acústica, da transmissão à forma como o automóvel interage com o condutor. A REVOLUÇÃO NA PONTA DOS DEDOS A direção steer-by-wire já não é novidade na indústria automóvel, mas a Mercedes-Benz , aqui destacada só como exemplo mais recente, já que várias outras marcas trabalham no mesmo tipo de solução , está a levar esta tecnologia a um novo patamar. A marca alemã prevê introduzir um sistema avançado de direção eletrónica nos seus modelos de produção a partir de 2026, começando com o EQS. Este sistema elimina a ligação mecânica entre o volante e as rodas dianteiras, substituindo-a por sinais eletrónicos transmitidos com uma precisão milimétrica. De acordo com a marca alemã, a sensação é inédita: a direção adapta-se ao contexto , leve e direta em manobras urbanas, frme e estável em autoestradas, por exemplo. E, ao contrário do que se poderia supor, esta solução não esteriliza a condução , permite, sim, um feedback perfeitamente calibrado e até personalizável consoante o perfl do condutor ou do modelo em questão. Uma verdadeira simbiose entre controlo e conforto, que prepara o terreno para volan-tes mais compactos, como o conhecido yoke, e para interiores mais moduláveis. CAIXAS, SONS E VIBRAÇÕES: O REGRESSO DAS EMOÇÕES Uma das mais surpreendentes evoluções vem da simulação sensorial , não para enganar, mas para envolver. A Hyundai foi pioneira desta estratégia com o Ioniq 5 N, um modelo que incorpora uma caixa de velocidades virtual de oito relações (N e-Shift) e um sistema de som sintético de alto desempenho (N Active Sound). Cada aceleração por parte do “piloto” é pontuada por pausas e vibrações calculadas. O som é artifcial, mas incrivelmente realista e, acredite, a experiência irá convencer até os mais céticos. A Kia replicou esta abordagem no EV6 GT, e a Lexus integrou uma caixa virtual no RZ 550e F Sport, acompanhada por uma sonoridade inspirada no V10 do lendário superdesportivo LFA. A Abarth optou por um gerador de som no 600e, colocado sob a carroçaria, que replica o tom enérgico de um desportivo italiano. Já a Dodge foi ainda mais longe com o Fratzonic Chambered Exhaust, que utiliza câmaras acústicas e altifalantes para simular fsicamente o rugido de um V8. A Ferrari, fel à sua herança emocional, desenvolve condutas acústicas que ligam o rotor elétrico ao habitáculo, amplifcando as ressonâncias naturais do motor através de caixas de ressonância especifcamente concebidas para esse efeito. E até a Ford regressou à velha escola com uma alavanca de mudanças manual , simbólica, mas funcional , num elétrico. O AUTOMÓVEL COMO PLATAFORMA SENSORIAL AeradosSDV( Software Defned Vehicles )trazconsigo uma nova lógica de personalização. Através de atualizações remotas e inteligência artifcial, os veículos podem ajustar o binário, a resposta do acelerador, a travagem regenerativa e até a sonoridade do motor em tempo real, de acordo com o estilo de condução. Por exemplo, a BMW no seu Vision Driving Experience aposta num envolvimento multimodal entre condutor e automóvel, onde os modos de condução, o som e até a iluminação interior se adaptam ao comportamento em estrada. Já não se trata apenas de conduzir , trata-se de interagir com o veículo. UM NOVO ESPAÇO À EMOÇÃO Com a eliminação de componentes tradicionais como a caixa e o túnel de transmissão, os habitáculos dos elétricos tornaram-se mais abertos e versáteis. Surgem espaços tipo sala-de-estar, com bancos rotativos que parecem autênticas poltronas, ecrãs panorâmicos e materiais ecológicos. Mas o que realmente se está a transformar é a ambiência , adaptável, personalizável e envolvente. Mais do que meras plataformas de mobilidade, os novos elétricos são cápsulas de experiência. As marcas perceberam que, para muitos, conduzir continua a ser um ato emocional. E é esse vínculo , essa ligação sensorial , que os novos elétricos querem, e conseguem, restabelecer. l Rui Reis (texto) A eletrifcação automóvel não se contenta com a efciência ou o silêncio. Hoje, os novos modelos elétricos procuram devolver ao condutor algo mais íntimo e visceral: o prazer de conduzir. Direção, travagem, som e até as caixas de velocidades são agora reinventados para recriar sensações que, outrora, pareciam exclusivas dos motores térmicos. SDV (Software Defned Vehicles) Rui Reis