ESCOLHA CERTA
2025-05-22 21:05:44

Na era das sinergias, poderá parecer quase inevitável considerar o Elroq apenas como a interpretação da casa de Mladá Boleslav, com diferente roupagem, das propostas homólogas das suas congéneres de consórcio (Cupra Born e Vw ID.3). Perspetiva algo redutora, pois, esta criação conta com vários argumentos exclusivos, inclusive nos planos técnico e tecnológico. Exemplo disso, o protagonista deste teste: o Elroq 85, a versão, de momento, mais bem-dotada da família (286 CV, 545 Nm, e bateria com 82 kWh de capacidade) = pelo menos até ao outono, altura para que está prevista a chegada da derivação desportiva RS. Se não, vejamos: no caso do seu “primo” da vw, existe, igualmente, uma versão com idêntico rendimento, mas com bateria que tem 84 kWh de capacidade, e carácter mais desportivo, o ID.3 GTX , assim como o ID.3 GTX Performance (326 cv, e suspensão com amortecimento pilotado), o qual não tem equivalência na gama Elroq. Já na oferta da Seat marca presença o Born vz (com os mesmos atributos do ID.3 GTX Performance), mas não existe uma opção com 286 CV. Ao passo que a Skoda não só propõe (por encomenda, no caso do mercado português) o Elroq 85x (com 286 cv, mas montando um motor elétrico por eixo, logo, dispondo de tração integral), como o Elroq RS é o único, entre os modelos de vocação desportiva, a contar com dois motores elétricos, transmissão total, e 340 cv (e o único Elroq que tem bateria com 84 kWh de capacidade). Identidade própria Devido a este posicionamento, o que o Elroq 85 permite, ao contrário dos seus congéneres, é aliar um motor poderoso a uma bateria com grande capacidade, e, por consequência, usufruir de prestações de nível superior, e de uma elevada autonomia, sem que tal implique um visual, ou uma atitude, mais desportiva. E, a propósito de estilo, importa sublinhar que cabe ao novo compacto estrear a linguagem estilística “Modern Solid” da Skoda, até aqui conhecida apenas de protótipos, e assente em três pilares fundamentais: elegância, modernidade e simplicidade. Sintetizados, desde logo, na Tech-Dech Face que domina a dianteira, reinterpretando a tradicional grelha; sendo, ainda, novos os grupos óticos extremamente afilados, e os logótipos com acabamento UDC (Unique Dark Chrome), em detrimento dos habituais cromados (as jantes de 20” de-ram, na unidade testada, lugar a umas opcionais de 21, disponíveis por 1445 EUR). Junte-se a isto um cx na casa dos 0,26, anunciado como referencial para o segmento, e temos aquele que é, provavelmente, o mais elegante dos familiares compactos do conglomerado germânico assentes na plataforma MEB, já que o congénere espanhol exibe, assumidamente, a desportividade inerente ao seu construtor, e o alemão não só ostenta uma imagem um pouco mais banal e anónima, tipicamente vw, como padece do facto de ser muito mais visto, resultado da sua presença já mais longa no mercado. Ligeiramente maior, em todos os sentidos, exceto na distância entre eixos, que Born e ID.3, o Elroq demostra, também, que, no interior, os engenheiros da Skoda empenharam-se em aproveitar ao máximo todos os milímetros à sua disposição. E se a evolução não é, propriamente, muito significativa em termos de habitabilidade (tem bom nível para a classe, nomeadamente atrás, onde se viaja com apreciável liberdade de movimentos), já a bagageira oferece 470 litros com todos os lugares montados, e um máximo de 1580 litros com o banco traseiro totalmente rebatido (385-1267 litros no Seat e no vw), complementada por um total de 48 litros para arrumação de pequenos objetos, resultado do somatório da volumetria dos vários espaços distribuídos por todo o habitáculo. Pormenores Simply Clever: o “obrigatório” guarda-chuva na porta do condutor; a gaveta, com botão de abertura, forrada a tecido, montada do lado esquerdo do “tablier”, sob os comandos das luzes exteriores; a rede, capaz de suportar até 3 kg, para arrumação dos cabos de carregamento, integrada no verso da chapeleira; e o suporte em tecido, para montar sob a mesma. Recorrendo a vários materiais sustentáveis, fabricados a partir de garrafas de plásticos, redes de pesca, e peças de vestuário usado, o Elroq não será um primor, em termos de qualidade, mas alinha por cima com a média do segmento. E beneficia de uma decoração moderna e apelativa, capaz de tornar o interior bastante acolhedor, merecendo aqui destaque os revestimentos cinzentos, com costuras contrastantes em verde, que, no caso em apreço, combinam com a opcional cor Timiano (660 EUR) da carroçaria. Tecnologia a bordo também não falta, em termos de segurança (até nove “airbags”, e um leque assinalável de ajudas à condução, embora algumas sejam opcionais), e de interação com o condutor: o conhecido painel de instrumentos digital minima-lista (mas já não tanto quanto no ID.3 original, e aqui mais bem integrado no “tablier”, conferindo a este último um ar mais “composto” e refinado); e o sistema multimédia também já visto noutros modelos do grupo, mas, neste caso, com uma estrutura de menus mais lógica e simples, cores e grafismo específicos, e (felizmente) comandos no volante, e nas portas (botões físicos e não hápticos). O assistente pessoal “Laura”, com inteligência artificial, e a App que permite monitorizar remotamente diversos parâmetros do veículo, e, até, controlar as manobras de estacionamento a partir do exterior, são outros atributos a ter em conta , assim como um posto de condução correto e envolvente, em boa parte garantido pelos bancos dianteiros cómodos e com apreciável apoio lateral. Veloz e competente mas não desportivo Com tração traseira, e uma bateria com uma capacidade utilizável de 77 kWh, o Elroq 85 é, sem dúvida, a opção certa da gama para quem pretenda percorrer dis-tâncias mais longas: em condições reais de utilização, com uma única carga completa, e selecionado o modo de condução Eco, eo nível mais intenso da regeneração de energia em desaceleração, conseguiu cumprir 527 km em estrada, 363 km em autoestrada, e 466 km em cidade, a que corresponde uma autonomia média ponderada de 451 km. Uma recarga completa da bateria demora 8h00 numa ligação AC a 11 kW, por isso lamentando-se não existir, nem como opção, o carregador de bordo a 22 kW que permitisse reduzir para cerca de metade o tempo de espera , já em postos rápidos a 175 kW, 28 minutos são suficientes para repor 80% da carga. Por seu turno, a resposta ao acelerador, sempre imediata e intensa, mas nunca explosiva, e, por isso, fácil de dosear, é decisiva para uma condução extremamente agradável a ritmos familiares, com o rendimento disponível a ser mais do que suficiente para lidar com todas as situações, inclusive em traçados com relevo mais acentuados, quando se transporta maior quantidade de passageiros e carga. Ao passo que o evoluído chassis, e uma afinação das suspensões que privilegia o binómio comodidade/eficácia, é o garante de um bom conforto de marcha, e de um comportamento muito neutro e equilibrado, pautado por reações sempre honestas e previsíveis. Mas OS 286 cv e 545 Nm também se ajustam bem a ritmos mais empenhados, com o Elroq 85, sobretudo se selecionado o modo de condução Sport, a ser muito célere nas acelerações, nos arranques (0-100 km/h cumpridos em menos de 7,0 segundos), como nas recuperações, rapidamente alcançando os 180 km/h a que está limitada a velocidade máxima. Nestas condições, nota mais para a elevada estabilidade, para o muito correto controlo dos movimentos da carroçaria, e para a direção bastante direta e precisa, ingredientes que garantem uma atitude em curva merecedora de elogios, não obstante um peso superior a duas toneladas. Preciso na inserção na trajetória, e, também, bastante ágil, devido às dimensões relativamente contidas, ao baixo centro de gravidade, e a uma repartição do peso entre os eixos próxima do ideal, o Elroq 85 prima, ainda, pela rapidez nas mudanças de direção, e por uma ligeira tendência para a sobreviragem nas solicitações mais exigentes, que a eletrónica depressa se encarrega de contrariar, mas sem ser demasiado interventiva. Pena que o modo mais permissivo do controlo eletrónico de estabilidade, a ativação do “Auto-Hold” e a seleção dos níveis de intensidade da regeneração de energia tenham de ser selecionados em submenus no ecrã central sendo alternativa, para os últimos, a posição B da transmissão, que ativa, automaticamente, o mais intenso. Dúvidas havendo acerca da validade desta proposta, fica o argumento final: um preço de 43.077 EUR (49.812 EUR no caso da unidade testada, equipada com diversos extras), inferior em mais de 6000 EUR ao do VW ID.3 GTX. Nada mau... e FICHA TéCNICA MOTOR Tipo Elétrico, síncrono, traseiro Potência 286 cv (210 kW) Binário 545 Nm BATERIA Tipo/Tensão lões de lítio/400 v Capacidade (bruta/útil) 82/77 kWh Carregamento de 0% a 100% 8h00 a 11 kW Carregamento de 10% a 80% 0h28 a 175 kW TRANSMISSaO Tração Traseira Caixa de velocidades Automática de 1 vel. CHASSIS Suspensão F Ind. MacPherson Suspensão T Ind. multibraços Travões F/T Discos ventilados/Tambores Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/9,3 m DIMENSôES E CAPACIDADES Comprimento/Largura/Altura 4,488/1,884/1,625 m Largura das vias F/T 1,587/1,562 m Distância entre eixos 2,765 m Mala 470-1580 litros Pneus F 235/45 R21 Pneus T (série = instalados) 255/40 R21 Peso 2119 kg Relação peso/potência 7,40 kg/cv PRESTAçôES E CONSUMOS Velocidade máxima 180 km/h Aceleração 0-100 km/h 6,64 s Consumo médio (WLTP) 15,2 kWh/100 km Autonomia (WLTP) 581 km GARANTIAS/MANUTENçaO Mecânica 3 anos sem limite de km Bateria 8 anos/160 000 km Pintura/ Corrosão 3/12 anos Intervalos entre revisões 24 meses Imposto de Circulação (IUC) Isento PREçO (CLIENTE PARTICULAR) SKODA 43 077 EUR Preço da unidade ensaiada 49 812 EUR Avaliação e-auto (4) m Posicionamento comercial ~ Visual distinto e elegante ~ Capacidade da mala ~ Desempenho dinâmico . Motor e prestações . Carregador de bordo de 22 kW indisponível . Funções importantes para a condução ativáveis só em submenus do ecrã central