EDITORIAL - MAIS DO MESMO
2025-05-23 21:05:07

Ahistória não é nova, mas recorda-se, também na expetativa de alguma ação. Em 2024, pela primeira vez, a idade média do parque automóvel em Portugal, por falta de política ativa e atrativa de incentivos que inclua programas de abate de viaturas em fim de vida e compra de carros mais eficientes e menos poluentes, superou OS 14 anos, nos ligeiros de passageiros (14,1 anos). Intervenção, precisa-se, e não só para benefício da proteção ambiental. Ambicionando-se progressos na segurança rodoviária, mais carros novos e menos velhos! Em 2024, no nosso País, abateram-se 107.988 viaturas em fim de vida, que tinham 24,1 anos de idade média. Os números apresentam-se cada vez piores e, na linha do horizonte, num mercado em que os clientes particulares não valem muito mais do que 10% das matrículas novas, no automóvel. mudança de rumo impossível. E, arrisque-se esta conclusão, os registos oficiais, descontextualizando-os, admitem interpretação diferente, otimismo em vez de pessimismo. Também por isso, alerta. Em abril, de acordo com os registos da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), matricularam-se 18.752 ligeiros de passageiros novos, com 11.138 eletrificados, o que corresponde a quota de 59,39%. Comparativamente ao período homólogo do ano passado, aumento de 36,1% na procura de elétricos, híbridos e híbridos Plug-In num mercado que progrediu 8,2%. No acumulado do ano, e no frente a frente com janeiro-abril de 2024, crescimento relevante na procura de carros novos eletrificados (31,2%), para 44.400 unidades. E, concentrando-nos somente nas matrículas de elétricos, aumento de 31,8% em abril, para 3722 unidades, e 29,8% no que está cumprido de 2025, para 15.897. As viaturas com energias alternativas representaram 65,8% do mercado nacional nos primeiros quatro meses do ano, número muito acima dos 28,5% das mecânicas a gasolina e dos 5,7% dos motores a gasóleo. Dissecando apenas os 65,8%: 24,7% híbridos (HEV), 20,6% elétricos (BEV), 12,2% híbridos Plug-In (PHEV). Problema: o mercado está em transformação, mas deve-o às empresas e aos empresários em nome individual, não aos clientes particulares. E, assim, nenhuma mudança de paradigma, mais carros velhos do que novos. jcaetano@e-auto.pt JOSÉ CAETANO