FARIZON SUPERVAN 49KWH... PARA ELETRIFICAR A LOGÍSTICA URBANA
2025-05-25 21:05:45

De há algum tempo a esta parte têm aparecido diversos nomes de novas marcas automóveis, e quase todos oriundas da longínqua China, país que tem vindo a permitir a chegada até nós os mais variados produtos. Entre estes encontramos a Farizon, uma marca de veículos comerciais elétricos que faz parte do Geely Holding Group, um dos maiores fabricantes de automóveis privados da China e dono de marcas como a Volvo, Polestar e Lotus. Fundada em 2016, a Farizon, representada em Portugal pelo grupo Salvador Caetano Auto, foca-se no desenvolvimento, produção e venda de veículos comerciais de novas energias, incluindo camiões leves e pesados, furgões (vans) e autocarros urbanos, tudo isto a partir de uma marca pioneira em tecnologias de zero emissões, com uma forte aposta em soluções elétricas, metanol verde e pilhas de combustível a hidrogénio. A Farizon, aliás, tem como objetivo ser neutra em carbono até 2030. Com base nestes pressupostos, fomos para a estrada ao volante de um furgão desta marca recém-chegada ao mercado português, concretamente o Farizon SuperVAN 49kWh, um modelo que surge como uma proposta elétrica para mobilidade urbana e comercial. Desde logo impressionante é a curiosidade que esta proposta da Farizon provoca em quem por ela passa, desde logo pela assinatura luminosa permitida pelo conjunto óptico dianteiro e enquadrar o logotipo da marca também ele luminoso. Nota ainda para a harmonia permitida pelas apostas no design no interior do habitáculo, onde a inovação surge de uma forma evidente mas sem se tornar agressiva, permitindo ao utilizador a sensação de algo novo mas perfeitamente acessível e intuitivo. Já olhando para as prestações dinâmicas deste Farizon SuperVAN, convém dar conta de que não será avisado estar à esperar de encontrar neste veículo comercial nenhum foguete, desde logo porque estamos a falar efectivamente de um veículo comercial elétrico, vocacionado para o trabalho e a eficiência, e não propriamente para vencer os melhores arranques nos semáforos. A aceleração, contudo, revelou-se linear e suficiente para o trânsito citadino, onde a agilidade e a resposta pronta são mais importantes do que a velocidade de ponta. A autonomia anunciada de até 398 km (WLTP combinado) - até 215 km na unidade testada pelo LusoMotores - resulta num valor mais do que suficiente para as lides diárias de muitas empresas, ainda que, como sempre, e porque o "diabo está nos detalhes", a carga transportada, o tipo de percurso e o estilo de condução terão um impacto significativo no alcance real. A fiabilidade é aparentemente um factor positivo a destacar, ainda que só o trabalho em condições reais poderá permitir aferir este aspeto. Será importante referir que esta Farizon SuperVAN, um comercial 100%, está em Portugal enquanto veículo eléctrico, com potências entre os 170 kW (231 cv) e 200 kW (272cv), capacidade de bateria entre os 49 e 106 kWh, e ainda um comprimento entre 4,990 e 5,995 metros para uma carga útil que poderá ir até 1.480 Kg. Já no que diz respeito a versões, a Farizon SuperVAN está disponível em Portugal em seis distintas versões, com preços a partir de 39.592,68 euros (acresce IVA e despesas). As características de condução deste um veículo elétrico surgem agradáveis, com um funcionamento silencioso marcado pela ausência de vibrações, o que num dia de trabalho certamente que contribui para um menor cansaço do condutor. A tração dianteira (FWD) é uma escolha comum neste segmento, oferecendo boa aderência em piso seco e sendo mais económica em termos de produção. A manobrabilidade em espaços apertados, crucial para entregas urbanas, resulta num ponto forte, dado o seu porte compacto (L1H1). A direção assistida, elétrica, resulta ser leve e precisa, facilitando as manobras. Contudo, a suspensão, tipicamente mais robusta para suportar carga, poderá comprometer ligeiramente o conforto em pisos mais irregulares. Falando em conforto, este é um aspeto que merece atenção num veículo de trabalho. A posição de condução elevada, comum neste tipo de veículos comerciais, oferece boa visibilidade. Falta-nos o espelho interior, mas nada a que aqueles que trabalham com este tipo de veículos não estejam desde logo habituados. Já os materiais do habitáculo surgem basicamente práticos e duráveis, mais focados na funcionalidade do que em qualidades elevadas. O ruído reduzido do motor elétrico é, sem dúvida, uma mais-valia para o bem-estar do condutor, especialmente em longos dias de trabalho. No entanto, o conforto dos bancos e a qualidade do isolamento acústico do exterior poderão ser fatores a melhorar no futuro. No que diz respeito ao espaço, a designação L1H1 indica um comprimento e altura standard, o que permite desde logo um volume de carga considerável para as suas dimensões exteriores compactas. A configuração interior revela-se determinante para a versatilidade do espaço, com pontos de fixação de carga e a facilidade de acesso à zona de carga a serem aspetos importantes. A capacidade de carga é, naturalmente, um dos pilares de um veículo comercial. Os 49kWh da bateria colocam aqui um impacto direto no peso que o veículo pode transportar, uma vez que a própria bateria adiciona peso. De qualquer modo, a motorização elétrica surge como o principal trunfo, com os benefícios de menores custos de operação (energia vs. combustível), menor ruído e emissões zero em utilização, o que é cada vez mais valorizado em centros urbanos com restrições ambientais. A sua dimensão compacta, aliada a uma boa manobrabilidade, torna esta proposta da Farizon numa boa proposta para quem procura um parceiro de trabalho ideal para a distribuição urbana. A autonomia anunciada é também um ponto positivo tendo em conta as necessidade da distribuição urbana, quando as horas de trabalho não implicam desde logo grandes distâncias a percorrer diariamente em termos de quilometragem. Ainda assim, e no que diz respeito aos pontos a melhorar neste comercial proposta pela Farizon, a autonomia real e o tempo de carregamento serão sempre aspetos críticos para veículos elétricos de trabalho. A rede de carregamento disponível e a potência de carregamento suportada pelo veículo surgem assim como fatores que têm influência na sua operacionalidade. Por outro lado, o conforto da suspensão e dos bancos em longas jornadas de trabalho poderá ser um aspeto a refinar. FARIZONSuperVAN FWD L1H1 49kWhAutonomia (WLTP):Comprimento: 4990 mm Largura: 1980 mm Altura: 1980 mm Volume: 6,95 m3 Distância entre eixos: 3100 mmConfiguração:L1H1 (Comprimento e altura standard)Carga:Capacidade de carga máxima:1465 kgMotorização:Tipo de Motor:ElétricoTração:Dianteira (FWD)Capacidade da Bateria:49 kWhAutonomia (WLTP):até 398 km (WLTP combinado) de acordo com as características da bateriaPrestações:Aceleração:Não especificada detalhadamente, mas focada na agilidade urbanaVelocidade Máxima:Não especificada detalhadamenteCarregamento:Tempo de Carregamento (20-80%):Cerca de 30-40 minutos em carregamento rápido DC (corrente contínua)Lugares:TrêsPreço:a partir de 39.592,68 euros (+ IVA) Em suma, o Farizon SuperVAN FWD L1H1 49kWh apresenta-se como uma opção interessante para quem procura uma solução de transporte comercial elétrica e compacta, especialmente para uso urbano. No entanto, uma análise mais aprofundada em condições reais de utilização será fundamental para confirmar se as suas promessas se traduzem em valor prático para as empresas portuguesas. A balança entre as vantagens da eletrificação e as potenciais limitações em termos de autonomia, carga útil e conforto será o fator decisivo para o seu sucesso no nosso mercado. Notas Finais(0-10)Design6,5Materiais6,0Equipamento7,0Comportamento dinâmico6,5Espaço interior6,5Conforto7,0Posição de condução7,0Insonorização6,5Conectividade7,0Entretenimento6,5Prestações7,0Consumos7,0Percepção de qualidade global7,5Avaliação Final6,7 As avaliações nos diferentes aspectos, naturalmente subjectivas, são feitas pelo LusoMotores, ajustadas ao segmento do modelo em apreço. Nota para o valor atribuído no capítulo do conforto que, para um veículo comercial em que o seu utilizador acaba por passar grande parte do dia em trânsito, revela-se algo de particular importância do ponto de vista do utilizador. ensaio: Jorge Reis / LusoMotores Jorge Reis