RENAULT 4 E-TECH, QUEM O VIU E QUEM O VÊ
2025-05-25 21:05:55

Eléctrico, recheado de tecnologia e a querer dar nas vistas. O Renault 4 está de volta à estrada praticamente irreconhecível. Mas o espírito é o mesmo: sentido prático, estilo e a apelar à aventura. a Quando se pensa a indústria automóvel é comum estar mais de olhos postos no futuro do que no presente. Mas, diz a sabedoria popular, se queremos compreender o presente nada melhor do que estudar o passado. E tem sido isso que a Renault tem feito, certa de que é noutros tempos que consegue encontrar os códigos de sucesso para um automóvel. Fê-lo com o Renault 5 e não se deu nada mal se tivermos em conta tanto os prémios (foi carro europeu do ano e melhor proposta eléctrica em Portugal, onde também conquistou o galardão do mais bonito) como os resultados, conseguindo um lugar directo para o top-10 dos eléctricos mais vendidos na Europa. E, agora, volta a apostar todas as fichas na mesma receita com o R4, sucessor da Renault 4L, que, em Portugal, se afirmou no género feminino, com uma impressionante capacidade multitasking: tanto servia para a família passear como para os trabalhos pesados nos campos. No fundo, o conceito definido por Pierre Dreyfus, na época presidente da Renault, quando lançou a ideia de criar “um carro [como umas] calças de ganga”, capaz de servir diferentes pessoas em distintas tarefas ou missões, a servir tanto para trabalho como para lazer; para uma situação informal ou num momento mais delicado. Quase 65 anos depois, as premissas mantêm-se, com um twist: o Renault 4, ou R4, serve-se agora exclusiva-mente com mecânicas eléctricas. Ainda que reclame ser capaz de servir diferentes propósitos, consoante a bateria escolhida: com a de 40 kWh e autonomia para cerca de 300 quilómetros, apresenta-se como uma solução mais urbana; com a de 52 kWh e mais de 400 quilómetros de autonomia, propõe-se a ser também companheiro para viagens mais longas. Com cinco portas e o mesmo número de lugares, o Renault 4 E-Tech partilha praticamente todos os componentes técnicos com o já conhecido R5, mas pretende dar respostas mais alargadas, ao apresentarse maior tem 4,14 metros de comprimento, o que o coloca entre um Clio e um Captur e com uma razoável distância ao solo (18cm); com melhor habitabilidade, sobretudo nos bancos traseiros, com incremento tanto no espaço em altura como para os joelhos; e uma mala tão espaçosa quanto a de um familiar compacto: há 420 litros até à chapeleira e uma série de truques para ajudar na arrumação, de ganchos a fitas, incluindo uma caixa de plástico, oculta sob o piso da bagageira, que pode ser retirada. A excepção encontra-se nas unidades equipadas com o opcional sistema de som Harman Kardon, que perde este espaço de arrumação para acomodar o amplificador. O piso da bagageira também é sufi# cientemente baixo (61cm) para ajudar a carregar objectos mais pesados e nas versões mais equipadas é possível contar com abertura eléctrica, que pode ser accionada com um movimento do pé sob a carroçaria, permitindo a sua utilização com ambas as mãos ocupadas. A funcionalidade também não foi descurada, com a capacidade de carga a aumentar perante a possibilidade de rebater os bancos traseiros, na proporção de 40/60, sendo que o mais interessante é que o banco do passageiro dianteiro também pode ser rebatido, permitindo o transporte de objectos de até 2,2 metros de comprimento. Alinhado ainda com a ideia de poder ir a todo o lado, como o automóvel que lhe serve de inspiração, há a possibilidade de equipar o R4 com Extended Grip, sistema que adapta o controlo de tracção a diferentes situações de aderência, incluindo neve ou off-road. Conforto familiar As mecânicas propostas são as mesmas do R5: com a bateria de 40 kWh obtém-se uma potência de 120cv; com o pacote de 52 kWh, o sistema eléctrico debita 150cv. E, tal como o 5, beneficia do facto de assentar numa plataforma dedicada, a AmpR Small. Mas as semelhanças ficam-se por aí. É que, em contraponto com o trabalho realizado com o R5, com o objectivo de promover a agilidade do pequeno automóvel, no R4 as mexidas foram focadas em melhorar o conforto. Isso foi conseguido, explicou a marca durante a apresentação dinâmica, que se realizou em Portugal, pela afinação nas suspensões, que, tal como o R5, conta com sistema multilink no eixo traseiro. O resultado é um automóvel mais “amigável”, com características de conforto que o podem colocar como uma alternativa a uma jovem família, ainda que se revele capaz de se adaptar bem a uma condução mais dinâmica e a curvas apertadas, o que faz de si uma aposta ganha quando se pensa em equilíbrio. Também a direcção é fácil de manusear e quando chega a hora de travar é fácil de perceber que há reacção e firmeza q.b. para que não haja hesitações. Mais ainda se se optar por dar uso às patilhas atrás do volante, que, em estreia, permitem escolher o nível de regeneração até a um máximo de “one pedal”, i.e., conduzir recorrendo apenas ao acelerador, já que o automóvel estanca quando se deixa de acelerar. Esta tecnologia, diz a Renault, será disponibilizada também no R5. No capítulo das prestações, a variante que conduzimos, de 150cv, tem um tempo anunciado de 8,2 segundos na aceleração de 0 a 100 km/h, sendo capaz de passar de 80 a 120 km/h em 6,4 segundos. Na prática, em momento algum sentimos falta de carro, seja para contornar algum obstáculo ou para realizar uma ultrapassagem mais apertada, mais ainda quando seleccionado o modo Sport há ainda Eco, para minimizar consumos, e Comfort, a privilegiar o equilíbrio entre gasto e desempenho. O R4 chega com Active Driver Assist, que admite tecnologia de condução autónoma de nível 2, bem como com sistema multimédia OpenR Link com Google integrado, contando ainda com o avatar Reno a fazer uso de inteligência artificial ChatGPT. Além disso, chega equipado com carregador de 11 kW, bidireccional, o que, na prática, significa que se pode usar o automóvel para dar energia a pequenos aparelhos, além de estar preparado para fornecer energia à rede, algo que já é possível em França. O carregamento rápido, em corrente contínua, também está disponível a potências de 80 e 100 kW, dependendo da capacidade bateria, para reposições até 80% em meia hora. No mercado luso, onde ainda não se pode tirar proveito das características V2G, o R4 é proposto em três níveis de equipamento: Evolution, com ambas as mecânicas; Techno e Iconic, apenas com a variante de 150cv. Os preços começam nos 29.500 (23.983EUR, sem IVA) para o R4 de 120cv com bateria de 40 kWh; o mesmo nível de equipamento com a variante de 150cv e bateria de 52 kWh é comercializado a partir de 33 mil euros; a versão Techno acresce dois mil euros e a Iconic outros dois mil, fixando-se nos 37 mil euros. Carla B. Ribeiro