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EMPRESAS DA DEFESA NACIONAL GANHAM ESCALA NO MEIO DAS GUERRAS

Negócios Online

2025-05-26 21:05:17

Há um crescente número de empresas a apostarem na defesa. Além do Estado, há privados a posicionarem-se para esta oportunidade, seja através de produtos finais, como a Tekever, seja trabalhando dentro de grandes cadeias de fornecimento internacional. As empresas que atuam no setor da defesa são ainda um pequeno ponto num universo de mais de um milhão e meio das sociedades que representam o tecido empresarial português. Não chegam ainda às quatro centenas (são cerca de 380), embora a tendência seja a de crescimento do número de negócios numa indústria que à luz do contexto geopolítico atual volta a assumir relevância, tanto para o rearmamento de Portugal como da própria Europa. Com maior ou menor investimento, o país sempre teve empresas ligadas a este setor. Através da IdD Portugal Defence, a "holding" que desde 2020 passou a agregar as posições do Estado nesta indústria, contam-se vários exemplos. A começar por aquele que se pode considerar o porta-estandarte, a OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, passando pelo Arsenal do Alfeite, até à indústria naval (a NavalRocha) ou dos explosivos (a Extra - Explosivos da Trafaria). Há, no Estado, um conjunto de empresas que desenvolvem a sua atividade no que se pode classificar como de indústria pesada neste setor, mas há também outras que procuram responder aos desafios das novas guerras. É o caso da EID - Empresa de Investigação e Desenvolvimento de Eletrónica ou da EDISOFT - Empresa de Serviços e Desenvolvimento de Software, que resulta de uma parceria com a Thales e a NAV, que desenvolvem o seu trabalho para a defesa, mas na base da tecnologia. A defesa precisa de quase todos os setores, desde os mais elementares, como o das rações de combate, até ao do vestuário, sem esquecer o da saúde. E muito deste trabalho é feito por várias pequenas e médias empresas, mas o foco da iniciativa privada está no desenvolvimento de tecnologias de elevado valor acrescentado para o mercado global. O país conta com empresas na área de balística, que exportam e trabalham com os grandes construtores europeus na proteção para veículos blindados, empresas como a Aernnova, que produz estruturas aeronáuticas para o KC390 [da Embraer, utilizado pela Força Aérea Portuguesa] e outras que estão a "desenvolver uma aeronave numa parceria com a Força Aérea para transporte de carga e de passageiros", que "já exportam produtos finais, por exemplo, drones para a Ucrânia", como a Tekever, elencou José Neves, presidente do AED Cluster Portugal. A Tekever é, de longe, a empresa portuguesa deste setor que mais destaque tem tido, exatamente pelo papel de relevo que assumiu na guerra que se desenrola na Ucrânia. A fabricante de sistemas autónomos tem conquistado contratos, tem vindo a expandir as suas operações - pretende construir um centro de excelência para "drones" para uso civil e militar na Occitânia e Nova Aquitânia, em França - e, com isso, a captar novos investidores, de tal forma que alcançou já o estatuto de unicórnio, o sétimo em Portugal. A empresa liderada por Ricardo Mendes está avaliada em mais de mil milhões de euros. Aposta na cadeia de valor Há algumas empresas que podem mostrar os produtos que saem das suas linhas de produção, mas há muitas mais que têm vindo a fazer um trabalho para se posicionarem nas cadeias de valor da indústria, praticamente todas numa lógica de duplo uso, ou seja, tanto civil como militar. "O importante é as empresas conseguirem capacitar-se ainda mais, ganharem competências, crescerem e posicionarem-se de uma forma diferente na cadeia de valor", afirmou o responsável do AED em entrevista recente ao Negócios e à Antena 1. "Não podemos pensar que vamos desenvolver um navio de fio a fio, ou um novo caça", atirou. Esta forma de os privados encararem a dinâmica associada ao negócio da defesa está a atrair um crescente número de empresas, atraídas pela oportunidade, mas também pelos muitos milhares de milhões de euros que a Europa irá investir nos próximos anos. "Quando vejo toda esta alavancagem dos orçamentos europeus [para a defesa], penso como é que Portugal se pode posicionar, não só no fornecimento de produtos finais, mas dentro destas grandes cadeias de fornecimento internacional", salientou. Paulo Moutinho paulomoutinho@negocios.pt Paulo Moutinho paulomoutinho@negocios.pt