DEFESA EM DESTAQUE NA EMAF: SETOR TÊXTIL APONTADO COMO ESTRATÉGICO
2025-05-29 21:02:15

A área da defesa esteve ontem em debate na Exponor, durante o Future Summit, uma iniciativa organizada pela Associação Empresarial de Portugal (AEP) e pela Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP), no âmbito da EMAF - Feira Internacional de Máquinas, Equipamentos e Serviços para a Indústria. O evento reuniu figuras de relevo do tecido empresarial nacional para refletir sobre as potencialidades da indústria da defesa e os desafios que se colocam à Europa e a Portugal. Isabel Furtado, CEO da TMG Automotive e Presidente da Administração do CEiiA, sublinhou que a defesa representa um importante motor de inovação e pode ter um forte impacto multiplicador na economia. A responsável defendeu uma visão estratégica de duplo uso para os investimentos nesta área: "a defesa deve servir propósitos militares, mas também ter aplicação civil". Um caminho onde o setor têxtil, segundo afirmou, tem já provas dadas e ainda grande margem de crescimento. "O setor têxtil tem grandes oportunidades aqui", referiu, destacando a capacidade nacional para desenvolver produtos de elevado valor acrescentado, como o fardamento técnico e avançado - exemplo disso são os tecidos de camuflagem. Isabel Furtado defendeu ainda a necessidade de criar cadeias de valor completas: "Portugal pode evoluir para um país que desenvolve e industrializa produtos próprios. Ser um hub de inovação de duplo uso." Na abertura do Future Summit, Luís Miguel Ribeiro, Presidente da AEP, contextualizou a atual conjuntura internacional e apontou os principais riscos à escala global, destacando as tensões geopolíticas e os conflitos armados. "O mundo vive um contexto volátil, onde no topo dos riscos estão os conflitos armados", afirmou, alertando para a fragmentação em três grandes blocos e para o posicionamento estratégico da China, com destaque para o controlo de recursos críticos como as terras raras. Com a crescente pressão para aumentar o investimento na área da defesa - nomeadamente com a meta de 5% do PIB sugerida pelos EUA - Luís Miguel Ribeiro reforçou a urgência de Portugal cumprir, pelo menos, o compromisso de atingir os 2%. "Temos de crescer muito, reforçar o nosso investimento, as nossas exportações", alertou, reconhecendo que o desafio demográfico e a burocracia são obstáculos a ultrapassar. "A área da defesa é importante e estou convicto que os nossos empresários vão superar este desafio. Mas nada se faz sem o apoio das políticas públicas." Também Vítor Neves, Presidente da AIMMAP, partilhou a sua visão, afirmando que "hoje, mais do que nunca, o setor da defesa afirma-se como um motor de inovação" e apelando à Europa para que assuma a sua soberania estratégica. O Future Summit veio, assim, reforçar o papel estratégico da indústria da defesa no desenvolvimento económico, tecnológico e industrial de Portugal, destacando-se como uma oportunidade de posicionamento competitivo a nível europeu e global. Fonte: T Jornal . . Defesa em destaque na EMAF: setor têxtil apontado como estratégico Deixa-nos deslizar nos teus emails. Inscreve-te para receberes a newsletter semanal do Tendências Online. Redacção