IA JÁ INFLUENCIA AS DECISÕES DE COMPRA DE UM TERÇO DOS PORTUGUESES
2025-05-30 21:05:55

Ainteligência artificial (IA) está a ganhar terreno no retalho, não apenas como ferramenta de otimização de processos, mas como um novo agente de transformação da experiência do consumidor. O estudo, promovido pela plataforma de tecnologia financeira Adyen, teve por base uma ampla amostragem , 41.089 consumidores e 14.003 retalhistas em 28 mercados , e oferece um retrato aprofundado das tendências que marcam o presente e moldam o futuro do comércio. Em Portugal, os dados mostram que a IA está a deixar de ser uma tecnologia de nicho para se tornar uma aliada quotidiana nas decisões de compra, com 10% dos inquiridos a admitir que a utilizou pela primeira vez nos últimos 12 meses e 52% a manifestar abertura à sua adoção futura. GERACIONAL MAS TRANSVERSAL Embora a Geração Z (16-27 anos) continue a ser a mais recetiva à utilização da IA nas compras, com 45% a afirmarem fazê-lo, os dados mais surpreendentes vêm das faixas etárias tradicionalmente menos digitalizadas. Os Baby Boomers (60-78 anos) registaram um aumento de 85% na utilização da IA, um crescimento notável que evidencia a rápida disseminação da tecnologia junto de públicos mais maduros. Também a Geração X (44-59 anos) mostra um incremento expressivo, de 53%. Apesar do entusiasmo geracional, é nas funcionalidades da IA que os consumidores portugueses encontram mais valor: 54% dos que utilizam esta tecnologia referem que ela os inspira na escolha de produtos como vestuário, refeições e presentes. Já 53% procura utilizar IA para descobrir marcas menos conhecidas, o que constitui uma oportunidade para retalhistas de menor escala ganharem visibilidade através de parcerias tecnológicas e campanhas de marketing personalizadas. UMA OPORTUNIDADE POR EXPLORAR NO RETALHO PORTUGUéS Apesar da crescente familiaridade dos consumidores com aIA, os retalhistas nacionais ainda não estão totalmente alinhados com esta tendência. Apenas 32% afirma que tenciona investir em soluções de IA nos próximos 12 meses para reforçar áreas de vendas e marketing, e 31% considera aplicá-la à inovação de produto. Esta assimetria revela um potencial subaproveitado e, ao mesmo tempo, um risco para as empresas que não acompanhem a evolução das expectativas do consumidor. A própria Adyen aponta caminhos claros para a aplicação da IA no retalho. Holly Worst, vice--presidente de Retalho da empresa, sublinha que “a inteligência artificial deixou de ser encarada como uma tendência de futuro , é uma prioridade atual tanto para os retalhistas como para os consumidores”. “No início deste ano, lançamos o Adyen Uplift, uma solução de otimização de pagamentos baseada em inteligência artificial que ajuda as empresas a aumentar a conversão de pagamentos, simplificar a gestão de fraudes e reduzir custos de pagamentos. Ao utilizar a inteligência artificial desta forma, ajudamos os retalhistas a proporcionar uma experiência de compra única ao cliente, uma vez que os "bons” consumidores podem acelerar o processo de checkout, enquanto interceptamos transações fraudulentas. é evidente que a IA destaca-se, assim, como o principal motor de crescimento para 2025., acrescenta. Outro dado de destaque no relatório diz respeito à experiência de compra integrada entre canais físicos e digitais. Apesar de 39% dos consumidores portugueses preferirem comprar em múltiplos pontos de contacto, como loja física, redes sociais, apps e e-commerce, apenas 39% dos retalhistas afirma conseguir garantir essa continuidade de forma eficaz. Outros 12% têm planos para implementar esta abordagem nos próximos 12 meses, e 15% indicam que pretendem apostar em experiências exclusivas no ponto de venda físico. Este dado reforça o papel central das lojas físicas no contexto português: 50% dos consumidores ainda privilegia o canal tradicional, sobretudo pela possibilidade de ver e experimentar o produto antes da compra (54%) e pelo imediatismo da aquisição. Em contrapartida, apenas 15% prefere realizar compras exclusivamente online, o que atesta que a digitalização deve ser vista como complemento e não como substituto da presença física. O PAPEL DA IA NA PERSONALIZAçãO E FIDELIZAçãO ã medida que os consumidores se tornam mais exigentes, a personalização baseada em IA surge como um dos maiores trunfos para a diferenciação no retalho. A capacidade de oferecer recomendações individualizadas, inspirar novas compras e facilitar a descoberta de marcas adequadas ao perfil de cada cliente permite não só elevar a experiência de consumo, mas também gerar fidelização. Neste contexto, a IA atua como facilitador de relações mais relevantes e duradouras entre marcas e consumidores. Roelant Prins, Chief Commercial Officer da Adyen, resume: “Estamos a entrar numa era em que a IA pode funcionar como um estilista pessoal ou um guia de compras, adaptado ao gosto e às necessidades de cada pessoa”. Para os retalhistas que saibam interpretar esta mudança, a recompensa será uma relação mais próxima e mais lucrativa com os seus clientes. METODOLOGIA DE INVESTIGAçãO O Adyen Index: Retail Report 2025 foi elaborado com base em dados recolhidos pela consultora Censuswide entre 26 de fevereiro e 12 de março de 2025. A amostra integra 41.089 consumidores maiores de 16 anos e 14.003 retalhistas maiores de 18 anos, provenientes de mercados como Portugal, Espanha, França, Alemanha, Países Baixos, Brasil, EUA, Canadá, Japão e Malásia. A metodologia segue os princípios éticos e técnicos da Market Research Society e da ESOMAR, assegurando fiabilidade estatística e representatividade geográfica.H Em Portugal, 32% dos consumidores já utilizam IA para fazer compras, um aumento significativo de 47% face a 2024, de acordo com o Adyen Index: Retail Report 2025. Esta evolução assinala um ponto de viragem no comportamento de consumo e na relação com a tecnologia.