CONFERÊNCIA ECONOMIA SEM FRONTEIRAS - ENTREVISTA A MIGUEL FRASQUILHO
2025-05-30 21:06:41

Pensar a economia portuguesa a longo prazo A conferência vai trazer a debate “os temas são os que nos devem importar porque são estratégicos e estruturantes e deviam claramente sobrepor-se aos ciclos eleitorais e à espuma dos dias”, sublinha Miguel Frasquilho. Miguel Frasquilho é um dos coautores do programa E conomi: Sem Fronteiras, uma parceria entre o canal Now e o Negócios, da Medialivre, e é o curador da conferência Economia Sem Fronteiras que se vai realizar durante a manhã de 3 de julho de 2025 no Pestana Palace Hotel. Foi presidenteda AICEP eda TAP, e secretário de Estado do Tesouro e Finanças, preside ao advisory board da L or Strategic Investment Group (LSIG), adivisão de capital de risco da neerlandesa Holding House of the Lord B.V, que conta no seu portefólio, com ativos como o comparador de preços e “marketplace” português, KuantoKusta, e a conhecida plataforma de pagamentos omnicanal, Paybyrd. Miguel Frasquilho antecipa o que se pode esperar da primeira conferência Economia Sem Fronteiras, que junta académicos, empresários e decisores políticos para discutir os principais obstáculos e oportunidades estruturais do crescimento económico em Portugal. Qual é a importância da conferência e quais são os seus principais objetivos? Considero ser uma conferência muito importante porque nos vai permitir pensar estrategicamente a economia portuguesa para as próximas décadas, isto é, a longo prazo, sendo algo que muitas vezes nos falta em Portugal. O que queremos ser como país? Em que áreas devemos atuar e por quê? Como nos deve-mos posicionar num contexto internacional muito desafiante e num mundo cuja ordem global está a transformar-se e irá ser muito diferente do que estávamos habituados? é de tudo isto, e muito mais, que vamos falar no próximo dia 3 de julho. Importa muito para o nosso futuro coletivo. Por que escolheu estes temas para a conferência? os temas são os que nos de-vem importar porque são estratégicos e estruturantes, e deviam claramente sobrepor-se aos ciclos eleitorais e à espuma dos dias. Infelizmente, não é isso que acontece... Significa que são estruturantes para o crescimento da economia? Sim, claramente são estruturantes para o crescimento da economia. E são matérias que deviam estar muito mais presentes no debate público e dos responsáveis políticos. A opção por oradores “estrangeirados”, como Nuno Garoupa, Luís Cabral e Ricardo Reis para fazerem as apresentações têm a ver com o facto de ser um olhar mais distanciado? Vamos ter três dos melhores economistas portugueses que estão no estrangeiros e a sua vinda temprecisamente: vercomomote “Economia Sem Fronteiras”: ter economistas portugueses de topo em universidades de topo internacionais. é O caso de Luís Cabral, Nuno Garoupa e Ricardo Reis. E aproveitar a sua visão, que é complementada com a de três economistas portugueses de topo que estão em Portugal: Isabel I Iorta Correia. Luís Aguiar-Conrariar e Susana Peralta. Creio que estão reunidas as condições parapodermos ter uma reflexão muito interessante e útil sobre que Portugal queremos no Mundo e que Portugal queremos para as próximas décadas. Luís AGUIAR-CONRARIA Professor Catedrático na Universidade do Minho, doutorado em Economia pela Cornell University, mestre em Economia pela Universidade do Porto e licenciado em Economia pela Universidade de Coimbra. é presidente da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho (EEG-UM) que está a lançar a UminhoExe, uma escola de formação de executivos. é colunista do Expresso.. SUSANA PERALTA Economista na Nova School of Business & Economics, onde está desde 2014. é especialista em Economia Pública e Economia Política, com especial incidência na fiscalidade e federalismo fiscal. Ensina ou deu vários cursos de Finanças Públicas, Microeconomia, ética t e Política Económica, e Pobreza: Conceitos e Desafios. Ensina também Economia em Programas de Educação Executiva. é colunista do Público. Nuno Garoupa: “Não há economia com custos de contexto zero” “Todas as economias sofrem de custos de contexto por múltiplas razões institucionais e culturais. Não há economia com custos de contexto zero. A questão é se prejudicam o modelo de crescimento e persistem no tempo”, refere Nuno Garoupa, professor de Direito e Associate Dean for Research na Universidade George Mason, Antonin Scalia School of Law (desde agosto de 2018), que fará uma apresentação sobre “A persistência estrutural dos custos de contexto” na conferência Economia Sem Fronteiras que terá lugarno Pestana Palace Hotel a 3 de julho de 2025. Como explica Nuno Garoupa, numa economia pequena, aberta e integrada no espaço europeu como a portuguesa, “os custos de contexto mais prevalecentes prejudicam o investimento, reduzem a competitividade e inibem a flexibilidade económica, prejudicando o crescimento e a acumulação de riqueza e ajudando a explicara estagnação económica dos últimos 25 anos”. Estes custos de contexto persistentes, que são pelo menos bem conhecidos desde os anos 90, não foram resolvidos nas últimas décadas, com a exceção das infraestruturas rodoviárias. “As interven-ções públicas para corrigir estes custos de contexto nos últimos 35 anos foram ineficazes, repetitivas, infelizmente casuísticas e pouco consistentes no tempo”, considera Nuno Garoupa. Considera que, se estes custos de contexto não forem significativamente reduzidos nos próximos anos, “émuito difícil que a economia possa crescer acima dos 3% como é necessário, nem que possa aproveitar a conjuntura internacional. Isso só é possível com um aumento muito assinalável de qualidade nas políticas públicas. Infelizment essa agenda continua adiada”. FSF Luís Cabral: Portugal precisa de acordos de regime A inconsistência da liderança americana cria uma janela de oportunidade para que a União Europeia assuma maior preponderância no palco geopolítico global, mas isso requer que a UE seja mais união do que é presentemente”, afirma Luís Cabral, professor catedrático e atual diretor do Departamento de Economia da NYU Stern em Nova Iorque, que fará uma apresentação sob o tema “Portugal e a Europa: Ameaças e Oportunidades” durante a con-ferência Economia Sem Fronteiras, marcada para 3 de julho no Pestana Palace Hotel. Segue-se uma mesa-redonda com Luís Cabral e Luís Aguiar-O Conraria, professor da Universidade do Minho, com a moderação de Miguel Frasquilho, curador da conferência. Em relação a Portugal, Luís Cabral salienta que, “para além da estabilidade governativa (gestão de um executivo minoritário), Portugal beneficiaria muito de um acordo de regime sobre reformas que exigem previsibilidade política e legislativa: habitação, imigração, segurança social, reforma fiscal, sistemaju dicial, ensino privado e público”. Luís Cabral, que é também diretor académico do Nova SBE Public Policy Institute (NPPI), alertou ainda que “Portugal continua a ser um país de preferência como destino. Isto cria enormes oportunidades, mas requer uma gestão cuidada dos desafios inerentes a fortes influxos migratórios”. FSF Os desafios europeus entre Draghi e Trump Ricardo Reis é professor de Economia na London School of Economics, sendo titular da cátedra A.W. Phillips. A sua intervenção na conferência Economia Sem Fronteiras será sobre “As perspetivas de crescimento económico no mundode Trump”, aque ser seguiráuma mesa-redonda moderadapor Miguel Frasquilho. Como sublinha Ricardo Reis, ainda há oito meses se discutia o relatório Draghi. As dis-cussões estavam em torno do problema da Europa em ser competitiva com as empresas tecnológicas europeias, com a necessidade de aprofundar o mercado único e da estagnação da produtividade. Entretanto, “veio Trump e as suas tarifas, e com ele a reconfiguração do comércio internacional, o investimento público europeu na defesae as novas relações com a China”, refere Ricardo Reis. As suas perguntas são: “os desafios novos substituíram os anteriores ou acrescentaram a estes? Estamos ainda mais pessimistas relativamente ao futuro da Europa ou surgiram novas oportunidades? Pode uma pequena economia aberta europeia como a portuguesa distinguir-se?” No próximo dia 3 de julho de 2025, pela manhã, no Pestana Palace Hotel, podem surgir as respostas ou ainda mais perguntas. FSF e Não há economia sem custos de contexto e Desafios europeus entre Draghi e Trump e Portugal precisa de acordos de regime Miguel Frasquilho “Vamos debater e refletir sobre que Portugal queremos no mundo e que futuro ambicionamos para o país nas próximas décadas.” Os outros oradores da conferência Economia sem Fronteiras &6 Estão reunidas as condições para podermos ter uma reflexão muito útil sobre que Portugal queremos no Mundo e que Portugal queremos para as próximas décadas. MIGUEL FRASQUILHO Coautor do Programa Economia Sem Fronteiras Ricardo Reis, professor de Economia na London School of Economics. Luís Cabral, diretor do Departamento de Economia da NYU Stern. Nuno Garoupa, associate dean for Research na universidade George Mason, Antonin Scalia School of Law. FILIPE S. FERNANDES...