AUTOMÓVEL - BYD QUER CHEGAR À LIDERANÇA ESTE ANO EM PORTUGAL
2025-05-30 21:06:45

PEDRO CORDEIRO coo da BYD PORTUGAL BYD quer chegar “à liderança este ano” A BYD Portugal quer vender mais de 6.000 unidades. Conta com dez modelos, mas também com o segmento empresarial para alcançar um número para o qual, assume, a queda das vendas da Tesla poderá ajudar. paulomoutinho@negocios.pt ABYD está a ganhar terreno no mercado nacional. A fabricante chinesa, representada pelo Grupo Salvador Caetano, é das marcas cujas vendas mais crescem, sendo que Pedro Oliveira, COO da marca em Portugal, VE potencial para mais. “Este ano não vamos obviamente multiplicar por sete, não está no radar”, diz, mas quer vender mais de 6.000 unidades, assumindo o objetivo de alcançar a liderança no mercado dos elétricos. A queda das vendas da Tesla ajuda, mas o motor deste crescimento assentará na crescente oferta de modelos e no sucesso que a marca está a ter junto das empresas. Como vê a evolução das vendas de elétricos em Portugal? tugalestánopelotãodafirente. Continuamos com taxas de penetraçãonacasados 20%. E verdade que o crescimentoé émenor, mas ele existe. E continuam a reunir-se as condições para se manter. E importante manter-se os incentivos fundamentais, o apoiomais naperspetiva das empresas, porque claramenter éum dos principais “players” naaquisiçãoo de elétricos. Sóparas se ter uma noção, na nossa divisão de vendas, 70% são empresas. Há margem para crescer? Portugal tem todos os atributos para continuar a crescer. Se [esse crescimento] será mais ténue, se será mais radical ou mais acelerado, também terá a ver com alguma maior acessibilidade das viaturas elétricas Este é um ponto. Obviamente, a viatura elétrica só por si não é suficiente, temos de ter toda uma rede de infraestruturas que tem de acompanhar.. Começamos a ter ofertas para todas as bolsas, mas e a questão dos pontos de carregamento? E um desafio? E um dos desafios. O preço [dos carros está] a diminuir, e as autonomias estão a aumentar. O Dolphin SurfI [o mais recente modelo da marca no mercado] tem uma autonomia em ciclo urbano acima de mais de 500 quilómetros. E mais do que suficiente para uma semana. As pessoas vão necessitar pouico de carregamentos públicos. Vão carregar em casa ou na empresa. Até pelos preços de carregamento na rua. Pela comodidade e pelos preços, por estes dois fatores. E a outra situação, obviamente, é nas empresas. Cada vez há mais empresas a oferecerem postos de carregamento. E uma rede própria de carregamento da BYD. Está previsto? Não está previsto. Não me parece que seja, parajá, uma necessidade. Estáa haverum acompanhamento, quer das próprias entidades privadas, entidades públicas. Há um objetivo europeu de alargar o número de postos. Há uma obrigatoriedade legislativa para se ter postos de carregamento. Estão antes a apostar na tecnologia, nas baterias? é isso. Estamos a aumentar a autonomia por um lado, a outra éo acelerar a velocidade de carregamento, portanto tornar o carregamentode uma aviaturaelétrica igual a uma viatura a combustão. Já venderam 1.735 unidades em 2025. Qual é a meta para este ano? Em 2024 multiplicámos por sete as vendas. Este anonão vamos obviamente multiplicar por sete, não está no radar. Não vamos fazer saltos tão exponenciais, mas eventualmente, ao número que temos, temos de quase quadruplicar. Temosdeestarajog lomenosen termos de “market share”, a apon-tar para o segundo lugar ou para o primeiro lugar já este ano. é o nosso objetivo. Qual o número? Estamos a apontar para cima das 6.000 unidades, bem acima. E como vão alcançar esse número? Com mais modelos? Lançámos uma viatura em janeiro, lançámos uma viatura em fevereiro, o BYD Atto 2, e estamos alançar a terceira viatura de 2025 agora. Portanto, em cinco meses temos três novos modelos significativos, todos eles já com vendas significativas no nosso mercado. Apontam ao segundo lugar ou à liderança? Nós queremos a liderança. Temosdet erumcrescimentos gradual, exponencial, mas, gradual. E temos deserrealistas também. Mas temos o yobjetivo, claramente, de este ano de chegar à liderança. A Tesla está a ajudar? ATeslaestáac cair, éum fenómeno mundial, europeu, e Portugal não azaexceção. Aindaassim, Portugal não está a cair tanto quanto está a cair em alguns países europeus, masj já significativamente na caixa dos 25%. Obviamente que sim, mas, por outro lado, temos muitos mais “players”. Estão a conseguir apanhar os clientes que seriam da Tesla? Sim, nós estamos a posicionar-nos. Há “triggers” que demoram um tempo a surtir efeito, nomeadamente o nosso posicionamento junto do canal de frotas, junto das empresas. Ou seja, há todo um trabalho que nós estamos a fazer e estamos a desenvolver que, entretanto, vai dar frutos. Não é tão visível à data de hoje, mas vai dar frutos. A Tesla era fortíssima nesse canal [frotas/empresas], precisamente. E éum canal que nós temos vindo a trabalhar. Temos aqui modelos, no caso o Seal, que foi O Carro do Ano em 2024, um modelo e um segmento que podem entrar aqui nesse canal e rivalizar aqui com o modelo da Tesla. E o Sealion 7 que chegou já está a competir quase de igual para igual com o y. Como é que conseguem ter já uma percentagem tão elevada de vendas para as empresas? Foi fácil entrar neste segmento? As barreiras de entrada foram ajudadas, no caso do mercado português, pelo facto de esta marcaser representadapelo Grupo Salvador Caetano. Isso é inequívoco. E uma chancela de qualidade, de confiança. O consumidor olha para nós de outra forma, isso ajudou-nos ao mas também os descontos em contínuo. éumdesafio, éverdade, marcas como a BYD ououtra quesó tenhaelétricos no: seuportefólio tem que vencer este desafio. A marca tem, obviamente, de estar atenta, tem de dar confiança, quer na durabilidade das baterias, quer mesmo na saúde das baterias no fim de vida. Tem de dar aqui confiança ao mercado e confiança às gestoras de frota. Têm uma parceria com a Ayvens? Nós temos agora o “white label” oficial com a Ayvens. é uma das situações quie, esperamos nós, vai alavancar o crescimento também junto desse canal empresarial. “Taxas não ajudam” ao preço dos carros chineses na Europa A fabricante chinesa chegou a Portugal em 2023, cresceu de forma expressiva em 2024 e continua a lançarmodelosi no mercado nacional. Conta com dez modelos, dos mais variados segmentos. Acabou de lançar um citadino por 20 mil euros, dois anos antes da chegada do VW ID.1 que será produzidona Autoeuropa. O preço é competitivo, sendo quesó não é mais porque “as taxas não ajudam”, diz o coo da marca em Portugal. Já têm dez modelos. Há mais a caminho? Temos dez modelos. Este [o Dolphin Surf ljá é o décimo. E vamos ter mais ainda em 2025. Já cobrem os segmentos todos. Em termos de cobertura de segmentos está. Em termos de 100% elétricos, liriaqueestácompleto, também, mas poderá vir aí uma outra surpresa. M [as o que vai haver mais é na tecnologia híbrida “plug-in”. Aí, sim, vamos trazer novos produtos. Porque estão a perceber que algumas empresas estão a voltar ao híbrido “plug-in” com autonomias maiores? é O ADN da BYD. A BYD é, portanto, uma marca de “new energy vehicles” e tem claramente esta tecnologia “in-house” que considera bem desenvolvida, em características ligeiramente diferentes daquilo que é o híbrido tradicional, mas ainda assim entra na categoria dos híbridos “plug-in”, que vai ajudar a serem atingidos os objetivos da descarbonização. Há uma oportunidade de negócio que é visto globalmente, a médio prazo, até a 2035, SaO dez anos. O Dolphin Surf é claramente para particulares. O preço na casa dos 20 mil euros. é um anti-ID.1 antes do tempo? Não é anti. Não é de todo esse o posicionamento da marca. Este modelo está a ser lançado na Europa em simultâneo, mas na realidade já leva quase um milhão entre os mercados da China e da América do Sul. Na China custa metade. Sim, mas aí são regras leoutro campeonato. As tarifas europeias não ajudam? Temos o transporte, temos a homologação europeia, e os cartos têm diferenças significativas para aquilo que é um carro chinês. Não se pode comparar. Não se pode comparar, não é comparável. Mas as taxas não ajudam. O facto de estarmos num mundo de tarifas de alguma forma pode levar a que as marcas chinesas passem a competir ainda mais pelo preço? Eu acho quie aí serão as regras do mercado. O negócio tem de ser sustentável.. A União Europeia entendeu que teve um movimento que teve relativamente às tarifas, porque entendia que havia aqui uma suspeita de haver incentivos às sempresas chinesas [por parte do Estado], mas não será por aí. Faz sentido a quantidade de marcas chinesas que estão a chegar ao mercado? Algumas não vão durar. O facto de haver muitas só representa a força e o dinamismoeo avanço tecnológico que a China tem relativamente a outros países e outras geografias do mundo. O facto de haver várias marcas, nem todas vão vingar, é claro. Agora, a BYD continua a ser líder no mercado chinês e é líder no mercado global. BYD claramente é uma marca para ficar, para ficar e para liderar, isso é claro. Depois quaise é que vão sobreviverounão, isso depois terá o mercado a ditar, mas nem todas têm a mesma capacidade da BYD, isso é claro. Aqui há uma proposta de valor para o cliente? é muito diferenciado. é uma proposta efetiva? Efetiva, sim. Dão garantia de que ficam? Aqui temos a garantia e temos acadeia de valorque a BYD tem. A BYD fabrica a grande maioria dos seus componentes, tem tudo “in-house”, domina a cadeia de valor, tem efeito de escala, portanto consegue ser mais competitivo e consegue liderar. PM “Portugal está no pelotão da frente. Continuamos com taxas de penetração de 20%.” “Estamos a apontar para Ivendas] acima das 6.000 unidades.” PAULO MOUTINHO