TARIFAS DE TRUMP DEIXAM UMA MAÇÃ PODRE NO CESTO DAS 7 MAGNÍFICAS
2025-06-02 21:03:37

BOLSA Tarifas deixam uma maçã podre entre as 7 magníficas No início do ano já se escrevia o obituário da Tesla. Agora é a Apple que mais cai em bolsa. Ainda assim, as “big tech" que compõem o grupo das sete magníficas mantêm a sua relevância , mas será que este epíteto tem prazo de validade? cpedro@negocios.pt AS sete magníficas orte-americanas das tecnologias Apple, Microsoft, Nvidia, Alphabet, Amazon, Meta Platforms e Teslajáreportaram os seus primeiros resultados trimestrais do anoe e todas elas, com exceção da Tesla, superaram as projeções do mercado. As boas contas trouxeram algum alívio ao mercado e isso refletiu-se em bolsa: em inícios de maio, as sete estavam com saldo negativo no acumulado do ano, mas atualmente já há três em alta: a Microsoft (+9,58%), a Meta (+7,64%) e a Nvidia (+0,64%). O que tem penalizado as cotações em 2025, depois de dois anos de subidas fulgurantes, é a preocupação em torno do impacto das tarifas da Administração Trump aos parceiros comerciais e também os receios de que os elevados investimentos destas cotadas na euforia da inteligência artificial possam estar: a ser excessivos para o retorno que se está a verificar. Além disso, a chinesa DeepSeek abalou alguma confiança nestas “big tech” ao mostrar que é possível ter inteligência artificial sem tanto investimento como se tem falado. Uma questão que agora se coloca é se as cotadas quie, entretanto, recuperaram fôlego e quie, já estão em alta no cômputo do ano conseguirão sustentaresta tendência e se outras, se juntarão ao grupo.Apesar de os trimestres não serem todos iguais entre as sete (atítulode exemplo, oprimeiro trimestre da Nvidia terminou a 27 de abril, e as contas de janeiro a março da Microsoft correspondem ao seuterceiro trimestre fiscal), os números de todas elas , excetuando a Nvidia reportam-se a umperíodo antes do anúncio, a 2 de abril, das tarifas recíprocas dos EUA a mais de 150 países, numa ação a que o chefe da Casa Branca chamoude “diada libertação”. Porisso mesmo, os receios e incertezas associados a essas ameaças que têm tido inúmeros desenvolvimentos ainda não estavam incorporados. Após o "choque” inicial, e de-pois de Trumpjá ter feito algumas concessões , e sido até “travado” por um Tribunal do Comércio dos EUA ., jáhouve retomas. Umbom exemplo provém dos “exchange,traded funds” (ETF), que são fundos negociados em bolsa e que visam replicar ou superar, se forem de gestão ativa o »desempenho de determinado índice, ativo ou cabaz. O ETF Roundhill Magnificent Seven, por exemplo, já recuperou30% desde os mínimos atingidos em inícios de abril e a sua queda desde o início do anojá é in-ferior a 3%. Ainda assim, há títulos muito penalizados, já que tem sido crescente a fuga de capitais das ações norte-americanas, num movimento conhecido como “Sell America”, com as preferências dos investidores a recaírem em grande medida na Europa. De entre as “Mag 7”, aApple é a que mais cai este ano, com uma descida acumulada de 18%. A empresa da maçã, quejá chegou a ser amais valiosa do mundo, mas cuja capitalização bolsista ocupa agora o terceiro lugar do pódio global (com a Microsoft em primeiro e a Nvidia em segundo), tem sido penalizadapela queda das vendas de iPhones na China e também pelo receio dos ventos contrários decorrentes das tarifas de Donald Trump. O seu CEO, Tim Cook, disse a 1 de maio, quando divulgou as contas, que a empresa estimava que estas taxas acrescentassem 900 milhões de dólares aos seus custos no atual trimestre. No entanto, há ainda muita tinta para correr neste campo. Perante a derrocada em bolsa da Apple, há já quem diga que talvezso tenhamos agoraseis magníficas. Mas no início do ano, com o mau desempenho da Tesla, era a fabricante de veículos elétricos quie estava na berlinda para saltar deste ilustre grupo, pelo que os nomes Vão rodando. Apesar de não haver grandes dúvidas de que a empresa cofundada por Steve Jobs continua a ser importante, a maior crítica quie lhe tem sido feita éque, enquanto as seis restantes magníficas parecem estar a construir o futuro, a. Apple está a atualizar o presente. Ou seja, vai apresentando “updates” cíclicos do seu hardware, mas são atualizações evolutivas e não revolucionárias. Ações polémicas de Musk ajudam Tesla a derrapar A fabricante norte-americana de veículos elétricos viu as vendas caírem (quando a expectativa era de subida) por entre uma forte contestação ao seu presidente executivo. A Tesla não tem tido um ano fácil nem nas vendas, nem em bolsa. Em Wall Street, a fabricante norte-americana de veículos elétricos ainda não conseguiu sair do vermelho, com as suas ações a recuarem 5,5% desde janeiro , isto depois de, no ano passado, terem disparado 62,74%. Ehámais fatores a contribuir para esta má performance do que para as restantes pares do grupo das sete magníficas. Com efeito, além do movimento “Sell America”, à conta da grande incerteza em torno daspolíticasi do Presidente norte-americano, Donald Trump, a Tesla tem sido também vítima de fortes contestações ao seu CEO, Elon Musk tanto pelo trabalho que fez no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE que não faz parte da estrutura tradicionalo do governo federal, mas sim do gabinete de Trump), com as suas recomendações de despedimentopara cortes de custo a gerarem grande controvérsia, como pelas suas reiteradas posições polémicas ao apoiar partidos de extrema-direita em vários países europeus. A contestação foi ganhando cada ezmais tração, a pontode haver Teslas incendiados e proeminentes proprietários de viaturas desta marca a decidirem vendê-los. E mesmo as vendas da fabricante caíram bastante: nos primeiros três meses do ano foram entregues 336.681 veículos, uma quebra de 50 mil unidades face ao período homólojodo ano passado. Este foi o valor mais baixo desde o segundo trimestre de 2022, além de que os números ficaram também muito abaixo das estimativas dos analistas, que apontavam para cerca de 390 mil veículos. Recentemente, Musk minimizou as preocupações dos investidores com as quebras nas vendas da Tesla, referindo numa entrevista à Bloomberg TV , que é o mercado europeu que está a penalizar as vendas globais e defendendoe que a marca está a ganhar clientes com ideologia mais à direita que compensam a aperdados de esquerda. Mas os números globais continuam a inquietaro os investidores. Perante esta evolução bastante negativa para a Tesla, Elon Musk veio dizer em abril que seria uma questão de semanas para abandonar o seu papel como consultor da Administração Trump. Na semana passada concretizou essa saída do DOGE, anunciando-a por entre alguma crítica a Trump , por considerar que o alargamento de incentivos fiscais e mais cortes de impostos, anunciados no plano fiscal e orçamental do Presidente norte-americano, irão fazer aumentar o défice e a despesa pública. Agora, o foco de Musk estará de novo muito mais centrado na sua fabricante de veículos elétricos, na tentativa de dar um “up” às vendas e conseguir tambémmelhorar a performance da empresa em bolsa. Resta saber se conseguirá. A Tesla tem fortes ligações às tecnologias, o que significa que a sua cultura corporativa tende a ser igual às das empresas 100% "tech". Daíque faça parte do grupo das sete magníficas eque esteja também cotada no Nasdaq. CP , 18 APPLE De entre as ações das “Mag 7”, a Apple é a que mais desvaloriza no acumulado deste ano, com uma descida de 18%. 30 ETF O ETF Roundhill Magnificent Seven já recuperou 30% desde os mínimos atingidos em inícios de abril. 9 MICROSOFT Há três cotadas do grupo das sete magníficas em alta em 2025. A Microsoft é a que mais sobe: 9,58%. A evolução em bolsa das “Mag 7” está longe do extraordinário desempenho de 2023 e 2024. 5,5 AçôeS As ações da Tesla caem 5,5% no acumulado do ano. Isto depois de em 2024 terem subido 62,74%. 50 CARROS A Tesla vendeu 336.681 veículos no primeiro trimestre, uma quebra de 50 mil unidades face ao período homólogo. Elon Musk vai tentar revitalizar a Tesla. CARLA PEDRO