EDIÇÃO ESPECIAL DO 137.º ANIVERSÁRIO - ONDE QUEREMOS ESTAR EM 2030?
2025-06-02 21:03:41

FOTO DO DIA POR Thibaud Moritz AFP PONTO DE VISTA Em cada jornalista um amigo POR Mariana Albuquerque Jornalista Há uma morte constantemente anunciada que jamais poderá acontecer. O jornalismo, diariamente maltratado e manchado pelo execrável ódio que corre nas veias das redes sociais, tem de viver. Respirar a plenos pulmões, ser e estar, questionar e contrariar, mesmo com o peso do Mundo às costas. A caminhada é longa = com curvas e contracurvas que mereciam uma reflexão isolada , mas há um poder que está ao alcance de todos: o de respeitar o papel e o trabalho do jornalista. Estimá-lo. Dar-lhe valor. Há uma disponibilidade em cada um de nós, jornalistas, que é uma espécie de amor ao ato de entrega da informação. Ser “luz” na vida de alguém, oferecer as peças do puzzle da atualidade para que os leitores possam organizá-lo, entendê-lo e avaliá-lo. As provas da importância deste papel são infindáveis, mas há uma muito recente, Ono dia do apagão ibérico. A partir das 11.33 horas de 28 de abril, sem eletricidade, sem água e sem condições para telefonemas de reclamação, foi o velhinho rádio a pilhas a única companhia de tantos portugueses. A VOZ dos jornalistas informou, tranquilizou, desconstruiu teorias da conspiração, orientou e permitiu ao país não ficar em isolamento total horas a fio. O que muitos não sabem , ou simplesmente não se lembram , é que, para que isso tenha acontecido, muitos profissionais viveram momentos altamente tensos nas redações. A tentar improvisar soluções com lanternas, nos corredores ou onde fosse de forma a garantir que, tanto naquele dia como no seguinte, a missão fosse minimamente cumprida. Eu não estive no jornal durante essa “batalha” e, honestamente, depois de perder o contacto com os elementos da minha equipa, dei POI mim mais preocupada com o caos que estariam a viver do que com os problemas resultantes do apagão. E há uma explicação para isso. Em cada redação há uma família, um núcleo de pessoas muito diferentes que se entendem, que se cuidam e que não questionam o direito de cada leitor à informação. O mínimo que se pode pedir em troca a quem nos lê, ouve e vê é respeito. O exercício é simples: mesmo com todas as lâmpadas do Mundo a explodir de luz, a morte do jornalismo seria o apagão mais angustiante da humanidade. Ninguém é perfeito e os desafios da profissão são inegáveis-face à ameaça da desinformação e ao crescimento assustador da extrema-direita mas só um dia a dia informado Onos permite pensar e tomar decisões de forma consciente. Os meios de comunicação social, em especial a rádio, foram de uma importância extrema na Revolução de 25 de Abril e, hoje, mais do que nunca, têm de continuar a ser encarados como peças fundamentais da liberdade e da democracia. As redes sociais não informam, a inteligência artificial não duvida. Não há tempo para ódios, mesquinhices e ataques gratuitos. Em cada jornalista está um amigo. Há outros fatores a empurrar os licenciados para fora do país, além do salário e do preço das casas, explica João Teixeira Lopes: “As empresas portuguesas ainda são muito conservadoras óno que diz respeito à conciliação da vida profissional com a vida pessoal”. “Desconfiam muito do teletrabalho” e preferem trabalhar com base óno horário do que “no cumprimento de objetivos”, diz ainda. Isto contrasta com países, como os escandinavos, onde “a semana de quatro dias já está em força”. Perante este diagnóstico, o remédio é subir salários, baixar impostos e construir casas, concordam ambos.. A Associação BRP acrescenta que as empresas devem incorporar, na remuneração, beneficios como habitação e de mobilidade, além de adotarem modelos flexíveis como o teletrabalho. Ao Estado, avisam, cabe flexibilizar a legislação e rever os incentivos aos jovens, fazendo, por exemplo, com que O IRS Jovem compense mais do que o programa Regressar. JN 137.0 Aniversário ~ Retenção de talento , Onde queremos estar em 2030? Salários e casas são cruciais para travar fuga de talentos Países nórdicos aliciam licenciados em saúde e engenharias. Laboram menos horas por mais dinheiro delfim.machado@jn.pt TRABALHO Portugal consegue reter a maioria dos licenciados que forma, mas há uma crescente vaga de emigração para os países nórdicos, em particular nas áreas da saúde e das engenharias. Vão à procura de um salário três vezes maior, de um custo de vida suportávele de uma valorização profissional que cá não existe. Para que ficassem, teriam de ter melhores salários e casas, dizem os especialistas, ao JN. Todos os anos há 50 mil licenciados que saem das universidades portuguesas e 20 mil que emigram. Estes números são de 2021 e não há mais recentes, pois ninguém pergunta aos emigrantes se têm curso. O que há são perceções de quem estuda a matéria, onde é clara a crescente fuga de cérebros para destinos como a Suécia, Noruega, Dinamarcae e Países Baixos. “Quando falamos em qualificados serão sem dúvida nenhuma os países escandinavos e OS Países Baixos”, constata João Teixeira Lopes, sociólogo e docente da FLUP. Os destinos são corroborados pOr Rui Pena Pires, sociólogo do ISCTE, membro do Observatório da Emigração e coautor do “Atlas da Emigração Portuguesa”: “Até ao Brexit, a maioria da emigração qualificada ia para o Reino Unido, agora há uma atração pelos países escandinavos e Países Baixos”. MéDIA DE 5500 EUROS Ambos concordam que são os licenciados em saúde e engenharias que mais procuram estes destinos. Porquê? “os salários e a habitação são absolutamente cruciais e o impacto para um orçamento de um jovem é brutal”, observa João Teixeira Lopes. Ainda que um licenciado ganhe cá o salário médio (1525 euros brutos), lá fora consegue “duas ou três vezes” mais, acrescenta. De facto, o salário médio bruto nos Países Baixos é de 3000 euros, na Dinamarca é de 4800 euros e na Noruega é de 5500 euros. “Nós não vamos conseguir igualar esses salários. Nos Países Baixos não só têm salários elevados como têm aumentos salariais médios na ordem dos 8% por ano”, completa Rui Pena Pires. A responsabilidade pela subida dos salários é em grande parte das empresas, mas também do Estado, que parece não estar a fazer tudo. Num estudo de 2023, a Associação BRP, que é composta pelas maiores empresas de Portugal, analisou a carga fiscal de um salário bruto anual de 28 mil euros. Tanto as empresas como os trabalhadores pagam, em Portugal, mais impostos do que nos territórios “concorrentes”. Em Portugal, esse salário bruto tem um custo, para as empresas, quase 3000 euros superior ao dos Países Baixos, devido às contribuições para a Segurança Social e Finanças. Ao mesmo tempo, o trabalhador de cá ganha menos 5300 euros líquidos do que lá, devido aos mesmos impostos. Isto numa altura em que a Segurança Social está com um excedente recorde e o país sem défice. “o sonho é trabalhar numa organização internacional” Vontade de mudar o Mundo e baixos salários em Portugal incentivam Leonor a emigrar. Muitos colegas pensam o mesmo dança”. Leonor quer ajudar a sociedade a “resolver todas as questões que hoje não estão a mudar tanto, como a questão ambiental”: “e uma coisa que me preocupa muito”. POR UM SALaRIO MELHOR Quando escolheu LRI não pensou nas saídas profissionais. O gosto conduziu a aposta e o ano de caloira intensificou a paixão. Tanto que já pensa em ficar mais uns tempos na academia: “No início só queria fazer o curso e entrar no mercado de trabalho, mas agora já começo a pensar em fazer o mestrado para aumentar as saídas profissionais”. Sair ou não do país é uma questão muito debatida entre os pares de Leonor, mas ela já se decidiu: “Eu quero muito emigrar. Gosto do meu país e de cá estar, mas em Portugal recebemos salários cada vez mais baixos e o custo de vida é cada vez mais alto”. A vontade de Leonor estende-se aos colegas da mesma idade. “A maior parte deles”, assegura a estudante, quer ter uma experiência profissional Ono estrangeiro e há dois motivos decisivos para isso: “o salário e o preço da habitação em Portugal são os principais fatores”. Se fosse primeira-ministra hipótese que não está excluída para o futuro apostaria em mudar isso: “Salário e habitação”. Quanto a emigrar, a dúvida é apenas o país de destino. Até há pouco tempo, Inglaterra era o objetivo principal, mas com o Brexit mudou de ideias. Agora será a “Polónia ou Finlândia, um desses países mais localizados Ono Norte”. “Remuneração conta, mas o bem-estar do trabalhador também” Só o medo de arriscar separa Tomás do estrangeiro, pois não quer trabalhar "incansavelmente durante uma semana seguida” especialidade no fim da licenciatura. Ainda não sabe em quê, pois agradam-lhe várias, admite, entre risos: “Cada matéria nova é uma especialidade que quero”. ERASMUS CONTRIBUI Outra dúvida é se a especialidade se conclui em Portugal ou lá fora. E se depois o trabalho também será cá ou lá: “Emigrar é uma opção que eu ponho em cima da mesa, mas eu sempre fui uma pessoa com medo de arriscar por coisas novas e então há aqui um impasse entre o não querer arriscar eoir para o desconhecido”. Tomás não tem dúvidas que a opção de emigrar é cada vez mais equacionada pelos colegas. A vontade de sair cresce “com a globalização, com as redes sociais e com o fim da barreira da língua”, pois os jovens estão em contacto com a língua inglesa todos os dias. O programa Erasmus também impulsiona a vontade, pois “muitos colegas começam a pensar em emigrar depois de fazerem intercâmbios”. Embora o salário inicial de um médico esteja acima da média dos trabalhadores, nem sempre isso é o mais importante: “A remuneração conta, mas o bem-estar do trabalhador também”. Por exemplo, refere, “uma coisa que conta muito em países como a Holanda [Países Baixos] é a preocupação com o bem-estar dos trabalhadores”. Essa preocupação concretiza-se “pela redução da carga horária” e pelo cuidado “com a saúde mental”. Não quer trabalhar “incansavelmente durante uma semana seguida, a fazer urgências, com uma carga horária excessiva”, revela. Delfim Machado delfim.machado@jn.pt PORTO o gosto de Leonor Martins pela política e pela diplomacia internacional surgiu na Secundária de Arouca, concelho onde residia antes de ir estudar Línguas e Relações Internacionais (LRI) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Agora que está quase a concluir o primeiro ano do curso, o entusiasmo pelas organizações internacionais mantém-se, tal como a vontade de trabalhar noutro país: “Quero muito”. Aos 19 anos, os objetivos profissionais da jovem arouquense estão diretamente ligados à vontade de mudar o Mundo: “o meu sonho é trabalhar numa organização internacional, não governamental, algo que pudesse provocar mu-Delfim Machado delfim. machado@jn.pt BRAGA O “medo de arriscar” é a única coisa que separa Tomás Giesteira do estrangeiro.com 19 anos, o jovem de Vila Nova de Famalicão é caloiro de Medicina na Universidade do Minho, em Braga, e ainda tem cinco anos para decidir. Para já, confessa, está “num impasse”. Tomás chegou a Medicina depois de um ano em Engenharia e Gestão Industrial e a mãe é a prova de que está agora Ono caminho certo: “A minha mãe diz-me sempre que vê quando é que eu estou a gostar porque eu chego a casa e começo-lhe a explicar a matéria”. Sempre gostou de biologia, de “perceber porque é que o corpo faz isto ou faz aquilo” e quer tirar uma JN 187.0 Aniversário Tecnologia e ciência , Onde queremos estar em 2030? BioAvatar Ler dados biométricos e conectá-los com um carro Projeto do CEiiA está centrado na “extensão digital do indivíduo”. Primeira aplicação ocorre em 2027 teragir com os objetos em redor, como um carro. Parece ficção científica, mas não demorará muito até ser uma realidade. Imaginemos um dispositivo , pode ser um pequeno autocolante colocado na nossa pele que lê os dados biométricos, como a variabilidade do ritmo cardíaco, a temperatura e a oxigenação. José Rui Felizardo, fundador do CEiiA e responsável do centro, explica que atividades quotidianas, aparentemente inofensivas, como “uma viagem de avião de longo curso”, “comer feijoada” ou uma noite mal dormida têm impacto nas medições. Em último caso, afetam também a nossa performance, por exemplo, na condução de um veículo. LIBERDADE GARANTIDA o BioAvatar vai permitir uma interação com os objetos ao nosso redor, como os automóveis que, ao interpretarem os dados biométricos, vão alertar os utilizadores sobre os valores. O CEO do CEiiA garante que se tratará de uma decisão informada e nunca de uma tentativa de condicionamento do cidadão em conduzir ou não um carro. “A tecnologia não pode interferir com a liberdade de cada um”, afirma ao JN. No limite, a viatura poderá estar apta a limitar a velocidade consoante os valores recolhidos Onos dados biométricos, a bem da segurança rodoviária. A primeira aplicação do BioAvatar está projetada para março de 2027. Numa altura em que proliferam os relógios e os anéis inteligentes, capazes de monitorizar a atividade física e até a recuperação desportiva, José Rui Felizardo antecipa que aqueles produtos se tornem obsoletos, não só pelo seu formato, mas também pela falta de ligação que têm com o mundo dito real e palpável, o analógico. Há outro facto que explica o risco de os mais recentes produtos de monitorização de performance se tornarem ultrapassados: têm uma vertente comercial e não promovem uma verdadeira transformação social, aponta o responsavel do centro de investigação, com polos em Matosinhos, êvora e Lisboa. Uma das missões do CEiiA, refere, é a capacidade de criar um “conceito novo”, como estão a fazer com o carro BEN. VâRIAS âREAS O pequeno carro, já amplamente divulgado na comunicação social, está a gerar “uma nova abordagem do conceito de utilizador”, em que não interessa tanto a posse de um carro, mas o uso ocasional da viatura. Trata-se de um veículo de utilização partilhada, que será comercializado como um serviço e não como um produto. No futuro, o BioAvatar poderá ser usado em interligação com o BEN. Mas o céu é o limite: a ambição é que o dispositivo que lê os dados biométricos abranja diferentes áreas e não fique “refém” de um só objeto ou instituição. O BioAvatar está a ser projetado com “capitais próprios” do CEiiA e terá um estudo associado de 250 pessoas para testar o dispositivo, refere José Rui Felizardo. O projeto envolve diferentes áreas do saber, desde fisiologistas a médicos e sem esquecer os engenheiros. P 12 Rita Neves Costa rita.n.costa@jn.pt TECNOLOGIA Num Mundo cada vez mais tecnológico importa criar inovações que sejam capazes de transformar a sociedade, sem que as liberdades individuais e coletivas sejam colocadas em causa. “somos seres analógicos”, diz José Rui Felizardo, CEO do Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), mas conscientes de que não há forma de escaparmos à nossa própria extensão digital. Para que as duas esferas analógico e digital , convivam em harmonia, o centro tem em mãos o BioAvatar, um dispositivo que permitirá ler dados biométricos, interpretá-los e in-IN 187.0 Aniversário Tecnologia e ciência , Onde queremos estar em 2030? INL Laboratório impulsiona inovação e tecnologias quânticas Investigação em Braga quer ajudar Europa a aumentar produção de semicondutores até 2030 ciar-nos e prepararmo-nos para o que aí vem, amanhã e nos dias seguintes”, assegura ao JN. O instituto sediado em Braga integra três linhas piloto do “European Chips Act”, um programa da União Europeia criado com o objetivo de desenvolver projetos de investigação e inovação no campo dos semicondutores, potenciando a produção e reduzindo a dependência externa. O objetivo do “Chips Act” é aumentar a participação europeia no mercado global de semicondutores de 8% para 20% até 2030. Uma das linhas principais, a APECS, tem como grande propósito o “desenvolvimento de tecnologias que complementem a eletrónica convencional”, fazendo-o “mais depressa e melhor”, nomeadamente através das tecnologias de encapsulamento avançado e de integração heterogénea, segundo Ricardo Ferreira. RETER TALENTO Também õno âmbito do “Chips Act”, o DINLé parceiro em projetos que visam a retenção de talento e a disponibilização de conhecimento nessa área a empresas, startups e academias, salientando-se a coordenação do centro de competências em Portugal (Poems). O INL está ainda envolvido na “plataforma de design” de semicondutores. “Todas estas iniciativas são complementares e sinergéticas”, salienta Ricardo Ferreira. AUMENTO DA PROCURA A procura crescente POr dispositivos eletrónicos e a interrupção da produção especializada durante a pandemia, particularmente visível no setor automóvel, evidenciaram a necessidade de garantir a capacidade de resposta das cadeias de produção europeias. Os semicondutores estão cada vez mais presentes no dia a dia, dos computadores à indústria automóvel, das energias renováveis aos equipamentos para a saúde. No caso do Poems, trata-se de um consórcio que junta 16 entidades do sistema científico-tecnológico, universidades e centros de investigação que pretende reforçar a produção essencialmente através do aumento da capacidade de inovação das empresas e da formação de novos profissionais. o Poems tem um horizonte temporal de quatro anos, até 2029, mas já com a perspetiva de ser possível prolongar o projeto. “Queremos fazer com que a indústria nacional seja mais inovadora e mais competitiva, posicionando Portugal a nível internacional através do nosso expertise”, resume ao JN Paula Galvão, da unidade de Negócio e Relações Estratégicas do INL, salientando as “competências-chave” relacionadas com a área do design, do packaging, dos sensores, da eletrónica flexível e da fotónica. MOBILIZAR E FORMAR Enquanto coordenador deste projeto, o INL tem, segundo Paula Galvão, um papel central na mobilização dos principais intervenientes nacionais ao longo da cadeia de valor dos semicondutores, tornando o setor “mais resiliente e competitivo”. Formação, apoio técnico e apoio a startups são três eixos fundamentais de atuação para ser possível “potenciar a capacidade de inovação” e “captar estudantes para a carreira de semicondutores”.« Ricardo Reis Costa sociedade@jn.pt NANOTECNLOGIA O Laboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologia (INL), em Braga, está muito apostado em ajudar a aumentar a produção europeia de semicondutores e contribuir para que Portugal se posicione na aplicação de tecnologias quânticas e emergentes. Segundo o líder do grupo de investigação em Spintrónica no INL, Ricardo Ferreira, este é um campo de “risco elevadíssimo” e “oportunidades muito grandes”. “Não podemos apontar para onde outrosja estão, temos de diferen-IN 187.0 Aniversário Território = Onde queremos estar em 2030? Interior Subsídios de autarquias aos jovens são insuficientes Incentivos à natalidade são o caminho. Imigração tem ajudado a travar despovoamento políticos precisam de correr riscos, facilitar a vida às pessoas, libertá-las de tanta burocracia e criar condições para que desejem viver no Interior”. A migração para os maiores centros urbanos do país é uma das causas do despovoamento de uma extensa faixa do continente, que vai de Trás-os-Montes ao Algarve, a que se soma a emigração e um número de óbitos superior ao dos nascimentos. REALIDADES DIVERSAS Lívia Madureira avisa, porém, que “o Interior não é homogéneo”, já que existe “uma faixa mais interior e uma faixa mais intermédia colada ao Litoral”, como pOr exemplo o Tâmega e Sousa, “região que tinha vitalidade demográfica há 10 ou 20 anos e que, atualmente, também já está a envelhecer”. No caso da primeira faixa há um “um envelhecimento delegado”, ou seja, “já vem de trás e não se está a acentuar”. A perda de população tem mais a ver com o “saldo natural, devido ao facto de morrer mais gente do que aquela que nasce”. Relativamente à segunda faixa, Lívia Madureira nota que o cenário é “mais preocupante”, mas “ainda pode ser revertido” através de “políticas públicas” para “aumentar a taxa de natalidade e compensar os saldos migratórios”. Há vários concelhos onde a tendência tem estado a ser invertida, em grande medida devido à chegada de muitos imigrantes. “A imigração tem feito alguma diferença”, nota a investigadora, mas “é uma coisa recente, nomeadamente desde 2021”, já que “o saldo natural tem sido sempre negativo”. Em 2024, segundo o INE, era de “menos 33 732 pessoas em Portugal”, com todas as regiões a ficarem com menos habitantes, exceto a Grande Lisboa que em 2023 e 2024 já teve saldo positivo. MELHORAR CONDIçõES A diretora do CETRAD avisa que não vale a pena ter ilusões sobre a inversão da tendência de envelhecimento do Interior, que é um problema do sul e do leste da Europa. “Temos de mudar a narrativa e aban-donar essa ideia de que vamos repovoar o Interior. Se calhar, nem há necessidade disso, o que não quer dizer que não se deva incentivar a natalidade e fazerreformas estruturais no país”. é aqui que as políticas públicas podem fazer a diferença, nomeadamente através da criação de “melhores condições de vida”. Lívia Madureira admite que “os municípios do Interior não se organizaram, embora ainda o possam fazer, para atrair mais população”. E “neste contexto de grande pressão imigratória até conseguiriam fazê-lo”. Mas “é preciso que as pessoas possam ter acesso a uma casa, emprego, serviços e condições de comodidade”. E se os territó- rios tiverem vitalidade e gente “é mais fácil atrair outras pessoas”. Na sua opinião, os subsídios que algumas autarquias dão a jovens casais para se manterem e para terem filhos “são medidas simbólicas com impacto muito reduzido”. E com as novas gerações é preciso pensar de forma diferente porque, em geral, “não se querem fixar”. Enquanto em gerações anteriores “as pessoas ficavam num sítio a vida toda, atualmente não é assim”. Lívia Madureira acentua que “as atuais condições de mobilidade, mesmo internacional, não são compatíveis com essa ideia de querer fixar pessoas”. P MAIS INTERIOR PàG 16 Eduardo Pinto locais@jn.pt DEMOGRAFIA Em 2023, as nove Comunidades Intermunicipais integralmente no Interior do país tinham quase 1,29 milhões de habitantes, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Em 2011, tinham 1,42 milhões. São menos quase 130 mil pessoas que há 13 anos. Lívia Madureira, diretora do Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento (CETRAD) da UTAD, em Vila Real, alerta para a insuficiência dos subsídios dados pelas autarquias para fixar casais õno Interior do país. Inverter a tendência não vai ser fácil, mas Lívia Madureira entende que “os Vila Real é um caso de estudo devido ao aumento da população Túnel do Marão e A4 ajudaram a mudar cenário de isolamento REPORTAGEM ~ Interior “Se as minhas filhas gostam, aqui vou ficar” Sofia Correia viveu a infância e a juventude no Porto e fez o percurso inverso a milhares de jovens: foi trabalhar para Vila Real e nunca mais de lá saiu Atualmente com 40 anos, Sofia Correia licenciou-se em Microbiologia na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica e fez o mestrado em Bioquímica na Faculdade de Ciências e no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto. Em 2010, partiu para Vila Real para fazer um estágio no Laboratório de Anatomia Patológica do hospital. “Até que percebi que não era na área da saúde que eu queria trabalhar e que queria crescer profissionalmente”. Decidiu ingressar, então, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro como bolseira de investigação: primeiro, na área da genética, e, depois, na agronómica ligada aos pequeónos frutos. Acabou por doutorar-se com uma investigação sobre a melhoria da qualidade da cereja. os passos seguintes levaram-na para a viticultura e, em 2021, foi contratada pela Sogrape para trabalhar em projetos de investigação, nomeadamente na Região Demarcada do Douro. “Adoro o meu trabalho”, confessa. SEGUNDA TERRA Apesar de viver em Vila Real com as duas filhas e ter a restante família no Porto, as saudades que às vezes sente ainda não tiveram suficiente força para a fazer pensar em deixar a cidade que a acolheu. “Não tenho família cá, mas tenho bons amigos, o que também é muito importante”, salienta, destacando que a sua segunda terra tem “tudo de que se precisa e qualidade de vida”. Sente, em Vila Real, “um acolhimento constante” pOr parte das pessoas e diz-se “satisfeita” com os serviços de saúde, elegendo-a como “ideal e fabulosa para quem quer ter crianças” Já perguntou às filhas se queriam ir para o Porto e a resposta foi que “nem pen-sar”. Resumindo: “Se elas gostam de estar aquie se eu gosto do meu trabalho aqui, é aqui que vou continuar”. Ainda pOr cima, O Porto está a menos de uma hora de distância contada em tempo de viagem de carro. Quando chegou a Vila Real, em 2010, ainda circulava pelo IP4. Desde 2016, quando abriu o Túnel do Marão, “nunca mais” passou naquele itinerário principal, pelo menos na zona da serra. “o túnel foi das melhores coisas que fizeram na região. A par da autoestrada A24. permitem estar rapidamente no Porto, em Chaves ou em Viseu”. HORA E MEIA DE VIAGEM Lembra-se de que, quando vivia no Porto, demorava “quase uma hora e meia ónos transportes entre a casa dos pais e a universidade”. Se houver algo que tenha de fazer na Invicta, rapidamente vaie vem “sem grandes problemas”. Recorda os tempos de estudante na Católica, em que teve colegas de Chaves, de Torre de Moncorvo e da Régua e “eles não regressaram às origens, ficaram óno Porto”. No ano passado, festejaram 20 anos da entrada no Ensino Superior num jantar e “foi interessante” perceberem que Sofia tinha sido a única a fazer o percurso inverso. “Eu só conhecia em Vila Real um casal amigo dos meus pais e uma prima, que dava aulas cá. Algo meu chamou”, sorri. Talvez tenha sido o que agora a prende: “o gosto pOr valorizar a região e a vida dos viticultores do Douro” IN 187.0 Aniversário Território = Onde queremos estar em 2030? POR Eduardo Pinto eduardo.pinto@ext.jn.pt Sofia Correia nasceu, cresceu e estudou no Porto e seguiu um rumo diferente ao de muitos milhares que abandonam o Interior do país para irem para cidades maiores no Litoral. Foi trabalhar para o Hospital de Vila Real, saiu para estudar ainda mais, mantém-se na cidade transmontana e trabalha na área da viticultura. Pelo menos para já, não pretende regressar à Invicta. “Em Vila Real, tenho tudo o que preciso para ter uma vida confortável”, justifica. FIXAçàO A diretora do Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento da UTAD, Lívia Madureira, diz que há uma intenção de estudar o caso de Vila Real no contexto de despovoamento do Interior. “Uma cidade interessante porque se tornou relativamente central em termos de localização, graças ao Túnel do Marão e à autoestrada A4”. E isto porque muitas pessoas trabalham lá, mas residem noutras localidades e só ficam óno concelho durante alguns dias da semana. “Médicos, professores, estudantes, funcionários públicos, entre outros... A realidade é muito mais transversal à sociedade do que parece. ê um ónovo padrão”. O presidente da câmara, Rui Santos, adianta que a perceção atual é a de que “a população está a crescer e muito”. Olha para a comparação entre os anos leti- 014e2024/2025 e destaca o facto de “a UTAD ter mais dois mil estudantes, que não são contabilizados como residentes, mas vivem nele”. Há ainda “2500 imigrantes legais, número que cresce a cada ano que passa”. E.P. IN 187.0 Aniversário Mobilidade , Onde queremos estar em 2030? Área Metropolitana “Porto do futuro terá menos automóveis” Expansão do metro e TGV vai reforçar oferta de transporte público na região Só para as ligações em projeto estão previstos mais de 1000 milhões de euros. “A expansão satisfaz. São boas opções. As pessoas de fora poderão deslocar-se ao Porto mais facilmente”, antecipa àlvaro Costa, CEO da TRENMO, empresa especializada na área da mobilidade. Noutros trilhos, os do TGV, promete-se ligar a Invicta à capital portuguesa em 1,15 horas e à Galiza (Espanha) em 50 minutos. A data apontada para a conclusão de ambos os percursos é 2032. Portanto, muitos investimentos à vista, sem esquecer a novidade do metrobus na cidade do Porto já este ano, mas que não apagam a dúvida sobre se o transporte particular, o mesmo é dizer automóvel, manterá a sua preponderância. Por isso, não espanta que os estudiosos do assunto ambicionem uma àrea Metropolitana menos saturada de carros e a respirar melhor. “A mobilidade em 2030 tem se ser cabalmente o segundo direito, a seguir ao primeiro direito da habitação. Sem ela, não há verdadeira liberdade. Espero que a cidade do Porto seja exemplo de uma mobilidade urbana sustentável, amiga do ambiente e verdadeiramente inclusi-va”, augura a especialista Paula Teles. O desejo do geógrafo e professor universitário Rio Fernandes segue igual caminho. “o problema da circulação já não se resolve com estradas, ruas e semáforos. Obriga a gerir melhor o espaço disponível, dando prioridade aos veículos que transportam mais gente. O Porto do futuro será uma cidade com menos automóveis e mais veículos de transporte coletivo (subterrâneos e à superficie) confortáveis e pontuais. E pessoas a andar a pé e de bicicleta. De preferência, de acordo com um futuro pensado, e planeado para responder ao desejo de quem habita a grande cidade (Porto, Matosinhos, Maia, Gondomar e Gaia), onde se minimizam os movimentos e se promove a acessibilidade”, diz, para o curto/médio prazo. TURISMO EM EXCESSO? Se o TGV e fortalecimento do aeroporto vão estreitar a relação com o Norte de Espanha e outros pontos do Mundo, a crescente atratividade do Porto e o turismo de massas também acarretam desafios. “Há cada vez mais hotéis e restaurantes, além de outros estabelecimentos, mas é cada vez menos possível quem aí trabalha viver na sua proximidade. o mesmo se aplica a quem estuda. Todos os dias é um vai-e-vem intenso. A estes movimentos somam-se os de quem procura serviços diversos e os outros visitantes milhões pOr ano , que de outras partes do país, da Galiza ou entrando pelo aeroporto, chegam como turistas. O Porto está a esgotar a capacidade de acolher mais gente”, alerta Rio Fernandes, reforçando a importância da rede de transportes públicos. Igualmente focada neste fenómeno, Paula Teles espera que “em 2030 o turismo já tenha migrado para outros locais da cidade do Porto, libertando o excesso na baixa”. E defende uma “maior restrição automóvel na Baixa, na área Património da Humanidadee e nalguns lugares âncora”. Para o triângulo Porto-Gaia-Gondomar, àlvaro Costa põe em cima da mesa a hipótese de se avançar com “o teleférico e as travessias fluviais” para ajudar a cidade a “respirar”. Miguel Amorim mamorim@jn.pt MOBILIDADE A expansão da rede do metro, mais o comboio de alta velocidade (TGV) e duas novas pontes sobre o rio Douro, precisamente para estes dois meios de transporte, prometem marcar o quotidiano da àrea Metropolitana do Porto Onos próximos anos. A empreitada é de monta. o metro tem seis linhas em funcionamento, duas em obra (Rosa e Rubi) e quatro em projeto: Gondomar, S. Mamede (Matosinhos), Trofa e Maia. Tudo para ficar pronto em 2030. Aeroporto Francisco Sá Carneiro continuará a crescer Novas rotas e captar mercado à Galiza sustentam otimismo AVIAçaO Entre os responsáveis nacionais, no que respeita ao potencial de crescimento do Aeroporto Francisco Sa Carneiro, a palavra de ordem é de otimismo. A evolução do número de passageiros suporta esta tendência. Novas rotas e a possibilidade de captar mercado à Galiza alicerçam a confiança. Se, em 2014, a soma anual ficava abaixo dos sete milhões de passageiIOS, até 2019 cresceu sempre a dois dígitos e, em 2024, atingiu-se um recorde, com quase 16 milhões. Hoje, õno Sá Carneiro estão 35 companhias, voando para 120 destinos. Recentemente, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, elevou ainda mais o patamar, apostando õnos “40 a 45 milhões” de passageiros POr ano. “Precisamos que seja o aeroporto de referência de todo o noroeste da Península Ibérica”, justificou. Em curso estão obras de 50 milhões de euros para reforçar a capacidade do sá Carneiro, mas que não incluem a sua ampliação, através da construção de uma segunda pista. Para alvaro Costa, CEO da TRENMO, o quadro é favorável: “o aeroporto tem que acompanhar a procura e ser pró-ativo. Terá que investir. Em Lisboa não há mais capacidade e na Galiza falta organização õno transporte aéreo. o Porto deve aproveitar essas debilidades e agarrar a oportunidade”. M.A. IN 187.0 Aniversário Mobilidade , Onde queremos estar em 2030? IN 187.0 Aniversário Natalidade , Onde queremos estar em 2030? Grávidas os desafios de criar um filho num país de incertezas Três futuras mães identificam dificuldades e partilham os medos e obstáculos sobre o futuro dos bebés Daniela Jogo daniela.jogo@jn.pt TESTEMUNHOS Maria, Ana e Liliana não se conhecem, nunca se viram, nada sabem umas das outras. Mas daqui a algumas semanas hão de partilhar a novidade de terem um novo amor nos braços, dando-lhe colo no presente e servindo-lhe de escudo no futuro. Foi sobre esse “amanhã” , OS sonhos, os medos e as inquietações que falaram ao JN. Certas de que o estado do Mundo, seja ele qual for, não se irá sobrepor ao papel da maternidade há muito desejado. Aos 25 anos, Maria Caldas vai cumprir o sonho da vida. Grávida de 34 semanas, a coordenadora de eventos sempre quis ser mãe jovem, apesar de reconhecer as dificuldades que isso representa em Portugal. “E complicado decidirmos qual é a altura perfeita, principalmente sendo jovens. Os baixos salários, a instabilidade na educaçãoe na saúde pesaram bastante”, admite. Para Ana Prata, a decisão de engravidar foi tomada com ponderação, porque não “basta querer ter filhos”. “Pesou a questão financeira, se teríamos ou não estabilidade para avançar, e também a idade, porque queríamos ser pais novos. Quanto mais tarde, mais dificuldade poderíamos ter”, conta a psicóloga de 29 anos. O tiquetaque da idade também sussurrou ao ouvido de Liliana Pinho. Chegada aos 33 anos, “começou a fazer mais sentido ser mãe”. E com receio de que engravidar fosse dificil, POr só ter um ovário, decidiu começar a tentar. No mês seguinte, tinha a filha Madalena no ventre. NO CONFORTO DO PRIVADO Visando um acompanhamento médico mais personalizado e com tempo, o recurso à saúde privada foi uma escolha das três, que têm seguros para ajudar nos custos. “As consultas são mais longas, não existe pressa para terminar, nem timings apertados, e os médicos acabam pOr conseguir gerir melhor o tempo e até os recursos”, defende Ana. Apesar de ser seguida pela médica de família, a jovem de Leça da Palmeira sentiu a necessidade de complementar o acompanhamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Uma realidade semelhanteà de Maria, que considera que há “certos confortos” que é “impossível ter óno público”. Hácuidados com o parto que só vou conseguir no hospital privado e também não quero passar pOr certas coisas, então prefiro pagar”, confessa. Já a escolha de Liliana prendeu-se mais com o “historial médico” e o facto de conhecer os profissionais “do que com as falhas no público”. Aliás, para a diretora de marketing, a experiência no SNS está a ser “ótima”. Os DESAFIOS DE EDUCAR A saúde está longe de ser a única preocupação das gestantes. Da educação às redes sociais, os desafios de criar um filho estão identificados pelos pais, hoje “mais informados”. “Preocupa-me a toxicidade das redes e o ambiente nas escolas. Ouvimos cada vez mais casos de bullying, até mais do que propriamente a falta de professores ou o tipo de educação que se dá na escola”, diz Liliana. Natural de Aveiro, mas a viver óno Porto há mais de 10 anos, acredita que a família éfundamental, porque não se pode esperar que as crianças “aprendam tudo sozinhas na escola”, nem se deve “delegar tanto a responsabilidade de as educar aos professores”. Para Ana, o caminho será usar a evolução tecnológica a favor da maternidade, sem ignorar os benefícios de brincar na rua e de contactar com a natureza: “Acho que é importante eles terem as experiências, sentirem as coisas. Isso faz diferença.” No entanto, admite, “a partir do momento em que o bebé vai para a escola, há muita coisa que deixa de ser possível perceber e isso é assustador” A CONTINUA NA PaGINA 24 IN 187.0 Aniversário Natalidade = Onde queremos estar em 2030? Instabilidade não condiciona o sonho de aumentar a família Apesar das dificuldades e dos receios, Maria, Ana e Liliana têm a ambição de ter mais filhos mínimo pode ser um teto, ainda que seja alugado, um trabalho estável e uma relação saudável. Com 31 semanas de gestação e um espírito marcadamente positivo e pragmático, a diretora de marketing não se desgasta com temas em que pode intervir, mas mostra-se apreensiva com os fatores que podem influenciar a vida da filha e sobre os quais “os pais não têm um papel ativo”, em assuntos como o clima ou a conjuntura social do país. “Preocupam-me as alterações climáticas porque se de repente tivermos uma alteração ao nível do clima, nós não vamos a tempo de fa-zer nada. Se de repente vivermos numa ditadura e se houver fatores externos a limitar a liberdade e os direitos, o meu papel fica muito limitado, e isso sim preocupa-me bastante”, admite. Porém, a consciência de que ela própria também viveu num Mundo com diferentes perigos ajuda a acalmar o coração de mãe de primeira viagem. FUTURO RISONHO Desassossegos e inquietações à parte, afelicidade de gerar uma nova vida sobrepõe-se a qualquer cenário hipotético menos positivo. Convictas de que o “momento perfeito” não existe, Maria, Ana e Liliana embarcaram na aventura da maternidade com sonhos e esperanças na bagagem. “Acho que o mais importante é poder proporcionar ao bebé experiências positivas, poder estar presente, poder vê-lo crescer numa família com amor e com condições para o ter em casa. E quando eu falo em condições não me refiIO a dinheiro, mas sim à presença, ao afeto e ao carinho”, defende a psicóloga Ana Prata. Carrega na “barriga tímida” de 20 semanas, o fruto do amor da relação de 10 anos que construiu com André, e para o benjamim da famí- lia só tem um sonho: “que ele possa viver livremente para atingir os seus objetivos”. E também em liberdade que Liliana espera que a filha Madalena possa viver. “Acredito que hoje em dia estamos mais conscientes da ideia de que é possível perdermos as liberdades conquistadas óno passado”, POr isso o grande desejo é que o “Mundo continue a avançar” e que óno futuro “ela possa contribuir para um Mundo melhor para os outros”. “Sei que ela vai ter de olhar pelo ombro muitas vezes, que vai ser posta em causa muitas vezes, que vai ter de lutar pelo papel dela no mundo do trabalho, mas espero que a sociedade lhe facilite a vida”, desabafa. Também futura mãe de uma menina, Maria não esquece o percurso sinuoso das mulheres que “já passaram pOr tanta coisa” para conquistarem os mesmos direitos dos homens, mas que agora vivem numa geração que tem “sede de fazer diferente” e “valoriza a liberdade”. “Eu quero que ela sinta que, para ser uma mulher independente, precisa de ser desenrascada, precisa de ouvir o próximo, mas também precisa de fazer as coisas com as mãozinhas delae não esperar que caiam do céu”, explica a jovem de 25 anos. MAIS FILHOS Em 2024, a natalidade em Portugal inverteu o sentido dos últimos dois anos e desceu, com uma queda de 1,4% em relação a 2023. Esta é uma tendência para a qual estas mulheres não querem contribuir: as três têm a ambição de construir uma família com mais do que um filho. “Daqui a cinco anos gostava de ter pelo menos uns três filhos, porque gostava muito de poder ter uma família grande, como aquela da qual eu venho”, confessa Ana. Já Liliana “não gostava que a Madalena fosse filha única e, portanto, gostava de ter uma família de quatro pessoas, mais os bichos”. “Quero poder dar mais segurança financeira a Malu e quero continuar com o confortoe com o amor que nós temos dentro de casa. E dando tudo certo com a Malu, mais filhos e uma vida leve”, revela Maria. Daniela Jogo daniela.jogo@jn.pt GRáVIDAS “Quem tem filhos tem cadilhos”. O ditado é antigo, mas a sabedoria popular continuaa a fazer sentido. Ser pai é uma “responsabilidade enorme” e há muitas variáveis que devem ser pesadas na balança. “Temos de pensar se temos uma casa ou não, se temos um trabalho estável ou não, óno que é que ónos falta fazer e como é que isso vai afetar os nossos planos futuros”, explica Liliana Pinho. No entanto, defende que, quando o desejo fala mais alto, “há determinadas coisas em que o mínimo é suficiente”. E O IN 187.0 Aniversário Desporto , Onde queremos estar em 2030? Os craques que podem levar a seleção à glória no Mundial luso Portugal acolherá, com Espanha e Marrocos, a maior prova da FIFA e há diamantes prontos a brilhar vável será assistir pela televisão a uma prova que a seleção lusa não deixará de abordar como uma das favoritas ao título. A cinco anos de distância, e mesmo descontando a volatilidade do desporto-rei, há craques a despontar óno futebol português que poderão chegar a essa competição numa idade ideal para brilhar a grande altura. São os casos de Rodrigo Mora, Geovany Quenda (ambos com 18 anos agora) e João Neves (20 anos), em realidades diferentes na atualidade, mas com potencial para estarem óno topo da pirâmide europeia e mundial em 2030, tal o talento que têm vindo a evidenciar dentro das quatro linhas. Transferido do Benfica para o PSG no ano passado, pOr 60 milhões de euros, Neves está a confirmar no clube da capital francesa a qualidade que mostrou nas duas épocas em que despontou no Benfica. O médio já esteve óno Euro 2024 eé um dos indiscutíveis da seleção que vai tentar a qualificação para o Mundial do próximo ano, sendo de prever que em 2030, aos 25 anos, esteja óno auge das capacidades. Geovany Quenda explodiu óno Sporting na temporada que agora está a chegar ao fim e, apesar de ainda não se ter estreado na seleção principal de Portugal (chegou a ser convocado, mas não saiu do banco), será uma questão de tempo até isso acontecer. Apesar de já ter sido contratado pelo Chelsea, por 50 milhões de euros, o extremo ainda vai jogar na próxima época em Alvalade, à procura de confirmar as qualidades que o transformam num dos 10 jogadores mais promissores da Europa com menos de 21 anos, de acordo com a lista de candidatos ao prémio Golden Boy, divulgada na semana passada. Em 2030, então com 23 anos, Quenda será decerto um quebra-cabeças para qualquer defesa. Também com 18 anos, Rodrigo Mora é o mais recente produto de luxo da formação do F. C. Porto e, nos últimos meses, atraiu as atenções dos amantes do futebol com uma série de jogadas e golos soberbos ao serviço dos dragões. Convocado para a fínal four da Liga das Nações, o atacante portista pode estar em vias de se estrear na seleção portuguesa, apenas um ano depois de ter brilhado óno Europeu de sub-17. Em 2030, muito provavelmente, Mora já não estará a jogarem Portugal, mas poderá ajudar a equipa das qui-nas a chegar muito longe no Mundial. MàO CHEIA DE ESTRELAS Na atual seleção lusa, há uma série de jogadores que em 2030 estarão no auge das carreiras. De Diogo Costa a Nuno Mendes, passando POr Gonçalo Inácio, Vitinha, Francisco Conceição ou Rafael Leão, Portugal tem talento de sobra para continuar a bater-se com as melhores equipas mundiais, sendo certo que ónos próximos cinco anos outros craques das seleções jovens chegarão ao patamar mais alto. NunoA A. Amaral nuno.a.amaral@jn.pt FUTEBOL O ano de 2025 decorre sem que a passagem de testemunho na seleção portuguesa esteja concluída, mas mesmo que aidade biológica de Cristiaóno Ronaldo aponte para os 29 anos e que o astro madeirense já tenha afirmado que, assim sendo, ainda poderá jogar mais uma década, não é de crer que em 2030 seja o avançado a liderar a equipa das quinas no Mundial que Portugal vai organizar, juntamente com Espanha e Marrocos. CR7 tera, nessa altura, 45 anos, pelo que o mais pro-JN 137.0 Aniversário Desporto , Onde queremos estar em 2030? Yamal lidera pelotão de candidatos ao trono que foi de Messi e CR7 Espanhol já é favorito à Bola de Ouro deste ano e promete estar no topo mundial em 2030. Brasil também tem estrelas de futuro com Portugal e Marrocos (Sô OS três primeiros jogos serão realizados na Argentina, Uruguai e Paraguai). O futuro do futebol mundial passará muito pelos pés de Lamine, mas há outros jogadores apontados a carreiras brilhantes. Em Espanha, Cubarsí (18 anos), Nico Williams e Pedri (ambos com 22 anos) são certezas do presente que entrarão na próxima década, enquanto do Brasil chegam novos talentos que haverão de substituir a geração atual, muito marcada pelo insucesso da seleção canarinha ônos últimos anos, que o treinador italiaôno Carlo Ancelotti, contratado há poucos dias, vai procurar reverter. A Vini Júnior, Rodrygo e Raphinha sucederão Endrick e Estevão, ambos com 18 anos sendo que o primeiro já joga ôno Real Madrid e o segundo pertence aos quadros do Chelsea, embora ainda vá jogar pelo Palmeiras até ao final do Mundial de Clubes. Em França, Mbappé é o nome maior do presente, mas há vários talentos já a fervilhar na seleção vice-campeã mundial, sendo o jovem atacante Désiré Doué (18 anos), do PSG, O mais precoce de todos, depois de se ter destacado ônos últimos meses na grande campanha realizada pela equipa parisiense na Liga dos Campeões. Barcola, Manu Koné e Rayan Cherki são outros talentos dos “bleus” a ter em conta para amadurecer até 2030, tal como os ingleses Cole Palmer e Jude Bellingham ou os alemães Florian Wirtz, Adeyemi e Jamal Musiala. Lei Wenger pode acabar com foras de jogo de centímetros Adivinham-se alterações nas regras do futebol, sobretudo no protocolo do VAR. Combater as perdas de tempo é prioridade uma parte da chuteira ou o ombro à frente (os braços não contam pois não podem ser utilizados para marcar golos), está em situação irregular. Em estudo estão, igualmente, alterações ao protocolo do VAR, relacionadas com a possibilidade de os treinadores e as equipas terem umaor mais hipóteses de pedir a revisão de lances que considerem passíveis de ser revertidos ou assinalados em sentido contrário ao do árbitro. MUDANçAS APROVADAS Para já, o IFAB definiu como prioridade o combate às perdas de tempo e ao antijogo, estando já aprovadas medidas que entrarão em vigor na próxima época. Uma das novas regras impede os guarda-redes de terem a bola nas mãos durante mais de oito segundos: caso esse tempo seja excedido, é assinalado um pontapé de canto para o adversário, sendo que até esta época o limite era de seis segundos e dava direito a um livre indireto, algo que, na prática, raramente acontecia. A regra de só o capitão de equipa poder falar com o árbitro, experimentada em 2024/25, revelou bons resultados e vai ter sequência. O Mundial de Clubes, cuja primeira edição começa daqui a duas semanas nos EUA, trará a novidade de alguns árbitros usarem câmaras corporais, depois de terem sido efetuados testes positivos noutras competições. Segundo a FIFA, o objetivo é “identificar possíveis utilizações futuras e desenvolver normas de qualidade e segurança” e também transmitir em direto pelas televisões determinados momentos dos jogos. Nuno A. Amaral nuno.a.amaral@jn.pt FIFA Mesmo que o “International Board” (IFAB), O organismo que toma as decisões sobre as regras do futebol, seja conhecido pelo conservadorismo, os próximos anos podem trazer várias mudanças nas leis do jogo. A maior revolução de todas relaciona-se com a possível criação da “Lei Wenger”, assim denominada por ter sido proposta pelo antigo treinador do Arsenal, que no fundo pretende acabar com os foras de jogo de poucos centímetros, detetados pelo videoárbitro (VAR), que anulam vários golos. Se for aprovada, a lei fará com que um fora de jogo só possa ser assinalado se o jogador atacante tiver todo o cOrpo à frente do penúltimo defensor. Neste momento, se o atacante tiver Numo A. Amaral nuno.aamaral@jn.pt FUTEBOL No plano internacional, há jovens em ascensão que daqui a cinco anos vão, com grande grau de certeza, dominar os relvados, mas nenhum tem a projeção atual de Lamine Yamal. Aos 17 anos, o extremo do Barcelona já é o maior candidato à próxima Bola de Ouro, depois de uma época que confirmou oque de bom tinha feito no Euro 2024 ao serviço da seleção espanhola. Prodígio de técnica e dotado de uma incrível capacidade de remate, Yamal será uma das grandes estrelas do Mundial do próximo ano e também do de 2030, sendo que nesse jogará em casa, pois a Espanha será um dos países organizadores da prova, em conjunto IN 187.0 Aniversário Festa e conferência , Onde queremos estar em 2030? Concerto “Vim de propósito de Coimbra para participar na festa” Leitores fizeram questão de assinalar aniversário de um jornal que dizem ser uma “marca da região” JN faz parte da cultura da cidade. ê o jornal que sempre comprei”, sublinhou Alberto Morais. Luísa Teixeira partilha dos mesmos motivos para ter rumado ao Largo do Amor de Perdição: “Há muitos anos que costumamos ler e assinar até. Vim pelo JN, pelo aniversário, é uma referência da cidade”. MúSICAS PREFERIDAS Já, no caso de Ana Batista, foi o fílho que a fez espreitar o que se estava a passar junto a Cadeia da Relação. “Viemos festejar o dia da criança e ele quis assistir ao concerto. Foi um mero aca-So. Não sabia que era o aniversário. ê o jornal que consulto quando quero saber uma notícia”, disse aquela moradora do Porto. António Estrela deslo-cou-se da Senhora da Hora, em Matosinhos, até à zona dos Clérigos, não só pelo aniversário mas também pela música. “Vi o anúncio e percebi que era uma ban-da que toca músicas dos anos 70, 80e 90. São as minhas preferidas”, referiu. Durante hora e meia, a banda The Foxy Rock colocou todos a dançar no Largo do Amor de Perdição, ao som de êxitos de rock n roll dos anos 70, 80 e 90, de ícones como Guns N Roses, Bon Jovi, Led Zeppelin e AC/DC. Um grupo que procura “homenagear e elevar o rock n roll para o lugar de apreciação e destaque que merece. Hoje, realiza-se a grande conferência JN sobre o tema “Onde queremos estar em 2030” (ler mais informação na caixa ao lado). Hermana Cruz hermana.cruz@jn.pt PORTO Alberto Morais passou o dia em Coimbra a trabalhar, mas, ainda assim, fez questão de arrepiar caminho para estar no Largo do. Amor de Perdição, no Porto, ãS 17.30 horas, para assistir ao concerto de aniversário do JN, com a banda de covers The Foxy Rock. Pelo JN, conforme foi enfatizado POr vários leitores presentes, pOr considerarem ser “uma marca da cidade e da região”. "ê um emblema da cidade do Porto. Até devia fazer mais iniciativas destas. O Retenção de talento Salários e casas são cruciais para travar fuga de jovens Tecnologia e ciência Projetos de vanguarda que estão a fazer a diferença Território Subsídios não mudam a face do Interior Mobilidade Porto do futuro terá menos carros Natalidade Criar um filho num mar de incerteza Desporto os craques que podem levar a seleção à glória mundial Visão política Marcelo Rebelo de Sousa e Luís Montenegro escrevem sobre os desafios de Portugal Páginas 2 2a30 Maria Caldas (à esquerda) e Liliana Pinho: futuras mães partilham preocupação sobre o futuro dos filhos PARIS Os adeptos do Paris Saint-Germain festejam, junto do autocarro com os jogadores e equipa técnica, a conquista da UEFA Champions League de 2025 frente ao Inter de Milão, POr 5-0, em Munique. A equipa desfilou ontem na Avenida Champs-êlysées, em Paris. Mesmo com todas as lãmpadas do Mundo a explodir de luz, a morte do jornalismo seria o apagão mais angustiante da humanidade. Só um dia a dia informado Onos permite pensar e tomar decisões SABER MAIS Remessas tendem a baixar o dinheiro enviado pelos emigrantes portugueses para Portugal (remessas) até está a aumentar, mas pode ser POr pouco tempo. Segundo João Teixeira Lopes, os jovens licenciados que emigram “querem ter melhor qualidade de vida, não passam o tempo a tentar poupar e são menos austeros em relação ao consumo”. Ou seja, “querem viajar e ter melhor casa”, em vez de pouparem para a reforma em Portugal. Língua e Erasmus ajudam Os novos destinos dos emigrantes licenciados têm, em comum, o facto de terem a língua inglesa como secundária, depois da língua nativa. Isso esbate fronteiras e reduz os receios de quem arrisca uma vida melhor. Além disso, as experiências de intercâmbio como o Erasmus também abrem a porta de países estrangeiros. LEONOR DUARTE MARTINS, 19 ANOS CURSO: LINGUAS E RELAçOES INTERNACIONAIS , FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO TOMaS GIESTEIRA, 19 ANOS CURSO: MEDICINA = ESCOLA DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DO MINHO Viatura estará apta a limitar a velocidade consoante os valores dos dados biométricos do condutor 3 SABER MAIS Mobilidade O carro BEN desenvolvido pelo CEiiA terá de ser usado conjuntamente com uma plataforma digital, numa solução de mobilidade partilhada. A pré-série será composta pOr dez carros, para testar a tecnologia. Equipa A equipa do CEiiA envolvida no projeto BEN inclui profissionais de várias áreas, nomeadamente mobilidade, soluções digitais, eletrónica e produção. Sustentabilidade A plataforma AYR, desenvolvida pelo centro de investigação, foi apresentada oficialmente em 2019. A tecnologia quantifica as emissões de carbono evitadas pOr cada pessoa e converte-os em créditos. FORçA C trabalhadores O CEiiA tem cerca de 800 trabalhadores Ono total. Desenvolve atividade em várias áreas, como a mobilidade, a aeronáutica e o espaço. BioAvatar vai poder interagir com objetos, como o carro BEN criado pelo CEiiA @ SABER MAIS Nanociência Criado em 2005, por acordo dos governos de Portugal e Espanha, O INL é um dos principais centros mundiais dedicados à nanociência. Vanguarda Desenvolve investigação de vanguarda em áreas como a nanoeletrónica, a fotónica, os materiais avançados e as tecnologias de semicondutores. Eficiência O laboratório aposta na criação de tecnologias energicamente eficientes e materiais avançados, essenciais para o futuro da mobilidade, telecomunicações e inteligência artificial. Referência O INL é uma referência em micro e nanofabricação. RECURSOS TTT O investigadores de cerca de 30 nacionalidades integram O INL e trabalham numa vasta gama de áreas científicas. Ricardo Ferreira, investigador do INL, e Paula Galvão, da unidade de Negócio e Relações Estratégicas Envelhecimento é uma realidade que caracteriza muitos concelhos do Interior eã! Em foco milhões habitavam, em 2023, nove comunidades intermunicipais (CIM) do Interior. Em 2011 eram 1,42 milhões. mil Viseu estava quase a baixar esta fasquia em 2021, mas até 2023 ganhou 1800 habitantes. e) moradores as Barrancos, no Alentejo, contava, em 2023, com 1430 moradores. Alcoutim, no interior algarvio, com 2413. mil de perda CIM de Beiras e Serra da Estrela ficou com menos 26 964 residentes entre 2011 e 2023. INDICADOR TIT Subida do emprego Entre 2013 e 2024, o número de empregados inscritos subiu de 13 mil para 20 mil (+46%). Sofia trocou a saúde pela investigação na área da viticultura “Espero, uma rede de transportes públicos reforçada, com maior frequência e melhores interfaces, para que a transição do carro para modos mais sustentáveis seja natural” “o Porto do futuro, como as cidades do Centro e do Norte da Europa do presente, terá menos automóveis e mais veículos de transporte coletiVO. E pessoas a andar a pé e de bicicleta” “o TGV vai resultar numa alteração gigante. Vai aliviar a rede convencional. Representará um ganho de capacidade e de especialização. Os estudos apontam para uma procura elevada” O metro tem duas linhas em obra e quatro em projeto Álvaro Costa CEO da TRENMO Paula Teles Especialista em mobilidade urbana Rio Fernandes Geógrafo/Prof. da Universidade do Porto Maria Caldas, a viver em Gaia, sempre quis ser mãe Ana Prata está grávida de 20 semanas Aos 33 anos, Liliana Pinho entrou na maternidade Medos e inquietações à parte, mães sonham em poder criar os filhos num ambiente saudável JOàO NEVES IDADE: 20 ANOS POSIçàO: MeDIO CLUBE: PSG RODRIGO MORA IDADE: 18 ANOS POSIçàO: AVANçADO CLUBE: F. C. PORTO GEOVANY QUENDA IDADE: 18 ANOS POSIçàO: EXTREMO CLUBE: SPORTING ENDRICK CLUBE: REAL MADRID IDADE: 18 ANOS POSIçãO: AVANçADO LAMINE YAMAL CLUBE: BARCELONA IDADE: 17 ANOS POSIçãO: EXTREMO DESIRE DOUE CLUBE: PSG IDADE: 19 ANOS POSIçãO: EXTREMO Alteração pode contribuir para a redução de erros dos árbitros assistentes Largo do Amor de Perdição, no Porto, acolheu banda de música rock que toca êxitos das décadas 70, 80 e 90 Concerto da banda Foxy Rock animou a tarde CONFERêNCIA Debater o futuro aos 137 anos de idade O Porto Business School será palco, hoje, da conferência que assinala os I37 anos do “Jornal de Notícias” e onde estará em debate a forma como a criatividade e a inovação podem ser motores da mudança. Susana Romana, guionista e humorista, Francisco Porto Fernandes, presidente da FAP, Débora Campos, fundadora e CEO da AgroGfIN Tech, e António Relvas, diretor de Inovação da Tekever, serão os intervenientes. o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, encerra o debate. Delfim Machado