HÍBRIDOS!
2025-06-06 21:04:42

Nos últimos anos, os meus amigos, conhecidos, vizinhos, leitores, eleitores, fãs, groupies e “público em geral” insistiam na constante, mas justa, inquirição: “E o elétrico tal , é bom?” Agora, graças ao “Muskismo” (corrente doutrinária que mistura: nazismo com uma variação da esquizofrenia designada como Elonência e/ou Elonismo ), todos os caminhos de quem me pede “consultoria” vão antes dar aos híbridos e ao dilema: “PHEV ou sem cabos?”. E.. muitas linhas poderiam por aqui, agora, ser gastas sobre o quão, fortemente, imaginamos e acreditamos que o futuro imediato será alicerçado nesta solução de duplo coração, sendo que neste momento que vivemos são sempre razoáveis as deambulações sobre qual o modo perfeito e o melhor caminho da eletrificação democrática, mas... na verdade, por aqui, e hoje, não vou falar sobre o que penso, o que já sei, ou que penso que já sei, sobre este assunto. Não. Hoje queria mesmo era partilhar aqui algo que me intriga e até faz espécie. Aliás, algo que me... amorcega. Algo de que não gosto e que não obstante andar eu por aqui, há mais de 20 anos, a ensaiar os híbridos todos, ainda hoje me deixa inquietante e a pensar sempre: “Então mas porquê?? Então mas ninguém do marketing automobilizante e automobilizado põe cobro nisto? Será que é porque agora já está e assim fica prá eternidade? Para todo o sempre?” E refiro-me a quê? Refiro-me justamente à... designação “Híbrido”. Se há 30 anos, e para se fazer propaganda, e se poder ser óbvio, era um termo acertado, agora que já tudo, e todos, estamos cientes do que se trata e o que é, devíamos arranjar outro apelido para estes modelos. Até... porque já ninguém pára para pensar nisto, e nem é preciso refletir sobre “qué isto d híbrido?”, imaginando-se que para uma enorme parte da clientela já é óbvio que existem automóveis que utilizam dois tipos de motores e energia, trazendo um motor a combustão e um motor elétrico. Aliás, é algo de já tão divulgado, que logo muitas marcas aproveitaram a fama da palavra para até a colarem na tampa da bagageira de versões mais simples e “baratuchas” de carros que.. não são híbridos mas... equipam o truque dos 48 volts para no pós start-stop moverem as rodas do chão com a mini eletricidade de um pequeno motor de ímanes. E já agora, tal legenda na porta traseira destes carros (não híbridos) é que gera uma enorme confusão entre os menos interessados ou mais vulneráveis enquanto fregueses de stands, sendo uma publicidade enganosa, e enganadora. Por exemplo, nos Estados Unidos já se ditou a “sanção” e imposição de que algumas marcas tirassem a palavra “Hybrid” da traseira de carros que de facto... São (mas é, mas é) apenas a combustão. é que nos Estados Unidos.. não se brinca, e se a comum “dona de casa”, que já sabe muito bem o que é um híbrido, compra um carro novo que diz “Hybrid”, certa de que é mesmo “um daqueles” e depois este não só não é, como gasta mais gasolina do que o seu carro anterior... dá-se um momento de “Carmo e Trindade”, traduzido num episódio de “O Juíz Decide” ou “A Sentença” à grande e à americana. Mas, VA, não é por este motivo dos “híbridos ligeiros” que advogo a mudança da palavra e enquadramento “noutra semântica” qualquer. é sim porque.. eu cresci a ouvir, e sentir, o termo “híbrido” para seres menos... puros, menos direitos na linhagem, na sua essência e nobreza da existência. Aliás, se pesquisarmos o conteúdo da palavra no telemóvel, a inteligência artificial logo nos envia o nome “jumento", e... ninguém quer um carro que apesar de tido como state of the art” vem com um cognome que o remete a “asno"! Ninguém quer uma espécie de burro da criação do Mundo Automóvel, ainda por cima tal é extremamente injusto, porque os mais recentes híbridos são do mais esperto que há e, no fundo, dão 20 a o aos carros inteiramente elétricos, sendo por isso comprados por seres inteligentes, clientela que... não se deixa enfeitiçar pela cantiga fiscal e pelo temor de confrontação com a divina sapiência do vizinho tuga que diz: “é que... ainda por cima depois qualquer dia já não há benesses prós EV, pá, e depois choras porque não foste buscar o teu Tesla por tuta e meia! Tu vê lá isso oh Cájó, não deixes de ter um carro pra impressionar a Pituxa, pá!” Para mim o termo “híbrido", mal por mal, deveria ser empregue quando nos referimos a carrões como os visíveis nestas fotos, que são meio clássicos, meio modernos. Meio do passado, meio do futuro. Meio reais, meio apenas virtuais, vindos da cabeça do Homem, mas pela inteligência artificial. Concluindo, como me ensinou a mim, e aos meus amigos, a Dona Dalila, no colégio Baloiço (na Reboleira), exemplo de híbrido é a Mula! E apesar de ser um animal que sempre deu muito jeito para transportar bens e pessoas, por forte e barato.. a verdade é que ninguém quer ter um carro que mesmo sendo um muito bom automóvel, seja epitetado de... mula. // 18 CRõNICA “HIBRIDOS” POR: JOâO SANTOS MATOS João Santos Matos