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TRUMP AMEAÇA CANCELAR CONTRATOS DE EMPRESAS DE MUSK APÓS TROCA DE ACUSAÇÕES E OFENSAS

Público Online

2025-06-06 21:06:03

Guerra aberta entre Presidente dos EUA e ex-aliado. Trump "muito desiludido" com Musk após críticas a proposta orçamental. Multimilionário acusa republicano de envolvimento no caso Epstein. É agora público e indisfarçável o conflito entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o homem mais rico do mundo, Elon Musk, uma semana depois de o multimilionário ter-se afastado da Casa Branca com críticas à proposta orçamental do Governo que está em discussão no Congresso em Washington, mas na altura amenizadas com elogios mútuos na hora da despedida. Esta quinta-feira, contudo, Trump declarou-se "muito desiludido" com o antigo aliado e este respondeu agressivamente na rede social X, chamando "ingrato" ao republicano, recordando o seu papel nas presidenciais de 2024, e chegando mesmo a associar o Presidente ao escândalo de abusos sexuais de Jeffrey Epstein. Mais tarde, o chefe de Estado sugeriu que poderá cancelar contratos às empresas de Musk. "Sem mim, Trump teria perdido as eleições, os democratas controlariam a Câmara dos Representantes e os republicanos ficariam 51-49" no Senado, escreveu Musk no X. O empresário, dono daquela rede social, da Tesla e da SpaceX, entre outras companhias, foi o maior financiador da campanha presidencial de Trump, chegando a distribuir dinheiro a eleitores no decisivo estado da Pensilvânia, e transformou o X, adquirido em 2022, num megafone digital ao serviço da direita norte-americana. "Quanta ingratidão", acrescentou. Momentos antes, e questionado pelos jornalistas na Sala Oval da Casa Branca durante a visita do chanceler alemão, Friedrich Merz, a Washington, Trump criticou duramente o antigo aliado pela sua oposição pública à proposta orçamental republicana. "O Elon conhecia os pormenores desta lei, melhor do que quase qualquer pessoa aqui sentada. Ele sabia tudo. Ele não tinha nenhum problema com ela. De repente, tinha um problema, e só passou a ter esse problema quando descobriu que íamos cortar os incentivos aos veículos eléctricos, porque são milhares e milhares de milhões de dólares", acusou Trump, aludindo aos interesses de Musk, dono da Tesla, no sector da mobilidade eléctrica. "Estou muito desiludido com o Elon. Eu ajudei muito o Elon", disse o Presidente norte-americano. "O Elon e eu tínhamos uma grande relação. Não sei se vamos continuar a ter", admitiu. Mais tarde, através da rede social do republicano, a Truth Social, Trump disse que foi ele a afastar Musk da Casa Branca, e ameaçou cancelar os contratos do Governo com as empresas do multimilionário: "A forma mais fácil de poupar dinheiro no nosso orçamento, milhares de milhões de dólares, é cancelar os subsídios e contratos governamentais do Elon. Sempre surpreendeu que o Biden não tenha feito!" Só em 2024, ainda com o democrata na presidência norte-americana, foram atribuídos contratos públicos no valor de mais de três mil milhões de dólares às empresas de Musk, sobretudo à SpaceX. Mais tarde, Musk voltou à carga no X, acusando Trump de constar dos "ficheiros Epstein", referindo-se à investigação à rede de abuso de menores liderada por Jeffrey Epstein, um influente banqueiro nova-iorquino detido em 2019 e encontrado enforcado na sua cela um mês depois. A acompanhar a extraordinária troca de acusações e ofensas entre Musk e Trump, o preço das acções da Tesla chegou a estar a cair mais de 16% durante o dia. Uma abominação repugnante Esta semana, Musk descreveu a proposta orçamental republicana como uma "abominação repugnante" e renovou as críticas feitas no final de Maio, quando sublinhou que o previsto aumento da despesa pública irá aumentar o défice norte-americano e anular o efeito dos cortes na administração federal executados ao longo dos últimos meses pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), que incluíram o despedimento de dezenas de milhares de funcionários públicos e o esvaziamento de várias agências e organismos estatais, como o Departamento de Educação, a USAID ou o Gabinete de Protecção do Consumidor de Produtos Financeiros. A previsão de um aumento do défice por via de uma subida considerável da despesa, sobretudo na defesa e segurança, em conjunto com reduções de impostos para os norte-americanos mais ricos e cortes significativos no seguro de saúde público Medicaid, parte do gabinete de estudos orçamentais do Congresso e tem sido assinalada pelo Partido Democrata, que indica que até 15 milhões de norte-americanos possam vir a perder cobertura de saúde com a aprovação da proposta republicana. Alguns republicanos têm também expressado críticas ao diploma, que já foi aprovado pela câmara baixa do Congresso (a Câmara dos Representantes), segue agora para o Senado e carece de uma aprovação final conjunta. Os críticos republicanos dividem-se entre os que expressam preocupação pelos cortes na saúde e serviços públicos, receando o impacto eleitoral das medidas (todos os congressistas e um terço dos senadores têm o seu lugar em disputa nas intercalares de 2026), e aqueles que, pelo contrário, exigem uma redução mais agressiva da despesa pública. No X, Musk incentiva agora os republicanos a rejeitar o diploma, sem detalhar a natureza da sua oposição. Esta quinta-feira, porém, foi mais longe. Partilhou uma mensagem de outro utilizador a sugerir o impeachment de Trump e perguntou aos seus milhões de seguidores na plataforma: "Será altura de criar um novo partido político na América que represente realmente os 80% do centro?" E deixou um aviso: "Trump tem mais três anos e meio como Presidente, mas eu estarei por aqui mais de 40 anos." Do outro lado da barricada, ameaças de calibre semelhante: ao New York Times, Steve Bannon, antigo estratega de Trump, defendeu a abertura de uma investigação ao processo de imigração de Musk, nascido na África do Sul, e a sua eventual deportação. tp.ocilbup@orierreug.ordep Pedro Guerreiro