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TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO - PORTUGAL TECNOLÓGICO SURPREENDE O MUNDO

Portugal Global

2025-06-06 21:06:17

Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica (TIC) Portugal, um centro tecnológico global Em plena transição digital global, Portugal tem vindo a afirmar-se como um dos principais destinos tecnológicos da Europa. No coração desta transformação estão as empresas de Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica (TIC) e a robusta rede de Centros de Serviços Partilhados (CSP) que, em conjunto, posicionam o país como um centro de inovação e competitividade internacional. O volume de negócios da Fileira TIC atingiu no ano passado os 25 mil milhões de euros. E, nos últimos cinco anos, as exportações de bens deste setor aumentaram, em média, 12,7 por cento ao ano, um crescimento que foi ainda superior na área dos serviços (16,8 por cento). Maria Cândida Lobo gestora da Fileira das Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica (TICE) da AICEP As tecnologias de informação e comunicação são dos setores mais dinâmicos da economia portuguesa.com mais de 34 mil empresas, desde startups tecnológicas a multinacionais consolidadas, esta fileira integra áreas como software, telecomunicações, cibersegurança, inteligência artificial, internet das coisas (IoT), cloud computing, semicondutores e dispositivos eletrónicos. Em 2024, o setor representou mais de 25 mil milhões de euros em volume de negócios e empregou mais de 196 mil profissionais qualificados. O dinamismo do setor reflete-se nas exportações: os serviços de TIC representam já mais de 8 por cento das exportações portuguesas de serviços, com forte presença nos mercados da Europa, América do Norte e África lusófona, mas com grande tendência para a diversificação para outros mercados, nomeadamente Ásia e América Latina. Já as exportações de bens deste setor têm aumentado, nos último cinco anos, a um ritmo médio anual de 12,7 por cento, de 3.574 milhões em 2020 para 5.768 milhões de euros em 2024. Alemanha e Espanha são o destino de mais de metade dessas exportações de bens na área das TIC, e logo depois surgem, na lista de principais clientes, a França, a Suécia, os Estados Unidos e o Reino Unido. Mas há outros destinos que, não sendo tão expressivos no que diz respeito ao volume das exportações, têm registado uma taxa média de crescimento anual muito acentuada, como é o caso da Chéquia (108,8 por cento), de Marrocos (52,8 por cento), da Bélgica (39,1 por cento) ou da China (31,4 por cento). Quanto ao comércio de serviços na área das TIC, verifica-se que, desde 2020 até 2024, a taxa média de crescimento anual das exportações de serviços relacionados com as telecomunicações, informática ou outras tecnologias de informação é de 16,9 por cento. De 2.528 milhões de euros em 2020, estas exportações passaram para 4.698 milhões em 2024, segundo dados do Banco de Portugal. Os serviços informáticos representam a esmagadora maioria dos serviços prestados (91 por cento), e uma vez mais a Alemanha surge como o principal cliente (21,2 por cento dos serviços de TIC prestados em 2024), desta vez seguida de França (11,9 por cento). A maior taxa média anual de crescimento foi, no entanto, registada pela Irlanda (51,7 por cento). Crescimento sustentado na digitalização e no talento O crescimento do setor das TIC é sustentado por uma forte aposta na digitalização de processos produtivos, investimento em investigação e desenvolvimento (I&D), e pela criação de redes colaborativas entre empresas, centros de saber e instituições públicas. Iniciativas como os Digital Innovation Hubs e os Test Beds têm promovido a transferência de conhecimento e acelerado a experimentação tecnológica, criando um ambiente fértil para soluções inovadoras com escala global. Lisboa e Porto surgem hoje como dois centros tecnológicos de referência, atraindo investimento internacional e talento qualificado. Empresas como Google, Amazon Web Services, Microsoft, Cisco, Revolut, entre muitas outras, têm apostado na instalação de centros de engenharia e inovação em Portugal. Estas cidades oferecem um equilíbrio entre qualidade de vida, custos operacionais competitivos, acesso a talento e infraestruturas digitais robustas. Mas o fenómeno vai além dos grandes centros urbanos. Cidades como Braga, Aveiro, Coimbra e Évora têm consolidado os seus próprios ecossistemas de inovação tecnológica, frequentemente ancorados em universidades e centros de investigação. O surgimento de polos tecnológicos regionais tem contribuído para uma maior coesão territorial e para a criação de oportunidades fora das áreas metropolitanas tradicionais. Para além disso, um dos principais ativos de Portugal no setor das TIC é o seu capital humano. As universidades por tuguesas formam anualmente milhares de engenheiros informáticos, cientistas de dados e especialistas em cibersegurança e inteligência artificial. A qualidade da formação técnica, aliada ao domínio de línguas estrangeiras e a uma cultura de adaptabilidade, torna os profissionais portugueses altamente competitivos no contexto internacional. Também têm surgido várias academias de código, bootcamps e programas de requalifica-ção digital, muitos dos quais desenvolvidos em parceria com empresas. Estes esforços contribuem para mitigar a escassez global de talento tecnológico e garantir uma resposta mais ágil às necessidades do mercado. Sustentabilidade e digitalização: duas agendas convergentes O setor das TIC em Portugal tem também assumido um papel relevante na transição verde. As empresas tecnológicas estão a desenvolver soluções digitais que promovem a sustentabilidade, desde a eficiência energética nas cidades inteligentes até à monitorização ambiental através de sensores e plataformas analíticas. A convergência entre a agenda digital e a agenda climática é hoje uma oportunidade estratégica. Tecnologias como a inteligência artificial, a blockchain ou a computação em nuvem podem ser poderosos aliados na gestão eficiente de recursos, na transparência das cadeias de valor e na promoção de modelos de negócio circulares. O ecossistema tecnológico português combina empresas, universidades, centros de I&D, incubadoras, venture capital e políticas públicas integradas. Programas como o Portugal 2030, clusters TICE.PT, INCoDe.2030, Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) ou Horizonte Europa têm sido determinantes para promover a inovação e apoiar a internacionalização das empresas de TIC, em especial das PME. Os mercados externos continuam a representar uma parte significativa da estratégia de crescimento das tecnológicas portuguesas, que competem hoje nos principais mercados globais com produtos e serviços de elevado valor acrescentado. Além disso, Portugal é cada vez mais palco de eventos internacionais de tecnologia e empreendedorismo, como a Web Summit. Estes eventos criam visibilidade para os projetos portugueses e favorecem a criação de redes internacionais de colaboração. À medida que o mundo entra numa nova era marcada pela inteligência artificial generativa, computação avançada e sustentabilidade digital, Portugal surge como um país com diversas vantagens competitivas. Mas a aposta continuada na qualificação de talento, na digitalização da economia e na internacionalização das empresas TIC serão essenciais para garantir que Portugal continua na linha da frente. As TIC não são apenas motores da transformação digital em Portugal – são a chave para a construção de um novo modelo económico baseado na inovação, no conhecimento e na colaboração global. Apesar dos progressos significativos, o setor das TIC em Portugal enfrenta também desafios. A escassez de talento especializado, a necessidade de reforçar a proteção da propriedade intelectual, o aumento da resiliência cibernética e a adaptação a novas regulamentações europeias são temas estratégicos para o futuro. No entanto, estes desafios representam também oportunidades. O impulso da inteligência artificial, o crescimento da computação quântica, o desenvolvimento do edge computing e a evolução das redes 6G são áreas emergentes em que Portugal tem condições para assumir um papel relevante, se continuar a investir na capacitação, na inovação e na cooperação internacional. O setor das TIC, pela sua transversalidade e dinamismo, será central nesta trajetória em que Portugal procura assumir um papel de destaque num futuro digital competitivo, sustentável e globalmente conectado.