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RECESSÃO, SUBSÍDIOS E EPSTEIN: TRUMP E MUSK EM GUERRA ABERTA

Renascença Online

2025-06-06 21:06:19

Críticas, ameaças públicas e até uma cápsula espacial em jogo: Elon Musk e Donald Trump já não são amigos. O bilionário acusou o Presidente dos EUA de corrupção e ingratidão. Trump respondeu com insultos e promessas de cortes. No epicentro, um orçamento, muitos subsídios e um nome inesperado: Epstein. Era uma questão de tempo até Elon Musk e Donald Trump se desentenderem - mas ninguém pensou que a relação entre o homem (factualmente) mais rico do mundo e o homem (possivelmente) mais poderoso do mundo implodisse tão rapidamente e diante dos olhos do mundo. Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui. Foi ainda na segunda-feira que Musk deixou de ser conselheiro de Donald Trump para a redução da despesa pública. Mas, volvidas nem 72 horas, os dois estão já em guerra aberta nas redes sociais. Musk foi o primeiro a acusar o fim da relação de amizade. Na terça-feira, lançou duras críticas à proposta orçamental republicana que Trump procura aprovar no Congresso. Disse tratar-se de uma "abominação nojenta, escandalosa e cheia de favores" - palavras duras que Trump ignorou em grande medida. Esta quinta-feira, todavia, as críticas e acusações foram já mútuas e de um nível diferente. Disputa sobre subsídios O pacote orçamental republicano elimina créditos fiscais de 7.500 dólares (cerca de 6.925 euros) para a compra de veículos elétricos da Tesla, corta subsídios a fábricas de baterias e encerra apoios à instalação de postos de carregamento. Apesar disso, mantém apoios à indústria dos combustíveis fósseis. Musk manifestou-se em tom crítico e irónico: "Mantenham os cortes aos incentivos para veículos elétricos e energia solar na lei, mesmo que nenhum subsídio ao petróleo e gás tenha sido tocado (muito injusto!!), mas eliminem a MONTANHA DE FAVORES REPUGNANTES neste orçamento." Trump reagiu afirmando que seria melhor cortar os apoios públicos às empresas de Musk: "A forma mais fácil de poupar dinheiro no nosso orçamento - milhares de milhões de dólares - é terminar os subsídios e contratos governamentais do Elon. Sempre me surpreendeu que o Biden não o tenha feito!" Ao que Musk ripostou, aumentando o drama: "As tarifas de Trump vão causar uma recessão na segunda metade deste ano." Acusações de ingratidão e mentira Além da questão orçamental, Musk acusou Trump de desonestidade e ingratidão pelo seu papel nas eleições: "Sem mim, Trump teria perdido a eleição. Os democratas controlariam a Câmara e os republicanos teriam 51-49 no Senado." Trump desvalorizou o papel de Musk e afirmou que o empresário só se voltou contra o orçamento quando percebeu os efeitos negativos sobre os seus negócios. Musk contestou: "Falso, este projecto de lei nunca me foi mostrado uma única vez e foi aprovado na calada da noite tão rapidamente que quase ninguém no Congresso o conseguiu ler!" Mais tarde, Trump afirmou que Musk "enlouqueceu" por ter perdido os incentivos que beneficiavam os seus produtos: "O Elon estava a desgastar-se, pedi-lhe que saísse, retirei-lhe o Mandato dos Veículos Eléctricos que obrigava toda a gente a comprar carros elétricos que ninguém queria (e ele sabia há meses que eu ia fazê-lo!), e ele simplesmente ENLOUQUECEU!" Em resposta, Musk anunciou o fim da cooperação com o Governo dos EUA através da SpaceX: "Face à declaração do Presidente sobre o cancelamento dos meus contratos governamentais, a SpaceX começará imediatamente a desactivar a sua nave Dragon." A cápsula Dragon é atualmente o principal veículo de transporte de astronautas e mantimentos da NASA para a Estação Espacial Internacional. Referências ao caso Epstein Musk foi ainda mais longe. Insinuou que Trump poderia estar envolvido no caso Jeffrey Epstein, sugerindo que documentos comprometedores estariam a ser escondidos: "Está na altura de largar a verdadeira bomba. Trump está nos ficheiros Epstein. É por isso que nunca os tornaram públicos." E acrescentou: "A verdade virá ao de cima." A referência ao caso reacendeu teorias da conspiração sobre a suposta proteção de figuras públicas ligadas a Epstein, falecido em prisão preventiva em 2019. E, como se o dia não estivesse já caótico, quem aparece? Kanye West. Num tom mais conciliador, o músico apelou publicamente ao fim do confronto entre os dois: "Manos, por favor, não! Amamos-vos tanto aos dois", acompanhando a mensagem com um emoji de abraço. Fábio Monteiro