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SERÁ QUE A CHINA PODERÁ VIR A PRODUZIR CARROS ELÉTRICOS EM PORTUGAL?

Expresso Online

2025-06-06 21:06:30

A hipótese foi admitida esta semana pelo embaixador da China em Portugal, embora sem ter entrado em pormenores. O Governo não confirma nada e a filial da BYD em Portugal também não assume Zhao Bentang, um ilustre desconhecido para a esmagadora maioria da população portuguesa, veio esta semana agitar as águas ao revelar, num evento promovido pela CNN dedicado ao futuro do sector automóvel, que Portugal poderá ser palco de investimentos chineses de "grande escala" por parte de algumas empresas do sector. Bentang, de 61 anos, embaixador da China em Portugal, não se alongou em pormenores, mas deixou algumas pistas, como a de que a já conhecida marca de carros elétricos BYD, entre outras, estaria a ponderar investir em Portugal. O Expresso tentou confirmar junto da representação da BYD em Portugal se tal cenário estaria a ser considerado, mas a única resposta foi de que isso, neste momento, "não está em cima da mesa" e de que não há nenhuma informação oficial que aponte nesse sentido. Também o Ministério de Economia, questionado sobre o assunto, não confirmou nada sobre eventuais investimentos chineses no sector automóvel. Até à hora do fecho desta edição não obtivemos nenhuma confirmação. Já em setembro de 2024, numa entrevista ao Expresso, Stela Li, vice-presidente executiva da BYD, quando confrontada com essa possibilidade, limitou-se a esboçar um largo sorriso e a dizer que, para já, para abastecer o mercado europeu a marca iria passar a contar com a fábrica em fase final de construção na Hungria, uma unidade que ficará capacitada para produzir até 150 mil carros elétricos por ano, sendo que esse número poderá duplicar caso isso se justifique. Além desta unidade industrial, a gigante automóvel BYD, que já ultrapassou a Tesla em vendas na Europa em abril, está também a investir mil milhões de euros numa fábrica na Turquia e já chegou a veicular a intenção de poder vir a ter um terceiro centro de produção, mas na Alemanha, embora ainda esteja em fase embrionária. O megainvestimento de EUR2 mil milhões numa fábrica de baterias em Sines, recentemente anunciado pela chinesa CALB, poderá ter um efeito indutor na atração de outros projetos na fileira automóvel, mas por enquanto não há nada de concreto sobre eventuais fábricas de automóveis, além das declarações de Zhao Bentang, esta semana, em Lisboa. A Autoeuropa, em Palmela, e a Stellantis, em Mangualde, continuam a ser as maiores unidades industriais deste sector no país. Vítor Andrade Coordenador de Economia Vítor Andrade