MUSK REGRESSA PARA TIRAR A TESLA DO MODO PILOTO AUTOMÁTICO
2025-06-06 21:06:43

Ida para a Casa Branca afastou Musk da Tesla. Agora regressa a casa, mas irá a tempo? Menos de meio ano depois, Elon Musk deixa a Casa Branca e Donald Trump para se dedicar a 100% às suas empresas, como a Tesla, numa altura em que a fabricante de veículos elétricos perde quota de mercado para as rivais chinesas e em vésperas de importantes lançamentos que podem voltar a dar gás à sua cotação em Bolsa. A saída de Musk do departamento de eficiência do Estado norte-americano (DOGE) foi “música para os ouvidos dos acionistas da Tesla”, segundo uma nota técnica difundida pelo analista Dan Ives, da casa de análise financeira Wedbush. Depois de ter sido criticado por alguns dos maiores acionistas, o regresso do empresário está a ser visto pelo mercado como positivo, com as ações a dispararem 7% no dia em que o próprio anunciou no x (antigo Twitter) o regresso: “De volta a passar 24 horas por dia, sete dias por semana no trabalho e a adormir em salas de conferências/servidores/fábricas.” No arranque deste ano, a ligação de Musk a Donald Trump mas também o apoio ao partido de extrema-direita alemão AFD foi nefasta para a empresa, sobretudo na Europa, com várias campanhas anti- -Tesla a yropagarem-se A juntar a isto, a concorrência mais barata das marcas chinesas provocaram um tombo nas vendas de carros. Até ao final do ano passado, a empresa liderava as vendas de veículos elétricos na Europa, mas em abril de 2025 foi ultrapassada por um total de dez marcas, incluindo a Volkswagen (que está a recuperar algum atraso neste segmento), a BMW, a Renault e a chinesa BYD, de acordo com a empresa de base de dados do sector Jato Dynamics. Os números de maio ainda não foram conhecidos, mas de acordo com as estatísticas da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), as vendas caíram 52,6% em abril e 46,1% no acumulado do ano, em termos homólogos. Segundo alguns analistas do sector, a expansão de empresas como a BYD evidenciou a gama considerada “envelhecida” da marca Tesla, sem renovação. No primeiro trimestre deste ano, os resultados dececionaram os analistas, quejá tinham revisto em baixa os números. o lucro líquido afundou 71% para os 409 milhões de dólares (o equivalente a EUR375 milhões) ea receita caiu 9%, com menos 13% de veículos entregues e uma queda da margem de lucro. Mesmo com uma redução de preços, a empresa vendeu menos. Um regresso tardio? Resta perceber agora se este regresso de Musk à Tesla vem ainda a tempo de curar a ferida deixada em aberto no primeiro semestre. Dan Ives está bastante otimista com o futuro da empresa. Na nota enviada às redações, admite os danos causados pela ligação de Musk a Trump, mas acredita que “esses dias ficaram para trás”. “Estamos agora a assistir aum Musk novamente empenhado em liderar a Tesla como CEO, rumo a um futuro centrado na autonomia e na robótica, com os seus dias na Casa Branca oficialmente encerrados.” A Tesla estará prestes a estrear o seul “robotáxi” em Austin, no estado norte-americanc do Texas, segundo a Bloomberg, que diz que a estreia deverá ser ainda este mês, tal como a empresa tinha anunciado. A frota inicial destes carros sem nenhum humano ao volante será composta por dez veículos Model y, mas a ideia da empresa é substituí--los pelo Cybercab, um modelo que não tem nem volante nem pedais, que deverá começar a ser construído em larga escala apenas a partir de 2026. A ideia foi apresentada pela Tesla no evento do mês passado, em Los Angeles, tendo anunciado que será possível pedir um “robotáxi” no futuro, ao estilo Uber. Ives estima que esta ligação entre os carros autónomos e a inteligência artificial pode trazer uma oportunidade para a Tesla avaliada em 1 bilião de dólares (o equivalente a EUR920 mil milhões). “Acreditamos plenamente que estas iniciativas serão agora aceleradas, uma vez que a complexa teia regulatória federal que Musk & Companhia enfrentaram nos últimos anos em torno da condução autónoma será ultrapassada.” A Wedbush estima que, dentro de 12 meses, a cotação da Tesla será de 500 dólares, o que representa uma subida de 46% face ao preço atual das ações, à altura do fecho desta edição. No entanto, há analistas em Wall Street bem mais pessimistas. E O caso de Gordon Johnson, da GLJ Research, que escreveu numa nota que “a ideia de que ele está agora focado na Tesla, e por isso as vendas vão recuperar, é um completo disparate”. Recorda que a quebra das vendas dos carros começou ainda antes da campanha eleitoral para as presidenciais norte-americanas, quando Musk começou a permitir o regresso de perfis assumidamente nazis ao x (e de ter passado a divulgar as suas posições alinhadas com a extrema-direita. “os danos que ele causou são 100% irreversíveis”, afirmou. Apesar de ter sido Musk a anunciar o seu afastamento da Casa Branca, a relação com Trump deteriorou-se nos últimos meses. O empresário de 53 anos passou a tecer algumas críticas ao republicano, sobretudo na questão das tarifas e, dentro da administração, começaram a surgir vários anticorpos a Musk, devido à sua dependência de drogas. O “The New York Times” revelou na semana passada uma investigação sobre o aumento do uso de drogas, explicando que Musk tomava cetamina com muita frequência, supostamente para combater um episódio de depressão conhecida pelos seus efeitos alucinogénios , mas também terá ingerido MDMA (ecstasy) e cogumelos psicadélicos. O “Times” dizia que Musk tomava cerca de 20 comprimidos por dia. Com VÍTOR ANDRADE Em abril, a Tesla foi ultrapassada por um total de dez marcas de veículos elétricos na Europa, onde chegou a ser líder Vendas da Tesla na Europa caíram quase 50% no início do ano. BYD, BMW, Renault eVW entre as marcas que tomaram a dianteira GONÇALO ALMEIDA