pressmedia logo

PARA PAULO PORTAS, MUSK "ESTÁ A PROVAR DA MEDICINA" QUE DEU AOS OUTROS

CNN Portugal Online

2025-06-08 21:05:05

Ainda segundo Portas, na espaço de análise e comentário "Global", no Jornal Nacional, a troca de "ameaças, grosserias e insinuações" entre o Presidente dos EUA e o patrão da Tesla "era mais que previsível". Sobretudo porque Musk "tem um coeficiente emocional muito baixo" Não é uma "zanga". "Zanga é uma expressão diplomática; isto é um combate de boxe - sem luvas. Houve ameaças, grosserias, insinuações: foi muito feio", analisa Paulo Portas, para quem, apesar de tudo, o conflito entre Donald Trump e Elon Musk "era previsível e estava escrito nas estrelas". A fagulha que espoletou o confronto partiu até de Musk. Ou melhor: de três coisas que Musk defende (e que o enriqueceram) "e que são contrárias ao que Trump defende". A saber, enumera Paulo Portas: "A primeira é que o orçamento de Trump retira os incentivos aos carros elétricos. A segunda é que há um conflito tarifário entre a América e a China e ele [Musk] produz 43% dos Tesla na China - e tem o segundo maior mercado para estes carros também na China. E, finalmente, porque ele é um exportador e toda a política económica de Trump é isolacionista". Para Paulo Portas, Musk, "que tem um coeficiente de inteligência altíssimo e um coeficiente emocional muito baixo", já sabia o que Trump defendia. "E favoreceu-o. E validou-o. Sobretudo atrás do X. Agora, Musk está a provar da medicina que quis aplicar aos outros", considera. Esta ruptura entre Trump e Musk é mais do que só isso: é a ruptura de uma das parcelas do MAGA. "O Make America Great Again tinha republicanos clássicos, tinha nacionalistas, tinha racistas, tinha integristas, tinha libertários e tinha, depois, os chamados inovadores - e não era só Musk. Os últimos deram a Trump um carimbo de inovação que a cabeça dele e a idade dele não tinham. Nesse sentido, foram para os mais novos um detonador de voto. E agora há uma parte dessa coligação que cai", considera Paulo Portas. Quanto a quem é que tem a ganhar e quem é que tem a perder neste conflito entre o líder da nação mais poderosa do planeta e o homem mais rico do mundo, Paulo Portas separa entre curto e médio prazo - e atribui diferentes vencedores e vencidos. "No curto prazo, quem tem a perder é Elon Musk. Como se viu, aliás, pela cotação das ações, pela pressão nas empresas e porque Donald Trump é que tem a caneta do poder - e ameaçou-o [Musk] de forma bastante explícita, nomeadamente com retirada de contratos. No médio prazo quem pode ter a perder mais é Trump, que tem eleições parlamentares daqui por um ano. Elon Musk é vingativo e já disse que ia apoiar candidatos contra Trump - e a maioria na Câmara dos Representantes é muito pequena", conclui Paulo Portas. Paulo Portas Paulo Portas