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SERÁ QUE TEMOS UMA BALA DE PRATA?

Revista O Instalador

2025-06-08 21:06:01

Depois de uma descida de 16% (devido à COVID-19) das emissões do setor dos transportes no ano de 2020, a curva das emissões recuperou paulatinamente à boleia do crescimento económico e, em 2023, foram emitidas 18.068 toneladas de CO2 neste setor, um valor já superior ao de 2019. Embora a proporcionalidade entre a atividade económica e as emissões do setor seja hoje menor, o desacoplamentocontinualongedeseverifci ar uma tendência incompatível com as metas nacionais de redução de emissões de 2030 e 2050. Nas últimas duas décadas, a redução das emissões em Portugal vista como um sucesso deve-se em grande parte ao sistema electroprodutor e à penetração de energias renováveis que, em 2024, foi de 70%. Embora esta evolução nos deixe a todos orgulhosos, traz desafoi s como a ocorrência mais frequente de períodos de excesso de produção de energia solar e eólica. Esta situação leva a preços perto ou abaixo de 0EUR/MWh, criando, no mínimo, um problema para os produtores de energias renováveis que procuram vender a energia produzida à rede e, no máximo, desequilíbrios na rede com consequências imprevisíveis. Este problema tem vindo a ser mitigado pela capacidade de armazenamento de algumas barragens nacionais, que absorvem energia durante o pico de produção solar e a disponibilizam nos picos de consumo, ao fim do dia. Está previsto um aumento desta capacidade, mas até lá são necessárias outras soluções para garantir a maximização da utilização da energia renovável disponível. Aqui, estados como o Texas ou a Califórnia líderes na integração de baterias na rede mostram que estas podem ser uma solução viável. Algo já reconhecido pelo Estado português, que vai apoiar com 100 milhões a instalação de baterias para a rede elétrica. Neste caminho de utilização de baterias para equilíbrio da rede, há uma oportunidade que não devemos deixar escapar. As baterias dos automóveis 100% elétricos podem contribuir de forma importante para este equilíbrio, permitindo, em simultâneo, que mais pessoas e empresas embarquem na transição energética. Para podermos aproveitar este potencial, será necessária uma atuação determinada em, pelo menos, três vetores: legislação, infraestrutura e inovação nos serviços. A revisão do regulamento da mobilidade elétrica poderá abrir oportunidades para fomentar estes serviços. A própria AFIR (Regulamento da Infraestrutura para os Combustíveis Alternativos) formaliza a fgi ura de Prestadores de Serviços de Mobilidade . Na infraestrutura, a transposição da EPBD (Diretiva do Desempenho Energético dos Edifícios) irá impulsionar a disponibilização de infraestrutura de carregamento inteligente e bidirecional. Estas ações permitirão desenvolver e testar produtos e serviços inovadores para empresas e utilizadores de veículos elétricos, garantindo um maior retorno para estes utilizadores pela sua escolha. Não temos uma bala de prata, mas temos uma bala de lítio. Fomentando a adoção de viaturas elétricas, a disponibilização de infraestrutura inteligente e serviços de fel xibilização atrativos para o utilizador, podemos ter nas baterias dos veículos elétricos uma solução para que as emissões dos transportes iniciem uma tendência descendente, ao passo que a rede elétrica se torna mais verde e resiliente. n Hélder Rodrigues, Coordenador da área de Mobilidade na Direção de Sustentabilidade e Mobilidade na ADENE As baterias dos automóveis 100% elétricos podem contribuir para que mais pessoas e empresas embarquem na transição energética. Hélder Rodrigues