RISE FROM THE DEAD
2025-06-09 21:04:28

Elon Musk, por maior que seja esta zanga com o homem mais poderoso do mundo, continua a ser o mais rico do planeta. Trump já terá passado e Musk continuará por aí a inventar negócios. Elon Musk, por maior que seja esta zanga com o homem mais poderoso do mundo, continua a ser o mais rico do planeta. Trump já terá passado e Musk continuará por aí a inventar negócios. Com ou sem ketamina e afins, continua a liderar a Tesla e a queda de 15% nas ações da empresa fez-me ouvir as sirenes que anunciam oportunidade. Tempo para revisitar uma empresa que, desde o seu IPO em 29 de junho de 2010, já valorizou mais de 25.000%. A Tesla está a acelerar no desenvolvimento do Full Self-Driving (FSD), um sistema de condução autónoma que, na sua versão mais recente (v12), utiliza redes neurais avançadas para navegar em ambientes urbanos complexos. O plano é transformar o FSD num serviço de subscrição global. Com uma taxa de adoção de 70%, analistas estimam que o FSD pode gerar cerca de 5,5 mil milhões de euros por ano até 2027. Na China, o Bank of America prevê um contributo adicional de 2,1 mil milhões de euros/ano até 2030. Embora estes valores representem apenas 6% da faturação atual da Tesla (cerca de 90 mil milhões de euros em 2024), o seu carácter recorrente, previsível e altamente escalável torna este modelo de negócio uma aposta estratégica. Paralelamente, o projeto de robô-táxis - baseado neste FSD - deverá arrancar ainda em 2025, com o modelo Cybercab, um veículo totalmente autónomo concebido para funcionar como serviço de transporte à semelhança da Uber, mas sem condutor. Caso obtenha aprovação regulatória e adesão do mercado, este serviço poderá gerar receitas entre 18 mil milhões e 92 mil milhões de euros por ano, com margens de lucro elevadíssimas, devido à sua automação integral. E poderá reposicionar a Tesla como líder global na mobilidade como serviço. Para reforçar a sua posição no competitivo mercado de veículos elétricos, a Tesla prepara também o lançamento do Model Q, um automóvel mais acessível, previsto também para 2025. Com um preço estimado de cerca de 25 mil euros (após incentivos fiscais), será uma resposta direta à concorrência de marcas chinesas como a BYD, que já oferece modelos por menos de 10.000 dólares na China. O Model Q será produzido com uma nova plataforma e tecnologias de fundição e montagem altamente eficientes, permitindo reduzir significativamente os custos de fabrico. Convém também notar que o afastamento político e pessoal entre Musk e Trump tenderá a levantar a fatwa que os consumidores ocidentais mais liberais e amigos da democracia lançaram sobre os veículos da Tesla, como forma de punirem o empresário pela sua prestação alucinada à frente do DOGE. Cada vez que Musk renegar Trump, serão mais uns quantos Tesla que se vendem na hora... Fora do setor automóvel, a Tesla tem vindo a reforçar o seu negócio de energia, com destaque para o Megapack, um sistema de armazenamento de grande escala. Em 2024, este segmento gerou cerca de 9,2 mil milhões de euros, com um crescimento de 67% e margens superiores a 26%. O Megapack é essencial para estabilizar redes elétricas com fontes renováveis e substituir centrais fósseis. A Tesla já expandiu fábricas dedicadas na Califórnia e em Xangai, prevendo que este negócio se torne um dos mais rentáveis da empresa. E por trás de tudo isto está o Dojo, o supercomputador da Tesla, concebido para treinar os sistemas de inteligência artificial da empresa. Alimentado por chips desenhados internamente, o Dojo processa dados visuais de milhões de quilómetros percorridos pelos veículos Tesla. A Morgan Stanley estima que o Dojo poderá acrescentar até 460 mil milhões de euros ao valor de mercado da Tesla, ao permitir o licenciamento de IA e a expansão para novos domínios, como o robô humanoide Optimus. As projeções para o futuro da Tesla parecem variar tanto como o humor de Musk. Há estimativas que preveem receitas da Tesla a triplicar até 2030, ultrapassando os 270 mil milhões de euros, com as ações a superar os 920 euros. No entanto, analistas mais cautelosos alertam que parte do valor atual da empresa está assente em promessas ainda não concretizadas e que a crescente concorrência e obstáculos regulatórios poderão travar parte desse crescimento. De qualquer forma, a Tesla parece reinventar-se, deixando de ser apenas uma fabricante de automóveis para se tornar um gigante tecnológica centrada em mobilidade, suportada por enormes desenvolvimentos nas suas áreas de inteligência artificial, energia e serviços digitais. Antes de nos preparamos para o funeral de Musk, talvez este seja a oportunidade de voltar a contar com ele para engrossar as nossas carteiras. TIP: Circle Internet Group Empresa de tecnologia financeira fundada em 2013, emite a stablecoin USD Coin (USDC), a segunda maior do mundo, com cerca de 60 mil milhões de dólares em circulação. Na última quinta-feira, a Circle realizou o seu IPO na Bolsa de Nova Iorque sob o ticker CRCL, vendendo 34 milhões de ações a 31 dólares cada, arrecadando aproximadamente 1,1 mil milhões de dólares. No primeiro dia de negociação, as ações dispararam 168%, encerrando a 83,23 dólares, o que conferiu à empresa uma capitalização de mercado de cerca de 19 mil milhões de dólares. As perspetivas futuras são promissoras, com planos de expansão global e um papel crescente na infraestrutura de pagamentos digitais, beneficiando do aumento da adoção de stablecoins e de um ambiente regulatório mais favorável. É esperar que a fervura dos primeiros dias acalme e entrar (apenas para investidores com forte apetite por risco elevado). Uncle Joe não existe, é uma personagem de ficção. Todos os disparates que aqui leram não são recomendações de investimento e não devem ser considerados como tal. Não tentem fazer em casa as habilidades perigosas aqui referidas. Ninguém fica rico por trabalhar muito. Ou não. Uncle Joe Uncle Joe