EDITORIAL - TRANSIÇÃO ENERGÉTICA GERA ALERTAS SOBRE IMPACTO ECONÓMICO E ESTRATÉGICO
2025-06-11 21:06:27

Especialistas alertam para riscos de uma eletrificação imposta sem considerar impacto social, industrial e estratégico. Amedida que se aproxima o prazo imposto pela União Europeia para o fim dos motores de combustão até 2035, a indústria automóvel enfrenta uma crescente pressão para acelerar a descarbonização. Embora a meta da neutralidade carbónica seja essencial, os especialistas alertam para os riscos de uma transição imposta exclusivamente pela eletrificação. A preocupação é que a mudança, se feita de forma apressada, possa gerar efeitos negativos tanto para a indústria como para a sociedade. Entre as principais questões estão o elevado custo dos veículos elétricos, que permanecem inacessíveis para muitos consumidores, principalmente os de menor poder aquisitivo. A falta de infraestruturas de carregamento é outro grande obstáculo, dificultando a adoção generalizada dos veículos elétricos. Além disso, é criticada a imposição de uma unica tecnologia , a eletrificação , defendendo-se a consideração de alternativas, como os veículos hõbridos e os combustíveis sintéticos, que poderiam complementar a transição. A União Europeia admite a possibilidade de considerar os combustíveis sintéticos como uma exceção à proibição, mas a sua viabilidade em larga escala continua incerta. Embora possam desempenhar um papel complementar, não se espera que alterem a predominância dos veículos elétricos. Além disso, a crescente competitividade da China no setor dos veículos elétricos, especialmente devido ao seu domínio sobre a cadeia de fornecimento de baterias, preocupa a indústria europeia. Sem uma abordagem equilibrada, que tenha em conta as metas ambientais e as realidades económicas, a Europa corre o risco de perder competitividade e de depender tecnologicamente de outros países. O debate aponta para a necessidade de uma transição mais estratégica, que permita a inovação tecnológica sem prejudicar a competitividade industrial e que ofereça soluções sustentáveis e viáveis para todos OS consumidores. EDUARDO CARVALHO