NA MARGEM DO RIO ÁGUEDA - ÁGUEDA INAUGURA CENTRO INTERPRETATIVO QUE CONVIDA A MERGULHAR NA RIQUEZA DOS SEUS RIOS
2025-06-12 21:03:13

O novo Centro de Interpretação do Rio, um equipamento inovador que alia ciência, cultura e educação ambiental, foi inaugurado, no dia 6 de junho, na margem esquerda do rio Águeda. A cerimónia contou com a presença de responsáveis autárquicos e parceiros do projeto, marcando o ponto final de um longo processo de requalificação e o início de uma nova vida para um edifício que esteve mais de duas décadas ao abandono. O Centro de Interpretação do Rio assume-se como um espaço de sensibilização e valorização dos ecossistemas de água doce, promovendo o conhecimento da biodiversidade fluvial e o papel dos rios no equilíbrio ambiental e cultural da região. Instalado num edifício construído para ser o centro de canoagem da cidade , nunca chegou a ser utilizado para esse fim devido a problemas relacionados com a posse dos terrenos ,, o equipamento, cuja área total é de 4.443 m2, representa um investimento superior a 470 mil euros, cofinanciado pelo Centro 2020 e pelo projeto europeu LIFE. “Este belo edifício já foi um edifício muito feio, degradado, abandonado e completamente virado de costas para o rio”, lembrou Edson Santos. “Hoje está de frente para o nosso rio, criando uma ligação essencial entre a cidade e o seu território natural”, sublinhou o vice-presidente da câmara de Águeda, revelando que, no futuro, o espaço será integrado num parque da cidade, com uma ponte pedonal para facilitar a circulação de peões e ciclistas. Com dois pisos, o centro inclui uma Sala Expositiva com cinco aquários, onde é possível observar sete espécies autóctones de peixes de água doce (barbo, ruivaco, truta, enguia, verdemã e escalo) e três espécies invasoras (góbio, perca-sol e gambúsia), “usadas para alertar para os impactos da introdução de animais não-nativos nos ecossistemas”, explicou Beatriz Mendes, bióloga municipal responsável pela ambientação dos peixes aos novos espaços, uma ação que contou com o apoio do fluviário de Mora. O percurso expositivo é ondulado, em alusão ao movimento da água, e está estruturado em quatro áreas temáticas , a Bacia Hidrográfica do Rio Vouga, a História e Cultura do Rio, as Espécies e Habitats e as Artes de Pesca ,, sendo complementado com equipamentos multimédia, lúdicos e educativos. A zona de exposição inclui, igualmente, texturas interativas que imitam seixos, escamas ou pele de anfíbios, depoimentos em áudio e vídeo com memórias de quem vive junto ao rio, experiências científicas como medir o pH da água ou observar amostras ao microscópio. Ainda no piso superior, encontra-se a Sala Imersiva , a ser concluída numa fase posterior , onde os visitantes podem “mergulhar” numa viagem sobre os rios do concelho e da região, observando a sua fauna e flora em movimento. Já no piso inferior, ficam os balneários - para apoio à realização de atividades náuticas no rio, como canoagem e passeios de gaivota - e uma zona de jardim que serve de acesso às piscinas que são criadas no rio durante o verão. Devolver o rio à cidade Para Filipe de Almeida, presidente da Assembleia Municipal de Águeda, esta inauguração representa um “orgulho coletivo”. “Estamos a dotar o concelho de mais uma valência de enorme qualidade. Este centro permite-nos desfrutar e interpretar tudo o que diz respeito aos nossos rios e à nossa natureza”, vincou. O novo centro, agora finalmente ao serviço da co-munidade, representa também uma vitória sobre o tempo e sobre as dificuldades. Nas palavras de Pedro Raposo de Almeida, diretor do MARE , Centro de Ciências do Mar e do Ambiente ,, na Universidade de Évora, e coordenador do projeto LIFE, este equipamento devolve o rio à cidade e os seus habitats à vida: “As intervenções vão além deste equipamento cultural. Devolvemos a Águeda 34 quilómetros de rio livre de obstáculos, em que os animais conseguem fluir livremente. É uma mudança de mentalidade e uma aposta num futuro mais sustentável.” Ao longo dos últimos anos, a autarquia aguedense tem vindo a implementar uma estratégia ambiental estruturada, que inclui percursos pedestres, zonas verdes, hotéis para inse-tos e ações de sensibilização ambiental em escolas. Para Jorge Almeida, presidente da câmara, a abertura deste novo equipamento é mais um marco importante na estratégia municipal de aproximação entre a cidade e os seus rios. “Temos vindo a virar Águeda para o rio, a criar uma vivência mais rica com este recurso natural que atravessa o nosso território”, explicou, destacando a aposta continuada na renaturalização fluvial. Foi, aliás, com esse propósito que Águeda avançou com a recuperação de várias linhas de água, substituindo muros e canalizações por leitos mais naturais, como aconteceu no caso do rio Viade, em Aguieira. “Tínhamos um rio emparedado entre muros que acabou por ruir. Percebemos que era a oportunidade certa para libertar o rio, devolver-lhe o espaço natural e renaturalizar a sua envolvente. Resultado? O local ficou mais bonito e as cheias habituais deixaram de ocorrer”. Vencedor do Prémio Smart Cities António Almeida Henriques, na categoria de Reabilitação Urbana, Sustentável e Inteligente, o novo Centro de Interpretação do Rio, em Águeda, está agora aberto ao público, pronto para acolher visitantes, escolas e curiosos que queiram aprender mais sobre os rios que moldam a identidade da região. Afonso Ré Lau Afonso Ré Lau