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AUTONOMIAS SUPERIORES A 500 QUILÓMETROS E TEMPOS DE CARREGAMENTO INFERIORES A 15 MINUTOS SÃO JÁ FREQUENTES

Jornal de Leiria

2025-06-12 21:03:13

Pedro Faria, presidente do Conselho Directivo da UVE - Associação de Veículos Eléctricos, desvenda mitos sobre veículos elétricos, destacando o avanço tecnológico em autonomia e carregamento. Portugal impulsiona a transição, mas precisa reforçar incentivos a particulares e mercadorias jacinto.duro@jornaldeleiria.pt Quais são os receios em específco que ainda afastam o público da mobilidade eléctrica? E têm um fundamento real? Continuam a existir alguns mitos que precisam de ser esclarecidos. Quase todos fruto de muita desinformação que é passada e de relatos de uma realidade inicial da mobilidade eléctrica que já não existe. O que pesa mais para a troca de paradigma de mobilidade? O argumento ambiental ou o económico? Portugal é um dos oito países no mundo onde a adopção do veículo eléctrico já se encontra numa fase de “mainstream”. Há nove meses consecutivos que a quota de mercado dos veículos ligeiros de passageiros 100% eléctricos, se encontra acima dos 20%. Isto signifca que há uma grande diversidade de factores para a transição energética da mobilidade, no entanto, o factor económico continua a ser determinante. Portugal conseguiu criar um conjunto de detalhes que, todos somados, potenciam a transição energética, de uma forma particularmente relevante naquilo que são as frotas das empresas. Perfil Fã da mobilidade eléctrica Pedro Faria é um dos fundadores da UVE - Associação de Veículos Eléctricos e exerce actualmente o cargo de presidente do Conselho Directivo. É o coordenador do maior evento de mobilidade eléctrica em Portugal, o Encontro Nacional de Veículos Eléctricos (ENVE). Em 2008, como não havia veículos elétricos à venda em Portugal, converteu um Ford Probe de 1994 para 100% eléctrico tendo sido esta a sua primeira experiência com a mobilidade eléctrica. Em veículo 100% eléctrico, já viajou de Portugal até ao Cabo Norte, na Noruega, até às portas do Deserto do Saara, em Marrocos, junto às Dunas de Tinfou, alcançou o topo norte da Escócia (John O Groats) e, no sul da Europa, percorreu o caminho até à Calabria, na Itália, e Atenas, na Grécia. Considera-se um “entusiasta da mobilidade eléctrica para um futuro sustentável com cidades onde se respire um ar mais limpo”. É defensor da electrifcação e descarbonização da economia e da redução das emissões de gases tóxicos. A autonomia e o tempo de carregamento continuam a ser o maior bloqueio na adopção dos veículos eléctricos e electrifcados? Os maiores bloqueios continuam a ser os mitos criados em torno destes temas e, naturalmente, a resistência à mudança que existe dentro do ser humano. Actualmente, existem opções no mercado que resolvem 99,9% dos casos de utilização, mesmo para uso intensivo. Autonomias superiores a 500 quilómetros e tempos de carregamento inferiores a 15 minutos , com recarregamentos de 80% da carga da bateria -, são já frequentes nos veículos disponíveis no mercado neste momento. Daqui a cinco anos, acredita que ainda assistiremos a esta discussão sobre as vantagens e desvantagens dos eléctricos, em relação aos veículos com motor térmico? A discussão existirá durante algum tempo, por diversos motivos, alguns deles não relacionados directamente com a capacidade das diferentes tecnologias. As desvantagens do veículo eléctrico face aos motores térmicos são cada vez menores e tudo leva a crer que autonomias em torno dos mil quilómetros e carregamentos em cinco minutos estarão disponíveis dentro de cinco anos ou até em menos tempo. É fundamental continuar um processo de passar a informação às pessoas, essa é a principal missão da UVE - Associação de Utilizadores de Veículos Eléctricos e vai manter-se durante alguns anos, muito provavelmente, para lá de mais uma década. A forte concorrência, em especial das recém-chegadas marcas chinesas, vai acelerar o processo a nível mundial? Essa é uma realidade que já esta presente. O desenvolvimento dos veículos chineses força o avanço da tecnologia. Temos novas funcionalidades, temos tecnologias inovadoras e diferenciadas, que apenas estão disponíveis nos veículos eléctricos, asseguram uma transição energética muito mais rápida. Além disso, a concorrência impele uma redução dos custos, mas também infuencia muito a diferenciação e a melhoria dos produtos disponibilizados no mercado automóvel. Nos veículos eléctricos, esta realidade tem estado muito presente e deverá marcar os próximos anos. Uma das ideias que tem contribuído, junto do público, para a lentidão na adopção destes veículos, é o mito de que as baterias se degradam facilmente e não se consegue dar um novo fm a estes componentes. De que formas podem ser recicladas ou reutilizadas as baterias de um eléctrico? Actualmente a reciclagem dos componentes das baterias de veículos eléctricos, numa primeira fase, é feita pelo reaproveitamento das baterias para sistemas estacionários de armazenamento de energia [por exemplo, baterias para o lar, para utilização com painéis solares, para alimentação do consumo doméstico]. O número de aplicações desenvolvidas para este fm supera em muito a oferta existente destas baterias de segunda vida. Os dados iniciais indicavam um período útil de vida das baterias nos veículos eléctricos muito inferior ao que se constata na aplicação prática real. Sendo que o mesmo sucede com as baterias neste segundo estágio da sua vida, onde tudo indica teremos muito perto do dobro do tempo de vida útil, que seria previsível nos primeiros estudos. Desta forma é expectável termos um uso efetivo das baterias bastante superior a 30 anos, nestas duas fases. No capítulo da reciclagem fnal são ainda poucos os casos práticos de escala, mas tudo indica que teremos um reaproveitamento superior a 97% dos materiais. Que medidas ou incentivos gostaria de ver aplicadas para acelerar a transição para os VE? Têm sido testadas soluções fscais, de estacionamento, de acesso a zonas urbanas, entre outras O nosso modelo de incentivos, em Portugal, está muito centrado na transição energética das empresas. É preciso reforçar o incentivo aos particulares, que actualmente são baixos em valor e em número de apoios. Por exemplo, um incentivo para particulares de dedução de 50% do IVA para veículos até determinado custo pode impulsionar ainda mais a transição energética. No sector das mercadorias, Portugal encontra-se atrasado por comparação com outros países europeus e é necessário um esforço suplementar. Nos pesados de passageiros, conseguimos forçar uma transição com números muito interessantes e com um sucesso considerável, com programas de apoio que cobrem a diferença de valor entre o veículo térmico e o 100% eléctrico. Acredito que é urgente pensar em algo semelhante para os pesados de mercadorias. O recentemente publicado Plano de Acção da Comissão Europeia prevê a possibilidade de um desconto signifcativo nas portagens para estes veículos, o que é uma medida que pode impulsionarsignifcativamenteatran-sição energética neste sector. Na perspectiva de presidente da UVE, qual é a mensagem mais importante que gostaria de transmitir aos portugueses sobre os veículos eléctricos? É importante obter conhecimento vá- lido. Os consumidores devem procurar informação actual e fdedigna, visitem o site da UVE onde tentamos proporcionar todas as ferramentas para a vossa viagem de transição. Não tenham receios, procurem um concessionário automóvel e façam um test-drive e, se possível, um ensaio de maior duração, para perceberem a dinâmica que podem criar com esta nova forma de mobilidade. É normal que haja um período de adaptação e com algumas difculdades iniciais, que podem ser diminuídas com uma preparação préviaebuscadeinformaçãofdedigna. Autonomias em torno dos mil quilómetros e carregamentos em cinco minutos estarão disponíveis dentro de cinco anos Segundo a UVE, a adopção de eléctricos em Portugal entrou em “velocidade de cruzeiro” Jacinto Silva Duro