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PORTUGAL SMART CITIES DECORRE EM LISBOA COM FORTE PRESENÇA DE AUTARQUIAS

Security Magazine Online

2025-06-12 21:05:38

A Fundação AIP promoveu a 11.ª edição do Portugal Smart Cities Summit, o maior evento nacional dedicado ao futuro das cidades, que decorre de 3 a 5 de Junho na FIL - Parque das Nações. Durante três dias, foi o ponto de encontro dos principais protagonistas da transformação urbana, com destaque para municípios, empresas, universidades, startups e diversas entidades públicas. Esta edição foi organizada em quatro áreas temáticas: LIVING (qualidade de vida e bem-estar territorial), MOVE (mobilidade e logística inteligentes), ECO (sustentabilidade e ambiente) e CONNECT (tecnologia e inteligência urbana e territorial), bastante diferente da edição do ano passado. Destacou-se a realização de um ciclo de conferências, que se realizaram em simultâneo em dois auditórios distintos, e os Cafés Temáticos - debates informais com especialistas sobre temas do sector. A Security Magazine, media partner do evento, assistiu às sessões organizadas pela APSEI que tiveram lugar na manhã do primeiro dia. Na primeira mesa-redonda, moderada por Paulo Ramos, focada na gestão inteligente da manutenção de sistemas de protecção contra incêndios em cidades inteligentes, Pedro Machado, da NOS, destacou que os tópicos das conversas continuam a ser sobre o que não existe e não sobre o que já existe. "Parece que nada avança e as cidades não avançam porque estamos sempre neste problema". O responsável considera que a IA, IoT, entre outras, "não são disruptivas porque são novas mas pelo impacto muito grande que podem trazer às cidades". Segundo destacou é importante discutir a forma de como se pode aumentar a escala e expandir esses sistemas que já estão disponíveis. Joaquim Frazão, do LNEC, salientou que quando se fala de protecção contra incêndios é preciso ter em conta a questão das vidas humanas, o que leva a que exista a alguma retracção nesse investimento. No entanto, sublinhou que não existem dúvidas de que as novas tecnologias, como a IoT e a IA, permitirão um muito maior campo de decisão e qualidade nessas áreas. "Podemos ter sensores num edifício associados a extintores e esses dão informação para o sistema central sobre o estado da pressão ou temperatura, por exemplo. A vistoria, em vez de ser feita de forma manual, pode ser feita digitalmente, em tempo real", disse. O mesmo pode verificar-se num hospital onde os sensores IoT permitem uma visão centralizada de todo o estado do edifício a qualquer instante. Estas tecnologias "facilitam as auditorias e permitem ter, ao longo do tempo, um historial sobre o comportamento e estado desse edifício" Cidade de Loulé apostou em tecnologias Durante a conferência, Pedro Machado abordou a solução implementada no município de Loulé que recorre a tecnologia térmica para melhorar a identificação do foco de incêndio; a tecnologia óptica que permite acompanhar melhor a evolução do incêndio; e a tecnologia espectrométrica que permite eliminar falsos positivos e, em conjunto com a IA, perceber a evolução do incêndio e recomendar como as forças de emergência se devem posicionar. O município algarvio procurou olhar para as diferentes tecnologias, combiná-las e optar por uma melhor opção possível. Além disso, Pedro Machado destacou que foram procuradas sinergias. O município considerava, inicialmente, implementar torres com câmaras e tecnologias ao longo da serra. No entanto, acabou por optar por instalar a tecnologia nas torres de comunicações da NOS, tornando a implementação mais rápida e barata. "É esse mindset que deveremos ter, ou seja, aproveitar sinergias com infra-estruturas que já existem, em vez de investirmos em infra-estruturas novas". Ao longo da mesa-redonda foi destaca a importância da anonimização dos dados quando implementada este tipo de tecnologias, a privacidade, governance e a responsabilidade de uma decisão feita com base na IA. Sobre a questão da responsabilidade, Pedro Machado alertou que esse é um problema de estratégia nacional, a qual "até hoje parece que não existe no nosso país". Como apontou, a relação entre quem é que tem a responsabilidade e como as autoridades se articulam "carece de uma estratégia nacional". Sobre o tema da privacidade, disse que, neste caso, "muitas vezes exageramos no problema e preocupação, quando não temos motivo para isso. (...) Existem vários mecanismos de mitigação desses problemas, sendo que o tema da privacidade não é um problema nesta área. Mais do que regulação falta uma estratégia e incentivos para essa estratégia". Relativamente à comunicação e protocolos entre as várias entidades, Fernando Santos, da Origami, esclareceu que esse é um desafio mas uma oportunidade, nomeadamente no que concerne à uniformização de protocolos, intermediação de protocolos e criação de uma arquitectura única. "Há uma tendência por parte do fabricante para haver uma uniformização, como acontece com o vídeo (Onvif), e os restantes equipamentos irão lá chegar. Nos últimos anos, surgiram vários protocolos a uniformizarem-se, nomeadamente protocolos abertos, que permitem a integração. Os fabricantes já perceberem que não conseguem fazer tudo sozinhos e têm de falar com os outros, ou seja, não podem ser uma ilha, mas sim uma árvore na floresta. Esse é um problema do dia-a-dia, mas não é um grande problema e é facilmente resolvido". Crises são oportunidades Pedro Machado referiu que "não podemos ligar os activos críticos da sociedade a tecnologias que não são seguras e esperar que quando há algum problema o 5G esteja lá para resolver. (...) A certo nível, ainda bem que aconteceu um apagão e foi algo controlado, pois obriga-nos a pensar no tema de forma mais estrutural, no que diz respeito à importância de infra-estruturas, electricidade, comunicações, entre outros, e à sua resiliência". Vídeo Inteligente e a Mobilidade Urbana A segunda mesa-redonda focou-se no vídeo inteligente e na mobilidade urbana. Durante a sessão, David Pereira, do departamento de operações da PSP, destacou que a tecnologia está muito à frente das polícias e da legislação. Como referiu é importante haver um equilíbrio entre as limitações, especialmente em estados autoritários, e a tecnologia utilizada. A IA vem para ficar e leva-nos para as questões da videovigilância e segurança e mobilidade. "A PSP entende que a utilização de videovigilância é extremamente importante. O balanço entre o que é a liberdade e a segurança nunca deve ser posto em causa. As pessoas não podem é querer ter toda essa liberdade e não ter segurança, ou seja, pensarem que as polícias estão a vigiar tudo aquilo que fazem. Não é assim, nós queremos saber o que temos de saber para ajudarmos na criminalidade, mobilidade e Safety". Em termos de projectos onde foi utilizada tecnologia, o responsável destacou que as tecnologias podem ser usadas no controlo de fronteiras, gestão portuária, investigação criminal, entre outros. Em termos da utilização da videovigilância destacou a operação a maior operação de segurança em Portugal, com a vinda do Papa, em 2023. "Se não fosse a utilização das câmaras a IP, e as câmaras instaladas pela PSP e outras no município, seguramente que as autoridades teriam muito mais dificuldade em fazer a gestão da mobilidade urbana", recordou. "A videovigilância funcionou não só para o tráfego como para a mobilidade urbana" e salientou a excelente organização do evento. Ricardo Pereira, da Axis, destacou o projecto nos túneis, com a introdução de câmaras que fazem a gestão automática de incidentes e alertam os operadores para a tomada de decisão. Além disso, destacou também as câmaras instaladas nas Infraestruturas de Portugal, nomeadamente nas pontes, acesso às cidades, estações de comboio, entre outros, e destacou ainda a introdução dos radares para detecção de situações de contra-mão, sendo que a empresa já conta com alguns casos práticos em Portugal destinados à redução de acidentes. Ricardo Bessa, da Hikvision, destacou que a tecnologia é um conforto e uma ajuda para as operações. "Cada vez mais, os modelos têm de ser centralizados e, cada vez mais, tem de se colocar nas cidades centros de tomada de decisão baseados em dados, provenientes de sistemas integrados. A grande dificuldade reside na integração dos sistemas pois são tecnologias diferentes, mas a grande mais-valia é que a tecnologia dá informação às pessoas. O responsável destacou ainda a importância da eficiência e eficácia dos sistemas e a importância de os dados serem preditivos para o futuro. No caso da vinda do Papa, os sistemas permitiram fazer recolha de dados e permitem que no futuro se faça uma melhoria de intervenção de eventos com esta escala. Diferenças entre público e privado O responsável da PSP destacou a diferença da implementação de videovigilância nos espaços públicos e instalada por empresas privadas. "Estamos a atribuir licenças para privados, como centros comerciais, cuja atribuição é muito mais fácil do que uma licença de utilização num espaço público à PSP". Ou seja, um privado com uma loja, pede uma licença, paga 150 euros, e no outro dia tem a licença. "Se quisermos utilizar um sistema de videovigilância numa cidade, o processo leva seis ou sete meses, é morosíssimo". Como disse, "é algo que deve ser repensado". O responsável recordou a legislação da segurança privada, a qual previa que em determinadas matérias era necessário ter certificação, a qual na altura não havia em Portugal. "Quando a legislação quer ser mais papista que o Papa é complicado para os operadores e para quem fiscaliza". Mobilidade, Segurança e Privacidade Sobre o equilíbrio entre mobilidade, segurança e privacidade, Ricardo Bessa destacou a perspectiva da transparência e aceitação pública. Como apontou, deve olhar-se para o tema numa perspectiva de prevenção e protecção. Estas analíticas ajudam-nos a evitar algo e a ser mais assertivos numa determinada emergência. Ricardo Pereira destacou que a tecnologia evolui, não só em analíticas, mas também no sentido da privacidade. No dia-a-dia, tudo pode estar anonimizado. Não é obrigatório que o vídeo identifique toda a gente. 35 SecurityMagazine