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NOVO, DE NOVO, ATRAI CADA VEZ MAIS AS GRANDES MARCAS

Negócios Online

2025-06-12 21:05:44

Há, cada vez mais, grandes marcas a apostar no mercado de segunda mão. Se, por um lado, ganham negócio ao conquistar clientes e propiciar ciclos de consumo, por outro, marcam pontos no campo da sustentabilidade. O crescente mercado de segunda mão - alimentado por razões ambientais, económicas ou ambas - não tem passado despercebido às grandes marcas. Independentemente dos modelos - seja da compra e venda direta dos produtos até ao papel de ponte entre consumidores à imagem e semelhança dos "marketplaces", com ou sem cobrança de uma comissão, há um crescente número de insígnias a explorar elas próprias o potencial de negócio do mundo dos usados. Zara, Decathlon ou Ikea são três exemplos de gigantes que aderiram à "moda" e a puseram na montra em Portugal. A Ikea é a mais nova nestas andanças. Após a estreia na Noruega e em Espanha, a cadeia de mobiliário sueca lançou em Portugal, no início de abril, a sua plataforma de compra e venda de artigos usados, descrita como "um novo negócio dentro do negócio", mas também como resultado da sua "responsabilidade" enquanto marca ao nível da economia circular. Sem prejuízos de outros, um par de dados puseram a retalhista sueca a pensar sobre o "potencial incrível" do novo modelo de negócio: 60% das pessoas já compraram ou venderam artigos em segunda mão e 10% do mobiliário vendido nas plataformas de artigos usados têm etiqueta Ikea. Desde que foi para o "ar", há dois meses, a Ikea Preowned registou quase 210.000 visitas, tendo no escaparate online mais de 3.600 produtos. 50Visitas Num mês, a plataforma para venda de produtos em segunda mão da Ikea em Portugal registou mais 50.000 visitas, tendo mais de 1.000 produtos. O "marketplace" liga os clientes diretamente uns aos outros, sem a Ikea como intermediário. Encontrado comprador e acertada a entrega, o pagamento faz-se através de transferência bancária. No entanto, há outra opção: o vendedor pode antes escolher receber o valor no cartão reembolso Ikea, com validade de um ano. Vantagem? Se o fizer beneficia de 15% extras para compras na retalhista. E o que ganha a Ikea? Mercedes Gutiérrez, New Business Platform Category Manager do Grupo Ingka, que lidera o novo projeto, foi clara aquando da apresentação: "Ganha clientes." Novos ciclos de consumo A Decathlon, que diz ter sido "uma das primeiras insígnias a apostar, em 2011, no mercado em segunda mão com o objetivo de promover a economia circular", segue um modelo diferente. Começou com o "Trocathlon" - que "permitia aos clientes venderem o material desportivo usado e com esse valor adquirirem novos e promovia a venda entre eles" -, mas percebendo, em simultâneo, que "muitos dos artigos eram vendidos noutras plataformas sem qualquer verificação", mudou de estratégia: "Optámos por começar a vender estes produtos na Decathlon, sempre com um olhar técnico". Com o "Segunda Vida", que dá os primeiros passos em 2020, "passou a reparar e a colocar os produtos à venda com preço de oportunidade e de forma permanente". "No ano passado, mais de 300 novos clientes vieram à Decathlon devido ao serviço de compra de material desportivo usado", diz a retalhista francesa de material de desporto, falando de uma "procura crescente": "Desde 2020, vendemos 150.000 produtos usados". As bicicletas lideram como categoria mais procurada. À luz do programa, quem vende um equipamento pode receber o dinheiro via transferência ou optar por um vale para gastar nas lojas da marca, com a validade de três meses. Embora note que "os que vendem produtos de valores mais elevados optam por receber por transferência", realça que "três quartos dos clientes continuam a escolher o voucher". Em 2024, a Decathlon comprou cerca de 30.000 produtos aos seus clientes e só vê vantagens: "Ao permitir que os clientes devolvam equipamentos usados e recebam vouchers ou descontos, a Decathlon incentiva novas compras, criando ciclos de consumo dentro da própria loja" e, por outro, "os consumidores dão uma nova vida a produtos que de outra forma poderiam ser descartados". Além disso, argumenta, "os produtos recondicionados têm um valor mais acessível, permitindo alcançar consumidores mais sensíveis ao preço, como estudantes ou famílias com orçamento mais limitado". Ao permitir que os clientes devolvam equipamentos usados e recebam vouchers ou descontos, a Decathlon incentiva novas compras, criando ciclos de consumo (...) e como os produtos recondicionados têm um valor mais acessível possibilita alcançar consumidores mais sensíveis ao preço. Decathlon Já na adesão à segunda mão no universo da moda sobressai a "Zara Pre-owned", uma plataforma que surge "alinhada com a estratégia de circularidade da Inditex", que após arrancar no Reino Unido e em França, fez a sua estreia em Portugal em dezembro de 2023. "Foi muito bem recebida pelos nossos clientes como um novo serviço para prolongar a vida útil das suas peças de vestuário, tanto através da venda entre clientes como através de opções de reparação e doação", diz fonte oficial da gigante espanhola, sem facultar, no entanto, dados sobre o número de utilizadores, volume ou vendas. "A Zara não compra nem vende, apenas facilita o serviço ao cliente e fornece a plataforma", mas não o faz de graça. A participação é gratuita para o utilizador vendedor, mas o comprador paga uma taxa de transação de euro, acrescida de 5% do preço total dos artigos adquiridos, segundo a informação disponível no "site". A Zara Pre-owned foi muito bem recebida pelos nossos clientes como um novo serviço para prolongar a vida útil das suas peças de vestuário. Inditex Diana do Mar dianamar@negocios.pt Diana do Mar dianamar@negocios.pt