PORTUGAL GANHA PESO NO GRUPO ASSA ABLOY COMO POLO INDUSTRIAL E TECNOLÓGICO
2025-06-12 21:05:54

ASSA ABLOY cresce em Portugal com inovação, produção local e foco em segurança e sustentabilidade A multinacional sueco-finlandesa ASSA ABLOY, grupo internacional de soluções de abertura de portas e controlo de acessos, tem vindo a consolidar a sua presença em Portugal com uma estratégia que combina aquisições industriais, desenvolvimento tecnológico e iniciativas em sustentabilidade. João do Carmo, diretor-geral da empresa em Portugal, explica à "Vida Económica" que o país tem vindo a ganhar relevância como plataforma produtiva, especialmente na industrialização de novos produtos. "Portugal é hoje uma plataforma de industrialização de uma parte significativa dos nossos projetos de novos produtos e de relocalização de produção", afirma o responsável, que coordena uma operação com mais de 400 colaboradores. Com uma produção nacional de 39 milhões de euros, a ASSA ABLOY Portugal exporta cerca de 30 milhões, contribuindo para os 15 mil milhões de euros do volume de negócios anual do grupo. Embora esta participação represente ainda uma fração modesta no universo global da empresa, a relevância de Portugal cresce no contexto ibérico e europeu. "Nas principais geografias europeias, as várias empresas do grupo contam hoje com as competências produtivas em Portugal para materializar novos produtos e componentes", afirma João do Carmo. Crescimento com aquisições A presença da ASSA ABLOY em Portugal acompanha a estratégia de crescimento por integração adotada pelo grupo desde a sua fundação, em 1994. Já antes disso, existiam sucursais da ASSA e da TESA em território nacional. O marco mais significativo deu-se em 2011, com a fusão operacional dessas unidades e uma orientação clara para reforço da atividade local. O ponto de viragem foi a aquisição das empresas do Grupo MR, sediadas em Águeda - MR, MARC, Cylintec e Jomarliz -, que consolidaram a presença industrial do grupo em Portugal. "Foi o primeiro passo de uma nova fase: deixámos de ser apenas uma organização comercial para passarmos a ter um contributo relevante ao nível da produção e desenvolvimento", sublinha o diretor. Mudança tecnológica Atualmente, apenas 25% da atividade da empresa está centrada em produtos mecânicos tradicionais. Os restantes 75% estão distribuídos entre soluções de portas automáticas e produtos eletromecânicos e eletrónicos. "A segurança inteligente já é a nossa realidade", afirma João do Carmo. "Trabalhamos com credenciação digital, controlo de acessos e soluções integradas para hotelaria, saúde, infraestruturas críticas, residências e edifícios empresariais." Entre as marcas e plataformas mais reconhecidas, destacam-se HID (credenciação digital e identidade segura), VingCard (controlo de acessos em hotelaria), TESA Hotel, Aperio, SMARTair e Cliq - esta última com aplicação em locais remotos. No segmento residencial, a marca Yale incorpora tecnologias como o cilindro eletrónico Linus, sistemas de controlo de portas, câmaras, alarmes e cofres com integração digital. "Temos soluções que permitem a gestão integrada de acessos tanto em grandes hotéis como em residências de estudantes, de idosos ou em alojamentos temporários, respondendo à evolução da procura", afirma o diretor. Sustentabilidade e metas globais Outro eixo de atuação é a sustentabilidade. O grupo iniciou o seu programa ambiental em 2007 e já alcançou, com um ano de antecedência, a meta de redução de 25% nas emissões de carbono dos âmbitos 1 e 2 definida para 2025. O próximo objetivo é reduzir essas emissões em 50% até 2030 e atingir a neutralidade carbónica até 2050. "A sustentabilidade é acompanhada de forma transversal em toda a organização e em todos os centros de produção, incluindo os portugueses", destaca João do Carmo. Os setores da saúde, da educação e das infraestruturas críticas impulsionam atualmente a procura por soluções da empresa em Portugal. Após investimentos em escolas e universidades como a Nova SBE, os hospitais e clínicas têm ganhado destaque. "A saúde requer soluções técnicas e de acessibilidade muito específicas, e a nossa oferta é particularmente abrangente neste domínio", refere o responsável. Também os segmentos residencial e da hospitalidade (como o turismo e o alojamento local) apresentam dinâmica significativa, com a adoção de soluções mais exigentes em segurança e controlo de acessos. Setores como os transportes e os estabelecimentos prisionais contribuem igualmente para a diversificação da atividade. Cidades inteligentes como horizonte "O mercado residencial está a recuperar de forma sustentada desde 2018, após uma década de estagnação", nota João do Carmo. "A transição para cidades inteligentes, o envelhecimento populacional e as novas exigências das gerações mais jovens colocam grandes desafios à indústria da segurança e da acessibilidade", acrescenta. O crescimento médio de 9% ao ano nas vendas de soluções eletromecânicas, ao longo da última década, reflete esta evolução, bem como a necessidade contínua de adaptação a um mercado cada vez mais digital e exigente em termos de segurança e sustentabilidade. "O nosso objetivo é contribuir para um mundo mais aberto e seguro. Combinamos credenciais digitais, automação de acessos e soluções integradas para responder a cada nova necessidade", conclui o diretor. Yale: uma marca com legado histórico Com mais de 180 anos de história, a Yale é uma das marcas mais reconhecidas do setor da segurança residencial. Fundada nos Estados Unidos no século XIX, ficou conhecida pela invenção da fechadura de cilindro "pin tumbler", que marcou um avanço na proteção doméstica. Desde a aquisição pela ASSA ABLOY, em 2000, a marca tem beneficiado de uma rede global de desenvolvimento e inovação. Atualmente, a Yale mantém presença em Portugal com soluções tecnológicas orientadas para residências, acompanhando a crescente procura por ambientes mais conectados, seguros e sustentáveis.