ARALAB QUER FAZER CÂMARAS CLIMÁTICAS PARA SECTOR DA DEFESA
2025-06-13 06:00:08

Foto Nuno BOTELHO Há quatro décadas a aperfeiçoar a tecnologia das câmaras climáticas, equipamentos que simulam o meio ambiente e a exposição a situações extremas, a Aralab, empresa portuguesa com sede em Rio de Mouro, Sintra, prepara-se para reforçar a aposta na indústria da Defesa. Não é porém uma estreia absoluta: a empresa fundada por dois irmãos, João e Eduardo Araújo, nos anos 80 do século passado, já trabalha com clientes neste segmento de mercado, uma área que hoje não representa mais do que 5% a 10% das receitas. A Aralab fornece câmaras climáticas para ensaios de empresas de drones e está em conversações com as Forças Armadas de alguns países. Quais, Luís Branco, presidente executivo da Aralab, prefere não revelar. “é um mercado a que estamos atentos, temos participado em iniciativas para perceber quais as oportunidades para a Aralab”, explica em entrevista ao Expresso. é, na prática, uma área com características próximas de algumas que conhece bem, a Aralab tem clientes relevantes na área aeroespacial, como a TAP, a OGMA ou a gigante Airbus. Fornece também câmaras climáticas para instituições como a Agência Espacial Europeia, para ensaios de componentes de satélites, ou o õnstituto Nacional de Técnica Aeroespacial (INTA), um centro de ensaios para a indústria aeronáutica espanhola. Procurar alternativas O objetivo é alargar o mercado e não ficar demasiado dependente de alguns segmentos de negócio, esclarece. E aproveitar a onda de investimento na reindustrialização da Defesa europeia. Forte no sector automóvel, a Aralab fornece clientes em áreas que vão da biotecnologia a simples eletrodomésticos. Uma câmara climática, além de simular o meio ambiente, reproduz também amplitudes térmicas extremas ou coisas tão diversas como a exposição ataques químicos. Tanto pode servir para ensaiar um medicamento, como para testar uma peça de um motor de um avião ou um drone, casos em que as condições têm de ser muito finas e muito rigorosas. os tamanhos vão de pequenas câmaras do tamanho de um cofre individual a câmaras do tamanho de uma sala. Depois de um 2024 menos próspero, ano em que a Aralab viu a receita recuar de cerca de EUR20 milhões para EUR15 milhões, a empresa sentiu que era im-portante diversificar. “Temos de procurar mercados alternativos. E estamos a encontrá-los quer na indústria da defesa e aeroespacial, quer na parte da ferrovia”, avança. Ganhou recentemente um contrato relevante com a francesa SNCF para um projeto ferroviário em Bordéus. “Ensaiamos OS ares condicionados que são colocados dentro das carruagens para o conforto dos passageiros”, afirma. Em 2025, prevê o gestor, as receitas deverão voltar para o patamar dos EUR20 milhões. A Aralab trabalha tanto em ligação direta com um construtor, como com os fornecedores deste. Um dos grandes clientes da Aralab éa Volkswagen, mas a empresa trabalha também para marcas como a Audi, a BMW e a Seat. E O mesmo acontece no sector aeroespacial. A empresa sintrense diz ter face a alguns dos seus maiores concorrentes uma grande vantagem: a flexibilidade. Sendo relativamente pequena, e altamente especializada, facilmente se adapta às necessidades dos clientes, e reage de forma rápida, aponta. Abrandar nas áreas tradicionais A Aralab fabrica câmaras para laboratórios de farmacêuticos, universidades e centros de investigação, e quer continuar a fazê-lo, mas reconhece que o mercado vai abrandar. “Estamos a sentir uma estagnação do mercado da investigação em plantas. Os nossos 3 ou 4 principais distribuidores estão a transmitir-nos que os Governos estão a realocar os orçamentos a dirigi-los para outras áreas, como a Defesa”, adianta. Dá como exemplo um parceiro em Inglaterra um dos principais mercados da Aralab, que informou que os subsídios e bolsas para investigação nas universidades britânicas já começaram a diminuir, e os esforços estão a ser concentrados na indústria da Defesa. “Inevitavelmente, a Aralab vai ter de acompanhar essa tendência”, frisa. A empresa exporta 80% da sua produção, grande parte para o mercado europeu, e países como Espanha, França, Holanda, Inglaterra e Alemanha. A maioria dos fornecedores da Aralab são portugueses “A estrutura metálica, o quadro elétrico, a refrigeração são feitos por empresas portuguesas, oul pela própria Aralab, depende da complexidade do projeto. 70% a 80% dos nossos parceiros são nacionais. Incorporamos muito valor da economia portuguesa”, assegura. Eacrescenta: “A nossa mais-valia é tudo o que é a engenharia do produto. Hoje em dia somos muito mais uma empresa de engenharia do que propriamente uma empresa fabricante de produto. Assemblamos diversos componentes aqui na nossa fábrica”, explica. A Aralab tem a fábrica em Rio de Mouro e está a preparar-se para construir uma nova. “Estamos a avançar com um investimento de EUR15 milhões numa nova unidade de produção, cuja implementação irá privilegiar três áreas estratégicas: digitalização, investigação e desenvolvimento e descarbonização. No entanto, o calendário para o início do projeto ainda não está fechado”, avança. A empresa tem 105 trabalhadores, mais de 50% licenciados e uma grande parte deles engenheiros. acampos@expresso.impresa. TAP, Airbus, Volkswagen e centros de investigação estão entre os clientes. Reforço na ferrovia em curso Academia estimulou história com quatro décadas João e o irmão Eduardo Araújo fundaram a Aralab em 1985, ainda estão hoje na empresa, a trabalhar, e mantêm 100% do capital na família. “Foram eles que criaram a Aralab, que no início era uma empresa prestadora de serviços. Fazia assistências técnicas, reparações, manutenções a vários equipamentos, entre eles câmaras climáticas que existiam nas faculdades em Portugal, utilizadas para fazer ensaios e testes”, explica Luís Branco. OS investigadores, os professores, desafiaram-nos para serem eles a fabricar o próprio equipamento e assim foi. Tinham muita experiência na área de refrigeração, habilidade inata e um espírito inovador muito grande. “A Aralab desenvolveu a sua atividade sempre com um grande foco no cliente, com uma preocupação de customizar, de fazer o que o cliente necessita e estar muito próximo, responder logo às solicitações”, explica. os primeiros passos da internacionalização deram-se em meados da década de 90 para Espanha, ainda hoje o maior mercado. O empurrão final aconteceu em 2010, na sequência da crise do subprime hoje 80% das receitas vêm do exterior, de geografias que vão da Europa à ãsia. Já olharam para os EUA, que agora está em pausa. Empenhada em diversificar, a Aralab está a fabricar câmaras climáticas para empresas de drones e a negociar com as Forças Armadas de alguns países ANABELA CAMPOS