A ERA MAIS NISSAN"
2025-06-23 21:05:18

Shunsuke Shigemoto é vice-presidente do departamento de Tecnologia ePowertrain, Pesquisa e Engenharia Avançada da Nissan, é um dos pais da ePower e integrou a equipa de desenvolvimento do Leaf IAconversa com o quadro superior da Nissan desvenda muito do futuro próximo e distante de um construtor a passar por uma vida dupla, entre a ligação com um quarto de século à Renault e a recuperação de uma maior identidade e independência criativa. Turbo , No novo Micra é assumida a colagem ao Renault 5 mas no Leaf, defendem um enquadramento distinto apesar da partilha da plataforma CMF-EV com OS Renault SUV. Shunsuke Shigemoto = A plataforma é de facto próxima, mas no motor não há paralelo. O Leaf usa um propulsor de tecnologia de ímanes permanentes integralmente desenvolvido por nós, no Japão, sem qualquer contributo, acordo ou “autorização” da Renault. E aestrutura de funcionamento deste motor faz a diferença no desempenho elétrico e até nas funções secundárias: ao ser mais pequeno, permite menor raio de viragem e o reposicionamento de outros elementos, o que acaba por determinar a conceção global do automóvel. T. , Portanto, este é o Nissan mais independente e genuíno desde a Aliança com a Renault? S.s. , Sim, dos últimos dez anos, certamente. T. , E sendo o produto mais sofisticado, depois do novo motor ainda receberá o “prometido” salto para a tecnologia das baterias de estado sólido? S.S.- Não nesta geração Leaf, certamen-te. Planeamos ter um automóvel a circular com bateria de estado sólido até 2030. Conseguimos fazê-la em laboratório com 200 células perfeitas, uma a uma; mas darmos o salto para a replicação em grande escala com uma qualidade consistente é um outro patamar que antevejo muito mais distante. T. Nos planos dos modelos elétricos a lançar até 2027 a Nissan só tem automóveis compactos: o Micra para já, o Leafpara 2026, seguido do Juke elétrico e depois um pequeno segmento A, talvez decalcado do próximo Twingo da Renault. Não pensam no desenvolvimento de veículos BEV de segmentos superiores? S.s. , Já temos o Ariya, que continuará a ser o nosso topo de gama elétrico, e que receberá evoluções nos próximos cinco anos. Não excluo definitivamente o desenvolvimento de um BEV elétrico acima do Ariya, devido a dinâmica própria do mercado, mas recordo a aposta paralela na tecnologia e-Power. Ganhará destaque e aperfeiçoar-se-á com a aplicação em modelos a gasolina eletrificados, incluindo em segmentos superiores. A tecnologia e-Power, que receberá uma importante evolução este ano com a adoção de um motor com a tecnologia do Leaf, ficará com um rendimento energético de 41% a 42%, o que a aproxima muito da eficiência dos turbodiesel, com vantagens nas emissões. Pode evoluir mais 1% a 2% em cada geração. T. , Significa que vai continuar a ser uma aposta forte da Nissan? S.s. , Claro. Nesta evolução de 2025 a e-Power verá reconfigurado o sistema de carga/descarga da bateria de tração, com melhor controlo da temperatura ideal, como conseguimos Ono Leaf. T.- E haverá aumento da bateria? Ou do motor de combustão, do gerador? O S.S. , Não é necessário. Manteremos no novo ciclo de produto, que vai prolongar-se no mercado até, pelo menos, 2030, O atual motor a gasolina 1.5 turbo de três cilindros e a bateria de 1,8 kWh. os grandes ganhos estarão na otimização do rendimento do motor elétrico, mais pequeno e eficiente, o que resulta na maior disponibilidade de potência com menor esforçoe, logo, menor consumo. E manteremos a aposta nas baterias de lítio NMC (Níquel Manganês Cobalto) que ainda têm plano de evolução, não apenas na densidade energética, mas também na estabilidade de funcionamento, mantendo as características energéticas por mais tempo emais ciclos de carga. Tem havido evoluções neste capítulo, mas há espaço para mais. O