AIMMAP - FUTURE SUMMIT DEBATEU O FUTURO DA INDÚSTRIA DA DEFESA E DA INOVAÇÃO EM PORTUGAL
2025-06-27 21:02:51

Iniciativa decorreu durante a EMAF e nasceu da colaboração entre a AIMMAP, a AEP e O CEiiA NO passado dia 28 de maio, realizou-se na Exponor, durante a EMAF, a Future Summit, uma iniciativa que nasceu da colaboração entre a AIMMAP, a AEP e O CEiiA. Como é sabido, a EMAF é a feira internacional de máquinas, equipamentos e serviços para a indústria, que este ano decorreu entre os dias 27 e 30 de maio, como aliás se relata num outro artigo desta edição. A Future Summit contou com intervenções de figuras relevantes da política, indústria e investigação, incluindo Vítor Neves, Rafael Campos Pereira, Luís Miguel Ribeiro, José Manuel Mendonça, Paulo Rios de Oliveira, Isabel Furtado, Fernando Sousa e Sérgio Sousa Pinto. Na sua intervenção, Vítor Neves, Presidente da AIMMAP, sublinhou a relevância da EMAF e da própria Future Summit como plataformas essenciais para impulsionar a reindustrialização, a inovação e a competitividade da indústria portuguesa, constituindo "espaços privilegiados para a apresentação de soluções tecnológicas avançadas e para o fortalecimento das relações entre empresas, contribuindo significativamente para o crescimento económico sustentado de Portugal“. Luís Miguel Ribeiro sublinhou as novas oportunidades que se apresentam à indústria, num cenário em que as tensões geopolíticas ocorrem num mundo fragmentado em três grandes blocos económicos: OS Estados Unidos da América, a China e a União Europeia, blocos que possuem virtualidades muito distintas, em termos de resiliência e de capacidade de adaptação na resposta aos crescentes desafios. Aliás, conforme destacou o Vice-Presidente Executivo da AIMMAP, Rafael Campos Pereira, O setor metalúrgico e metalomecânico nomeadamente as tecnologias de produção fizeram nos últimos anos uma verdadeira revolução silenciosa, e são já fornecedoras de clusters muito exigentes e estão já certificadas para a defesa e até já fornecem grandes exércitos europeus. Mas alerta que "temos de nos defender da complexidade de processos e burocracia nacional e europeia, e trabalhar de forma coesa, de forma articulada, para chegarmos a centros de decisão importantes como por exemplo o caso da NATO sendo fundamental que O Estado ajude a desbloquear os custos de contexto" Para a AICEP, representada nesta sessão pelo Administrador Paulo Rios de Oliveira para que a oportunidade que está a nascer no setor da defesa não seja perdida, o estado deve fazer a sua parte, nomeadamente desburocratizando e atuando sobre os chamados custos de contexto. “Ou entramos na velha postura e não vamos a jogo, ou aceitamos que temos vantagens competitivas. Temos grande capacidade de inovação. é evidente que isto não é para corredores solitários. é para ser feio em conjunto, sendo para tal fundamental o papel das associações e dos clusters”. Este entendimento foi aliás defendido de forma transversal particularmente por Isabel Furtado, Presidente do CEiiA, que sublinhou a importância e o potencial de Portugal de criar soluções chave-na-mão numa lógica de oferta integrada e de verdadeiros clusters industriais. Já Fernando Sousa, CEO da CEI/ZIPOR e Vice-Presidente da AIMMAP, destacou a magnitude dos investimentos que terão de ser realizados. “Se olharmos unicamente para Portugal, estamos a falar de um investimento de 29 mil milhões de euros nos próximos cinco anos para chegar a 2% do PIB na defesa", e alertou que a Europa deve mobilizar-se para reter esta produção no velho continente. Perante um auditório completo, entre as intervenções institucionais iniciais e o painel acima referido, o momento alto da sessão foi corporizado pela briIhante intervenção de Sérgio Sousa Pinto, que sublinhou que a defesa conjunta da Europa é uma exigência que se impõe com a nova ordem mundial. Num cenário de rearmamento que vai perdurar durante as próximas décadas, é crucial que a Europa resgate a sua autonomia face ao recuo do compromisso americano com a proteção do velho continente, sublinhou. Com um discurso centrado na Nova Ordem Mundial e nas oportunidades para desenvolver uma indústria de defesa moderna e inovadora em Portugal, Sérgio Sousa Pinto defendeu que a guerra deve ser prevenida através da dissuasão e para isso a Europa precisa de produzir os meios de que carece, assegurando que serão as empresas a liderar esse processo, mantendo uma reduzida intervenção do Estado. Já perto do final da sua intervenção, explicou que "estamos a sair de um paradigma, e não voltaremos a ele. O período de paz e segurança garantido pela Guerra Fria terminou. Foi um período excecional da história. Nas relações entre Estados, o normal é um sistema de autoajuda, dominado pelos fortes. Os fracos procuram a sua autodeterminação através de esquemas de aliança e, quando existem desequilíbrios, vamos para a guerra". Foi uma sessão de enorme interesse e oportunidade, dando lugar no final a um prolongado período de debate no final. Num cenário de rearmamento que vai perdurar durante as próximas décadas, é crucial que a Europa resgate a sua autonomia face ao recuo do compromisso americano com a proteção do velho continente.