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OPINIÃO - O QUE O RGPD FOI PARA OS DADOS, O EAA SERÁ PARA A ACESSIBILIDADE

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2025-06-27 21:05:16

O que o RGPD foi para os dados, o EAA será para a acessibilidade. Será que as empresas já perceberam isso? Em 2018, o RGPD obrigou empresas em toda a Europa a reavaliar profundamente a forma como recolhiam, tratavam e protegiam os dados dos utilizadores. Foi um momento de viragem, a partir do qual passámos de uma postura reativa para uma gestão proativa da privacidade, como parte da estratégia digital. Hoje, essas boas práticas são sinal de maturidade digital, ética empresarial e responsabilidade social. Junho de 2025 marcará o início de uma nova revolução digital: a chegada do European Accessibility Act (EAA). Tal como o RGPD redefiniu a privacidade, o EAA redesenhará os padrões da acessibilidade digital. Muitas empresas ainda não se aperceberam do alcance e das implicações desta legislação, mas o impacto será profundo. O EAA estabelece uma base legal comum, para garantir que uma vasta gama de produtos e serviços digitais seja acessível a pessoas com qualquer tipo de deficiência. Isto inclui websites, aplicações móveis, plataformas de comércio eletrónico, serviços de apoio ao cliente e comunicações digitais enviadas ao consumidor. Todos estes elementos terão de ser criados de forma acessível, seguindo critérios que asseguram a compatibilidade com tecnologias de apoio, o uso de cores com contraste suficiente, letras ajustáveis, navegação intuitiva por teclado e uma estrutura de informação clara. As empresas que não cumprirem estas diretivas podem enfrentar multas significativas e até a exclusão do mercado. No entanto, mais do que uma questão de conformidade legal, trata-se de uma mudança estratégica com impacto direto na reputação e na relação com os clientes. O EAA não deve ser encarado como um desafio, mas como uma oportunidade para as empresas se posicionarem de forma diferenciada. Num contexto em que os consumidores valorizam cada vez mais marcas inclusivas e com impacto social positivo, a acessibilidade digital torna-se uma ferramenta poderosa para construir confiança, gerar lealdade, fortalecer a reputação e aumentar o valor do produto. Além disso, torna o mercado mais abrangente. Só na União Europeia, estima-se que mais de 80 milhões de pessoas vivem com algum tipo de deficiência. Criar experiências digitais acessíveis permite atingir mais utilizadores, reduzir barreiras e aumentar a eficiência da comunicação com todos. Um design digital acessível resulta em experiências mais intuitivas e simples para qualquer utilizador. Melhorar a legibilidade beneficia tanto pessoas com baixa visão, quanto quem usa ecrãs pequenos ou está em ambientes com má iluminação. A navegação por teclado ou comandos de voz ajuda pessoas com mobilidade reduzida e também utilizadores multitarefa. Uma estrutura clara e lógica facilita a leitura para quem tem défice cognitivo, mas também para qualquer pessoa com pouco tempo disponível. os emails também contam e continuam a ser um dos principais pontos de contacto entre marcas e consumidores e, com a chegada do EAA, também terão de respeitar critérios de acessibilidade. Se utiliza ferramentas de automação ou personalização, é fundamental garantir que os modelos de email estão otimizados para a acessibilidade. Ignorar esta realidade poderá comprometer tanto a eficácia da comunicação como a conformidade legal. A acessibilidade digital não é só uma exigência, é uma inevitabilidade. Tal como aconteceu com o RGPD, muitas empresas só reagiram quando já era tarde e, com isso, sofreram as consequências. As que se anteciparam colheram os frutos: reconhecimento público, confiança dos consumidores e uma vantagem competitiva. O mesmo vai acontecer com a acessibilidade digital. A grande pergunta agora é: a sua empresa quer liderar ou ficar para trás? M&P Cofundadora e CEO da JMR Digital Marketing Joana Meireles, cofundadora e CEO da JMR Digital Marketing, antevê uma nova revolução digital: a chegada da European Accessibility Act, uma diretiva que torna mais acessíveis produtos e serviços, obrigatória a partir de 28 de junho. Uma oportunidade para as empresas se diferenciarem PaG 36 As empresas que não cumprirem estas diretivas podem enfrentar multas significativas e até a exclusão do mercado JOANA MEIRELES