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OPINIÃO - O PRODUTO CERTO, NO MOMENTO CERTO, PELO PREÇO CERTO, AO CONSUMIDOR CERTO

Hipersuper

2025-06-28 21:05:59

?m setores tão competitivos e de margens tão estreitas como o retalho e a grande distribuição, a inteligência na gestão de preços é mais do que crítica. é decisiva. Sempre houve inteligência por trás dos números e da fixação de preços. Mas o jogo está a mudar. Prepare-se: a inteligência artificial está a assumir o protagonismo. ? com ela, vem uma transformação profunda na forma como gerimos o pricing e, do outro lado da cadeia, como os consumidores fazem as suas escolhas de compra para a despensa. ? revenue management (estratégia de otimização de preços, stocks e distribuição, com base em dados) ganha força no retalho, impulsionado pela inteligência artificial. Antes, restrito a setores como hotelaria e transportes, passa agora a ser uma vantagem estratégica no retalho alimentar e não alimentar, permitindo maximizar receitas, gerir melhor os inventários e melhorar a experiência do consumidor. O princípio é simples: vender o produto certo, ao cliente certo, no momento certo e, sobretudo, ao preço certo. Mas, a execução deste princípio, hoje, é tudo menos linear. A tecnologia permite-nos ajustar os preços em tempo real, com base em fatores como a procura, os níveis de stock, a validade dos produtos e a concorrência direta. Já não estamos apenas a falar de e-commerce Cada vez mais, supermercados começam a implementar esta lógica, por exemplo, reduzindo automaticamente o preço de produtos perecíveis à medida que se aproxima o fim do prazo de validade, ou aumentando o preço de produtos escassos. Esta gestão dinâmica tem impactos imediatos e mensuráveis, tanto ao nível da redução de desperdício, como no aumento da rotação de stocks e da rentabilidade por metro linear. A IA tem um papel central na personalização em escala. As promoções inteligentes, baseadas em dados de histórico de compras dos clientes, estão a substituir os descontos genéricos. A IA permite-nos direcionar campanhas específicas para perfis concretos de consumidores com maior probabilidade de conversão e fidelização. Paralelamente, estratégias como flash sales orientadas por algoritmos possibilitam o escoamento cirúrgico de inventário em excesso, sem impacto negativo nas margens nem desgaste da perceção de valor da marca. Ao combinar inteligência promocional com segmentação de produto, torna-se possível identificar com rigor quais os produtos de maior margem e quais os loss leaders, os produtos estrategicamente posicionados para atrair tráfego, mesmo com rentabilidade reduzida. Esta informação permite ainda ajustar o layout de loja, as decisões de sortido e até os investimentos em comunicação, com base em dados reais e não apenas em intuições ou tendências passadas. é interessante observar como setores tradicionalmente mais avançados em preços dinâmicos, como o e-commerce (com a Amazon como referência), os transportes (Uber), a hotelaria (Booking e afins) e a energia ou telecomunicações servem hoje de inspiração e modelo para O retalho tradicional. Nestes setores, há muito que o preço já deixou de ser fixo. Adapta-se à oferta, à procura, ao momento do dia, ao perfil do cliente e à pressão da concorrência. ? se estes setores já provaram a eficácia do modelo, o retalho físico e omnicanal tem agora o desafio, e a oportunidade, de fazer o mesmo. As vantagens são evidentes. Uma gestão de preços com IA permite maximizar resultados, mesmo em contextos de baixa procura, reagir com agilidade aos movimentos da concorrência, reduzir ruturas e excessos de stock e, ainda, proporcionar uma experiência de compra alinhada com as expectativas do consumidor moderno, cada vez mais sensível ao valor percebido. Mas, mais do que uma vantagem competitiva, esta, é uma transformação inevitável. Caminhamos para um futuro em que os preços deixarão de ser definidos por campanhas mensais e passarão a ser ajustados em tempo real , com a agilidade e volatilidade de uma bolsa de valores. Para os retalhistas, isso significa a possibilidade concreta de aumentar receitas e proteger margens de forma dinâmica. Se um produto não vende, baixa-se o preço para acelerar a rotação. Se há pouca disponibilidade, ajusta-se para cima e defende-se a rentabilidade. Se se conhece o perfil e a sensibilidade ao preço de um cliente, é possível entregar-lhe exatamente a proposta de valor que o fideliza. Com visibilidade em tempo real sobre a concorrência, torna-se ainda viável repensar o layout e a oferta da loja para captar novos clientes ou recuperar os que se perderam. Isto não é uma visão futurista. Está a acontecer agora. ? OS retalhistas que forem capazes de integrar esta lógica de pricing inteligente de forma estratégica e estrutural estarão mais bem preparados para um mercado cada vez mais veloz, competitivo e centrado no cliente. O preço certo, no momento certo, deixou de ser uma meta. é. a nova condição para a rentabilidade sustentável.H Sara Monte e Freitas Partner Monte e Freitas | Expense Reduction Analysts GG Caminhamos para um futuro em que os preços deixarão de ser definidos por campanhas mensais e passarão a ser ajustados em tempo real , com a agilidade e volatilidade de uma bolsa de valores. Sara Monte e Freitas