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ARMAS, ILUSÕES E DEPENDÊNCIA: A DEFESA EUROPEIA ENTRE O SONHO E O NEGÓCIO

Estrategizando Online

2025-07-04 21:06:17

José Luís Carneiro propõe um plano estratégico europeu de Defesa com impacto local e tecnológico, mas as ambições de soberania colidem com a realidade geopolítica imposta por Trump e pelos interesses militar-industriais dos EUA. Entre a promessa de desenvolvimento e o risco de subordinação, que Europa se está a construir? O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, defende a criação de um plano estratégico europeu de Defesa, que envolva pequenas e médias empresas, centros de investigação e poderes locais. Bem, essa nao é a expetativa de Trump o seu verdadeiro “dono disto tudo” Temos muitos países ricos connosco aqui hoje, mas outros há que não são tão ricos e que me pediram se poderiam comprar equipamentos militares [aos EUA] e se eu os podia ajudar. Vamos ajudá-los. Naquilo que for possível", e esta é a expetativa estadunidense- endividar os países da UE aos EUA, muito provavelmente separando os mais frageis do duo franco-germano. "Não vamos financiá-los, mas garantiremos que receberão os seus pagamentos e várias outras coisas, para que possam comprar. Porque os EUA fabricam, de longe, os melhores equipamentos militares do mundo: os melhores caças, melhores mísseis, melhores armas, melhores tudo", acentuou no maior descaramento numa conferência de imprensa, após a cimeira da NATO onde se declarou o grande vencedor. "Todos querem comprar os nossos equipamentos... então vamos ajudar os países a cumprirem as suas metas e a comprarem os melhores equipamentos", adiantou o republicano multimilionário, sem estabelecer, porém, uma relação direta entre as exigências - e ameaças - que durante dois dias fez aos seus parceiros da NATO por causa das despesas que cada país deve fazer em matéria de Defesa. "Lembrem-se da palavra: 33 mil milhões de dólares a mais que eles estão" pagar", vincou Trump, dizendo que tal só foi possível pela pressão que tem colocado aos aliados. "Todos na sala me agradeceram. Houve um belo espírito naquela sala, como não creio que tenham tido em muitos anos. Eles são muito fortes. Muito unidos e muito fortes. No problem!", afirmou o líder norte-americano, expressando a sua visão do resultado do encontro dos chefes do Estado e do governo dos 29 Estados membros da Aliança Atlântica. JLCarneiro que nos perdoe mas nao vemos na aplicação dos tais 5% do PIB nada mais que encher os bolsos das empresas militaristas estadunidenses Em Bruxelas, no programa Fontes Europeias da TSF, José Luís Carneiro defendeu que esse investimento deve ser articulado com objetivos de coesão territorial, modernização económica e criação de emprego qualificado. Um mero sonho “à pedip” ( as famosas empresas industriais do cavaquistao que três anos depois tinham morrido! “É com o desenvolvimento de capacidades de duplo uso militar e defesa que nós poderemos contribuir para modernizar a nossa infraestrutura económica e, num prazo de 10 a 15 anos, sermos capazes de garantir uma economia mais competitiva, mais produtiva, com maior absorção de conhecimento e de mão de obra altamente qualificada”, defendeu José Luís Carneiro. JLCarneiro, JLCarneiro por favor nem os EUA, nem a Alemanha, nem a França vão nessa o Brasil esse sim vai! Apoiando uma abordagem integrada, o líder socialista apontou os exemplos da brasileira claro Embraer, em Évora, e da portuguesa Tekever, em Ponte de Sor, como modelos industriais que geraram “clusters tecnológicos” em torno de projetos ligados à Defesa, com impacto na economia local. Vejamos, A Tekever tem um plano de criar 1000 postos de trabalho no Reino Unido como parte de um investimento de 470 milhões de euros a cinco anos, de acordo com um anúncio recente da empresa. Além disso, a empresa já emprega mais de 800 pessoas e tem como objetivo superar esse número. A Tekever também está a investir em França, com um plano de investimento de 100 milhões de euros, segundo a APDC. Como se vê a internacionalização militarista não é para lusa satisfação ! “Este investimento deve envolver os poderes locais, numa abordagem a vários níveis, em que estejam os poderes locais, os poderes subregionais, as próprias comissões de coordenação e desenvolvimento regional”, afirmou. Questionado sobre se o Partido Socialista está disponível para apoiar um quadro de contratação pública plurianual com empresas europeias e nacionais, com consensos que resistam aos ciclos políticos, como foi defendido por Luís Montenegro em Bruxelas, na mais recente cimeira europeia, José Luís Carneiro lembrou que essa foi uma ideia que ele próprio apresentou. “Não foi o primeiro-ministro que o fez, foi o Partido Socialista e fui eu, como candidato a secretário-geral, que coloquei esse tema na ordem do dia”, afirmou, sublinhando que agora é necessário “dar seguimento a essa manifestação de disponibilidade para o diálogo”. O secretário-geral do PS admite a legitimidade do recurso a fundos europeus, incluindo verbas da política de Coesão, para projetos de Defesa, desde que enquadrados numa estratégia europeia clara e que contribuam para o desenvolvimento económico e social. Nesta entrevista, o novo líder socialista criticou a proposta do Governo sobre nacionalidade e imigração, considerando que “mistura matérias distintas” e pode estar desprovida de fundamento constitucional. “A proposta tem a ver com a lei da nacionalidade. Eu acho que há um erro de partida, que é o Governo misturar questões de nacionalidade com questões de imigração e com questões de segurança”, declarou, avisando que “consoante a proposta está, (...) não tem condições para poder passar com o voto favorável do Partido Socialista”. Carneiro defende que o diploma “deveria baixar à especialidade, sem votação para ser aperfeiçoado”. "Consoante ela está hoje, ela não tem condições para ter o voto favorável do PS. É preciso que o Governo abra a possibilidade de haver uma discussão sobre a matéria em apreço (...) Há dimensões da legislação em curso que não podem contar com o voto favorável do PS (...) Por exemplo, nós entendemos que os cidadãos oriundos dos países de língua oficial portuguesa, até por razões que têm que ver não só com a nossa relação histórica, mas com razões relativas à nossa política externa devem ter um tratamento de reciprocidade", disse o líder socialista à saída da audiência com Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém. José Luís Carneiro avisou ainda que certas normas do texto podem ser inconstitucionais, sublinhado que “há matérias relativas à nacionalidade, por exemplo, quer a perda da nacionalidade e o reagrupamento familiar, que (...) devem respeitar a Constituição”. “Caso contrário, se for suscitada a sua constitucionalidade, poderão não passar na apreciação da constitucionalidade”, alertou. Questionado sobre se ao anunciar a rejeição das alterações legislativas não poderá estar a correr o risco de empurrar o Governo para apoios pontuais da extrema-direita, para aprovar leis sensíveis, Carneiro respondeu que “o Governo tem que escolher qual é o parceiro político com que quer dialogar”. Ou seja, “se quer cair no extremismo ou se quer manter-se, neste caso, como uma força do centro-direita no país”, reforçou, insistindo que o Partido Socialista está disponível para colaborar, “aperfeiçoando soluções de regulação e de segurança das migrações no nosso país e melhorando as condições de acolhimento”. “Fui muitas das vezes ao Canadá falar com o ministro das Migrações para não deportarem os portugueses que estavam em situação de irregularidade”, afirmou. “Fui também aos Estados Unidos, com as mesmas preocupações. Fui ao Reino Unido quando houve o Brexit, porque havia 300 mil portugueses no Reino Unido que também estavam em risco de poder ser enviados embora”, recordou José Luis Carneiro, recorrendo à sua à experiência enquanto antigo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, entre 2015 e 2019, para defender que a migração deve ser tratada com equilíbrio e humanidade.g “Migrações desreguladas também conduzem a condições de vida que são desumanas”, advertiu, apelando a que os movimentos migratórios sejam geridos “na defesa dos direitos humanos e na dignidade de toda a pessoa”. Para o líder socialista, deve haver “um esforço coletivo que tem que mobilizar o Estado, as autarquias, os poderes regionais para garantir respostas de habitação, de serviços públicos, trabalho com digno, de alojamento com digno”. Modelo social Durante a entrevista no programa Fontes Europeias, da TSF, José Luís Carneiro defendeu ainda o modelo económico e social europeu como um exemplo global de compatibilização entre crescimento e justiça social. “Hoje, o modelo de crescimento económico europeu é um modelo que procura basear-se, por um lado, nos fatores de conhecimento, e basear-se na investigação, no conhecimento, no desenvolvimento e na inovação”, afirmou. “Procura ser sustentável do ponto de vista do uso de recursos para compatibilizar o desenvolvimento com a preservação ambiental e com a regeneração dos ecossistemas”, acrescentou Carneiro, salientando também o caráter inclusivo do modelo europeu, com emprego de qualidade e proteção social. Multilateralismo Referindo-se à concorrência global e aos padrões europeus, o líder do PS defendeu um quadro multilateral robusto que proteja os valores sociais e ambientais da Europa, sublinhando que o seu partido pretende estar “na linha da frente” da construção de uma Europa mais eficaz e autónoma. “Queremos ser daqueles que estão na linha da frente na construção de uma Europa capaz de responder a esses desafios, nomeadamente aos desafios estratégicos, da segurança e da defesa, no que tem a ver com a sua autonomia estratégica”, afirmou ainda. Antonio Sendim