FRANÇA MULTA SHEIN EM EUR40 MILHÕES POR DESCONTOS ENGANOSOS
2025-07-04 21:06:21

Enquanto a Shein é multada, a Meta contesta a coima de EUR200 milhões aplicada pela Comissão Europeia em abril, por alegado incumprimento da Lei dos Mercados Digitais A Shein é multada pela autoridade francesa da concorrência e proteção do consumidor em EUR40 milhões por alegadas práticas promocionais enganosas, noticia a Reuters. Já a Meta, num processo distinto, avança com recurso à coima de EUR200 milhões decidida pela Comissão Europeia (CE), por alegado incumprimento da Lei dos Mercados Digitais. O relatório do regulador francês, que visa milhares de produtos no site francês da plataforma de fast fashion , conclui que a Shein infringe a regulamentação francesa, que estabelece que o preço de referência para qualquer desconto tem de ser o mais baixo praticado por um retalhista durante os 30 dias anteriores à oferta. A empresa terá “enganado os consumidores sobre a autenticidade dos descontos dos quais os clientes poderiam beneficiar”. A investigação decorre entre outubro de 2022 e agosto de 2023 e revela que mais de metade das ofertas analisadas (57%) não representam reduções reais. Em 19% dos casos, o desconto é inferior ao anunciado e, em 11%, verifica-se até um aumento de preço antes da suposta promoção. A penalização recai sobre a Infinite Style E-Commerce, empresa responsável pelas vendas da retalhista em França, que aceita a multa, segundo a Reuters. A Shein responde num comunicado onde confirma ter sido alertada destas infrações em março de 2024 e garante que implementa medidas de correção desde então. Segundo a empresa, os problemas estão “resolvidos há mais de um ano”. Meta recorre de multa aplicada pela Comissão Europeia A Meta contesta a coima de EUR200 milhões aplicada pela CE em abril, por alegado incumprimento da Lei dos Mercados Digitais. Em causa está o modelo de escolha entre serviço pago sem anúncios ou gratuito com publicidade personalizada, considerado insuficiente pelas autoridades de Bruxelas. Tim Lamb, diretor de concorrência e regulação da Meta na região EMEA, considera que a decisão é “incorreta e ilegal” e confirma que a empresa vai recorrer da multa. O responsável sublinha ainda que o Tribunal de Justiça da União Europeia já tem validado este tipo de solução, adotada por várias plataformas digitais a nível europeu, e acusa Bruxelas de ignorar esse precedente. A Meta defende ainda que a introdução do formato Anúncios Menos Personalizados , em novembro de 2024, reduz drasticamente a eficácia das campanhas publicitárias com impacto direto para utilizadores, marcas e pequenas empresas. “A Meta é obrigada a oferecer um serviço gratuito com anúncios reduzidos , menos personalizados , o que leva a piores resultados para utilizadores, anunciantes e plataformas”, sustenta o diretor da concorrência e regulação da Meta. A tecnológica apresenta dados concretos para fundamentar os argumentos. Segundo a empresa, a publicidade personalizada gera EUR213 mil milhões em atividade económica na União Europeia e sustenta 1,44 milhões de empregos em 2024. A tecnológica lamenta que a CE imponha um modelo que considera “potencialmente inviável”, desvalorizando o impacto económico do ecossistema digital europeu.