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SABE O QUE SIGNIFICA NMC OU LFP? A IMPORTÂNCIA DA QUÍMICA DA BATERIA NA ESCOLHA DE UM AUTOMÓVEL ELÉCTRICO

Público Online

2025-07-08 21:06:26

Explicamos as vantagens e desvantagens das duas químicas de baterias de iões de lítio mais utilizadas nos veículos eléctricos actuais. Está a pensar adquirir um automóvel eléctrico? Então é provável que já se tenha deparado, na ficha técnica, com a designação do tipo de bateria: NMC ou LFP. Siglas discretas, mas com implicações relevantes, que influenciam não apenas o desempenho e o preço, mas também a forma como vai utilizar o automóvel no dia-a-dia. Apesar das complexidades técnicas que caracterizam as baterias, a maior diferença qualitativa reside na química usada nas células que compõem o conjunto. Em termos simples, trata-se da “receita” empregue na composição do cátodo - o principal componente onde a energia é armazenada. E, como no bacalhau, há inúmeras receitas para criar uma bateria. Algumas são abandonadas por razões de segurança, outras por custos elevados ou por não serem industrializáveis. Hoje, duas receitas dominam o mercado: NMC e LFP. Segundo conseguimos apurar junto dos principais fabricantes, todos os automóveis eléctricos actualmente comercializados em Portugal recorrem a uma destas duas tecnologias. Saber mais , o que é o cátodo? O cátodo é o pólo positivo de uma bateria. As partículas que transportam a energia viajam do ânodo (pólo negativo) da bateria até ao cátodo, e é esse movimento que gera a electricidade que alimenta o aparelho. O que significam as siglas NMC e LFP? A sigla NMC designa uma bateria composta por Níquel, Manganês e Cobalto. É a química mais comum nos automóveis eléctricos que privilegiam grandes autonomias, como acontece nos modelos de gamas superiores. Já a designação LFP corresponde a Fosfato de Ferro-Lítio (em inglês, Lithium Iron Phosphate), uma solução alternativa que dispensa o níquel e o cobalto, substituindo-os por ferro e fosfato - materiais mais abundantes, mais baratos e menos controversos do ponto de vista ambiental e social. Foto Nos Model 3 e Y, a Tesla utiliza baterias NMC nas versões com maior autonomia e baterias LFP nas versões de entrada de gama DR Cada uma destas químicas tem vantagens e desvantagens. Para o ajudar a escolher a que melhor se adequa ao seu perfil de utilização, respondemos às perguntas mais frequentes. Qual o tipo de bateria com maior capacidade e autonomia? NMC. Graças à sua maior densidade energética, as baterias NMC conseguem armazenar mais energia por unidade de volume ou peso. Isto permite aos fabricantes oferecer autonomias superiores sem penalizar o espaço interior nem o peso do veículo. Por isso, os modelos vocacionados para longas distâncias estão, regra geral, equipados com baterias NMC. Qual oferece maior longevidade? LFP. As baterias LFP distinguem-se pela durabilidade. Suportam um número de ciclos de carga e descarga bastante superior antes de começarem a degradar-se. Enquanto uma NMC pode rondar os 1000 a 2000 ciclos, uma LFP ultrapassa, com facilidade, os 3000. Foto A BYD é um dos fabricantes que mais investe no desenvolvimento de baterias LFP. Mesmo o modelo topo de gama deste fabricante, o Sealion 7 com bateria de 91 kWh de capacidade, é do tipo LFP DR Qual é mais segura? LFP. Esta química é, por natureza, mais estável. As baterias LFP são menos susceptíveis a sobreaquecimentos, mesmo em caso de danos ou sobrecarga, o que reduz substancialmente o risco de incêndio. Esta estabilidade térmica faz delas a opção mais segura actualmente disponível. É necessário carregar de forma diferente consoante o tipo de bateria? Sim, e faz diferença. Para preservar a saúde da bateria NMC, os fabricantes recomendam que, no quotidiano, se carregue até cerca de 80% da capacidade, reservando os 100% para ocasiões pontuais, como viagens longas. Pelo contrário, as baterias LFP não só toleram bem os carregamentos completos, como beneficiam com eles: carregar até 100% ajuda a calibrar o sistema de gestão da bateria e a garantir uma leitura mais precisa da autonomia. Na prática, esta característica pode até anular a vantagem da maior densidade energética das NMC. Suponhamos que um mesmo modelo é proposto em duas versões: uma com bateria NMC de 75 kWh e outra, mais acessível, com bateria LFP de 60 kWh. Teoricamente, a primeira oferece mais 25% de autonomia. Mas, se for carregada apenas até 80%, essa vantagem pode diluir-se - e a autonomia útil no dia-a-dia acabar por ser semelhante. Saber mais , como é constituída uma bateria? As células são pequenas baterias simples que, quando ligadas umas às outras, formam conjuntos conhecidos como módulos. Uma bateria de um carro eléctrico é, regra geral, constituída por vários módulos e uma série de subsistemas acessórios necessários para o bom funcionamento das baterias. Entre estes, destaque para o sistema de gestão da bateria (Battery Management System ou BMS), responsável por monitorizar a tensão, a temperatura e o estado de carga de cada célula, garantindo a segurança e a eficiência do conjunto. Outro elemento essencial é o sistema de arrefecimento, que pode ser passivo (através do ar) ou activo (geralmente com líquido), e que assegura que a bateria opera dentro da temperatura ideal. Em conjunto, estes componentes formam um sistema altamente complexo, projectado para durar milhares de ciclos de carga e descarga, mantendo níveis elevados de segurança, desempenho e fiabilidade ao longo do tempo. Qual é mais barata de produzir e mais amiga do ambiente? LFP. A ausência de metais como o cobalto e o níquel - cuja extracção está frequentemente associada a problemas éticos e ambientais - torna as baterias LFP mais sustentáveis. Além disso, o custo de produção é consideravelmente inferior (estima-se uma poupança entre 20 a 30%). Estas são as principais razões pelas quais os eléctricos de entrada de gama tendem a utilizar esta tecnologia. Qual funciona melhor em clima frio? NMC. As baterias LFP são mais sensíveis ao frio, podendo sofrer, relativamente às NFC, perdas temporárias mais relevantes de autonomia e maior redução na velocidade de carregamento. Qual carrega mais depressa? Depende. Tradicionalmente, as baterias NMC permitiam velocidades de carregamento mais elevadas durante períodos mais longos, o que se traduzia em menos tempo parado nos postos rápidos. No entanto, os avanços nas baterias LFP - com novas arquitecturas e melhor gestão térmica - têm reduzido essa diferença. Embora os modelos topo de gama com NMC ainda levem vantagem, a verdade é que, para a maioria dos utilizadores, a diferença tornou-se cada vez menos relevante. Conclusão: Qual é a melhor para si? Não existe uma resposta única. Tudo depende do seu perfil de utilização e das prioridades que estabelece. Se faz viagens longas com frequência, valoriza a autonomia máxima, a melhor opção será provavelmente uma bateria NMC. As vantagens em climas mais frios normalmente não são relevantes em Portugal. Se utiliza o carro sobretudo em meio urbano, pretende um modelo mais acessível, quer carregar sempre até 100% sem preocupações e valoriza a longevidade e a segurança, então a melhor escolha será uma bateria LFP. tp.ocilbup@ongam.oigres Sérgio Magno