FORD KUGA PHEV: O EQUILÍBRIO POSITIVO ENTRE EFICIÊNCIA E DINÂMICA
2025-07-21 21:06:13

Prosseguindo os ensaios dos diversos modelos automóveis no mercado nacional, o LusoMotores teve oportunidade de sair para a estrada com o Ford Kuga Active X 2.5 Duratec PHEV de 243cv, porventura um dos modelos que mais nos surpreendeu nos últimos tempos, sem dúvida pela positiva, e que levantou diversas questões que mais adiante iremos procurar responder, até em peças suplementares, nomeadamente sobre a dificuldade que a Ford tem em passar a mensagem relativamente à boa qualidade deste modelo para o mercado. Sobre a Ford, uma das mais icónicas marcas da indústria automóvel global, tem uma presença histórica e significativa no mercado português, e ao longo de décadas tem sabido adaptar-se às exigências dos consumidores, oferecendo uma gama diversificada de veículos. No segmento dos SUV (Sport Utility Vehicles), a Ford tem vindo a consolidar a sua posição, respondendo à crescente procura por veículos mais espaçosos, versáteis e com uma posição de condução elevada. O Kuga, em particular, tornou-se um pilar fundamental nesta estratégia, competindo num dos segmentos mais renhidos do mercado, onde a oferta de modelos de diversas marcas é vasta. Olhando em concreto para o Ford Kuga Active X 2.5 Duratec PHEV de 243cv, encontramos um modelo que representa um passo importante na eletrificação da gama Ford em Portugal. Este modelo híbrido plug-in (PHEV) combina um motor a gasolina de 2.5 litros com um motor elétrico, resultando numa potência combinada de 243 cavalos. Deste modo, é possível encontrar ao volante uma experiência de condução equilibrada, num veículo em que a transição entre o modo elétrico e o motor a combustão é suave e quase impercetível, contribuindo para um conforto notável. A aceleração é competente, permitindo ultrapassagens seguras e uma boa agilidade no trânsito urbano. A autonomia elétrica, um fator crucial em modelos PHEV, permite percorrer distâncias consideráveis em modo puramente elétrico, o que se traduz em consumos muito reduzidos para quem tem a possibilidade de carregar a bateria regularmente. O carregamento da bateria, por sua vez, é relativamente rápido em postos de carregamento domésticos ou públicos. No que concerne à ficha técnica, para além da potência combinada já mencionada, destacam-se a caixa automática e-CVT, que contribui para a eficiência do sistema híbrido, e a bateria de iões de lítio com capacidade que garante uma autonomia elétrica até 69 quilómetros (WLPT). Depois, em particular na versão Active X, esta proposta da Ford distingue-se pelo seu visual mais robusto e aventureiro, com detalhes de design específicos e maior altura ao solo, conferindo-lhe uma imagem mais distinta e capacidade para enfrentar pisos menos convidativos. O interior é espaçoso e bem acabado, com materiais de qualidade e um sistema de infoentretenimento SYNC de última geração, que oferece conetividade Apple CarPlay e Android Auto sem fios, navegação integrada e diversas funcionalidades digitais. Design aventureiro e de cariz atrevido Com um design que aponta para o veículo capaz de enfrentar traçados mais sinuosos e pisos menos regulares, permitindo uma abordagem aventureira e desportiva, o Ford Kuga permite uma avaliação equilibrada que lhe conferem a capacidade de ser visto como uma proposta muito interessante no segmento. A eficiência energética é, sem dúvida, um dos seus maiores trunfos, permitindo reduções significativas nos custos de combustível para quem aproveita a capacidade híbrida plug-in. O conforto de condução é elevado, graças a uma suspensão bem calibrada que absorve eficazmente as irregularidades da estrada e um habitáculo silencioso. A versatilidade do Kuga é outro aspeto a sublinhar, com um bom espaço interior para passageiros e uma bagageira generosa. A tecnologia embarcada, nomeadamente o sistema SYNC, é intuitiva e oferece todas as funcionalidades que se esperam de um veículo moderno. A imagem Active X confere-lhe um aspeto mais distintivo e apelativo. Contudo, como em qualquer modelo, existem pontos a melhorar. Embora a caixa e-CVT contribua para a eficiência, em situações de aceleração mais intensa, pode manifestar um ligeiro efeito de "borracha", característico deste tipo de transmissão, onde as rotações do motor aumentam sem uma correspondência direta com o aumento da velocidade. O preço, como em muitos PHEV, pode ser um fator a considerar, posicionando-o num patamar superior face às versões puramente a combustão. Por fim, a visibilidade traseira, embora aceitável, poderia ser ligeiramente melhor, algo comum em muitos SUV dotados de linhas de tejadilho descendentes. No competitivo mercado português, o Ford Kuga Active X 2.5 Duratec PHEV 243cv enfrenta uma concorrência acirrada. Entre os seus principais concorrentes encontram-se modelos como o Hyundai Tucson PHEV, o Kia Sportage PHEV, o Toyota RAV4 Plug-in Hybrid, o Peugeot 3008 Hybrid, o Nissan Qashqai e-POWER, e até mesmo propostas mais premium como o BMW X1 xDrive25e ou o Mercedes-Benz GLA 250 e, dependendo do nível de equipamento e do posicionamento de preço. No entanto, o Kuga consegue destacar-se pela sua combinação de eficiência, tecnologia e um design robusto que apela a um público que procura um SUV versátil e com uma vertente mais aventureira. Eficiência energética deste "Plug-in" vai muito além da carga útil da bateria Uma das sensações que tive no ensaio do Ford Kuga apontou para uma capacidade de regeneração de energia notável. Normalmente, num veículo Plug-in, a tendência aponta para que o consumo de combustível aumente de uma forma muito evidente quando termina a carga da bateria elétrica, mas neste caso foi sempre possível tirar partido de uma boa regeneração de energia com a bateria a apoiar o motor de combustão em muitas situações, contribuindo para que o consumo de combustível tenha sido particularmente baixo. Esta perceção acaba por se alinhar com as características técnicas e a experiência de condução deste modelo em particular. É um dos pontos fortes do sistema híbrido da Ford e diferencia-o de alguns dos seus concorrentes. Na verdade, nos veículos híbridos plug-in, é comum que os consumos disparem assim que a bateria se esgota e o motor a combustão se torna o principal (ou único) propulsor. No entanto, o Kuga PHEV, tal como outros modelos da Ford com esta arquitetura, foi otimizado para maximizar a eficiência mesmo após o fim da autonomia elétrica pura. Isto deve-se a alguns fatores chave como uma regeneração ativa e eficaz, em que o motor elétrico, nos momentos de desaceleração ou travagem, atua de facto como um gerador, convertendo a energia cinética de volta em energia elétrica para recarregar a bateria. Esta regeneração é notável e permite acumular energia suficiente para pequenas intervenções elétricas, mesmo que a bateria não esteja completamente carregada. O Modo de funcionamento híbrido deste Ford Kuga revela-se particularmente inteligente, isto porque mesmo com a bateria "descarregada" (o que significa que atingiu o seu nível mínimo de carga para proteger a vida útil da bateria, mas não está totalmente vazia), o sistema continua a operar em modo híbrido convencional. O motor elétrico continua a apoiar o motor a combustão em acelerações, em andamento a baixa velocidade (por exemplo, no trânsito), e a desligar o motor a gasolina em desacelerações e paragens. Esta gestão inteligente da energia é crucial para manter os consumos baixos. Há ainda que ter em conta que o Kuga permite que o condutor escolha entre diferentes modos de gestão da bateria (como o "EV Auto", "EV Now", "EV Later" e, em alguns casos, "Charge Now" ou "Hold Charge"). Assim, mesmo que não esteja a usar ativamente estes modos, a própria eletrónica do veículo faz uma gestão otimizada da regeneração para ter sempre alguma carga disponível para assistência elétrica. Com todo este comportamento, o Ford Kuga PHEV não se torna um "peso morto" assim que a bateria se esgota. Ao contrário de alguns PHEV que se tornam basicamente carros a gasolina pesados e ineficientes quando a bateria acaba, o Kuga consegue manter um nível de eficiência surpreendente devido à sua forte capacidade de regeneração e à forma como o sistema híbrido continua a funcionar. A capacidade de regeneração de energia é, de facto, um dos seus pontos fortes e um fator diferenciador que contribui para os baixos consumos experimentados ao longo do ensaio, mesmo após a carga inicial da bateria se ter esgotado, dando conta de como a tecnologia híbrida pode ser utilizada de forma inteligente para otimizar o desempenho e a eficiência. Suspensão bem calibrada e conforto acima da média no segmento Já a propósito do comportamento dinâmico do Ford Kuga, e em particular da sua prestação em pisos mais irregulares, mas também em percursos mais sinuosos em contraponto com percursos em autoestrada, ficaram deste ensaio algumas notas no nosso bloco de notas, a propósito de um construtor que tem a reputação de conceber chassis que oferecem um bom compromisso entre conforto e agilidade, e o Kuga não foi de todo uma exceção perante essa perspetiva. Na verdade, a suspensão do Kuga revelou-se quase sempre bem calibrada para absorver imperfeições em pisos mais irregulares, sendo que nesta versão Active X, com uma altura ao solo ligeiramente superior e uma afinação da suspensão um pouco mais vocacionada para um perfil "aventureiro", essa capacidade de filtração revelou-se ainda mais evidente. Isso significa que os impactos de buracos e desníveis são bem amortecidos, evitando que se transmitam de forma excessiva para o habitáculo. O resultado permitido traduziu-se num elevado nível de conforto para os ocupantes, mesmo em estradas em mau estado. Não conduzimos propriamente sobre um "tapete mágico" com uma suavidade máxima, mas pudemos conhecer uma sensação de robustez e capacidade de lidar com as adversidades do piso sem sacrificar o bem-estar. Em percursos mais sinuosos, o Kuga deu conta de que as suas qualidades dinâmicas continuam a ser um dos legados da Ford, e apesar de ser um SUV, e, portanto, ter um centro de gravidade mais elevado do que um carro de passageiros tradicional, a rigidez da carroçaria e a precisão da direção são pontos fortes. Aliás, a propósito de direção, embora possa ter um toque de assistência em excesso para os puristas, mostrou ser direta e comunicativa o suficiente para que o condutor sinta confiança ao abordar curvas. O rolamento da carroçaria (body roll) é bem contido para um veículo deste segmento, o que significa que o Kuga se inclina menos do que alguns concorrentes quando se acelera em curva. Isso contribui para uma sensação de maior controlo e segurança, mesmo em ritmos mais vivos, permitindo um agradável prazer de condução em traçados mais sinuosos com curvas e contracurvas. Já em autoestrada, o Kuga brilhou pela sua estabilidade e conforto. A sua base larga e o peso adicional do sistema PHEV contribuem para uma sensação de solidez e segurança a velocidades mais elevadas. A insonorização do habitáculo é geralmente boa, com pouco ruído de vento ou de rolamento, tornando as viagens longas mais relaxantes. O sistema híbrido plug-in (PHEV) é particularmente vantajoso em autoestrada. Com a bateria a apoiar, as acelerações e recuperações são fortes e consistentes, facilitando as ultrapassagens. Mesmo quando a bateria atingiu situações com o seu nível mínimo de carga, a capacidade de regeneração do sistema permitiu que o motor elétrico continuasse a intervir pontualmente para suavizar a condução e manter os consumos sob controlo, evitando a sensação de "esforço" que por vezes se sente em outros modelos PHEV de outras marcas quando a bateria se esgota. Em resumo, e depois de longas centenas de quilómetros percorridos, o Ford Kuga ofereceu um comportamento dinâmico muito bem equilibrado, revelando-se um SUV que consegue ser confortável e resiliente em pisos irregulares, ágil e seguro em estradas sinuosas, e estável e silencioso em autoestrada. Esta versatilidade é, sem dúvida, um dos seus maiores argumentos de venda no segmento dos SUV, consolidando a reputação da Ford em oferecer veículos com uma dinâmica de condução envolvente. Habitáculo espaçoso e moldável a passageiros de maiores estaturas Um capítulo que contribui também para o bom conforto a bordo resulta do bom espaço no habitáculo para os seus cinco ocupantes, revelando-se uma opção muito sólida para famílias e para quem faz viagens mais longas. Aliás, o Ford Kuga destaca-se no segmento dos SUV médios por oferecer um espaço interior que, para muitos, se assemelha ao de veículos de um segmento superior. Tanto à frente como atrás, o espaço para pernas e cabeça é bastante generoso, sendo que dois adultos de estatura média-alta viajam confortavelmente nos lugares traseiros, sem que os joelhos toquem nos bancos da frente ou que a cabeça raspe no tejadilho. Se for preciso transportar um terceiro passageiro na fila de trás, ele conseguirá fazê-lo em viagens mais curtas, pois o túnel central não é excessivamente intrusivo. Ford Kuga Active X 2.5 Duratec PHEVFicha Técnica- Motorização: 2.5 PHEV - Cilindrada: 2488 cm3 - Potência: 243 cv - Binário combinado do sistema híbrido: 370 Nm (às 4500 rpm) - Capacidade da bateria instalada: 14,4 kW - Aceleração (0-100 km/h): 7,3 segundos - Consumo Combinado (WLTP): 5,4 L/100km - Emissões de CO2 Combinado: 123 g/Km - Autonomia Eléctrica Combinada: 68,0 Km - Bagageira: 628 litros - Dimensões: 4.747 mm (comprimento) x 2.177 mm (largura) x 1.681 mm (altura) - Distância entre eixos: 2711 mm - Preço (unidade testada): 53.790 Euros Um dos grandes trunfos do Kuga é o seu banco traseiro deslizante (com divisão 60:40), uma funcionalidade que permite aos passageiros traseiros ajustar o espaço para as pernas em cerca de 15 cm, ou, alternativamente, permite aumentar a capacidade da bagageira quando é necessário transportar mais carga e o espaço para as pernas dos ocupantes traseiros não é uma prioridade. Esta flexibilidade é um grande ponto a favor da sua praticidade. Refira-se ainda que, um pouco por todo o habitáculo, o Ford Kuga oferece diversos espaços de arrumação inteligentes, incluindo bolsas nas portas de bom tamanho, um compartimento com tampa na consola central e um espaço dedicado para smartphones, podendo, de acordo com o nível de equipamento, estar dotado de sistema de carregamento sem fios. Os bancos do condutor e do passageiro dianteiro são bem desenhados e oferecem um bom apoio, tanto lateralmente em curvas como lombar em viagens mais longas. Há uma boa amplitude de ajustes (incluindo altura e profundidade do volante, e ajuste elétrico dos bancos em versões mais equipadas), o que permite encontrar facilmente a posição de condução ideal, mesmo para condutores de diferentes estaturas. A posição elevada de condução típica de um SUV contribui para uma excelente visibilidade da estrada.Em suma, o Ford Kuga é um SUV que prioriza a habitabilidade e o bem-estar dos seus ocupantes. O espaço é mais do que suficiente para a maioria das famílias, e os seus bancos confortáveis, a suspensão bem ajustada e a boa insonorização garantem que tanto o condutor como os passageiros desfrutem de viagens relaxantes, sejam elas curtas ou longas. Notas Finais(0-10)Design7,8Materiais7,5Equipamento7,5Comportamento dinâmico7,6Espaço interior8,0Conforto7,6Posição de condução7,8Insonorização7,2Conectividade7,5Entretenimento7,3Prestações7,5Consumos7,9Percepção de qualidade global7,8Avaliação Final7,6 As avaliações nos diferentes aspectos, naturalmente subjectivas, são feitas pelo LusoMotores, ajustadas ao segmento do modelo em apreço. Uma referência para a nota relativa aos consumos, valor que tira o melhor benefício da capacidade regenerativa do conjunto num veículo que consegue uma excelente prestação da electrificação. ensaio: Jorge Reis / LusoMotores Jorge Reis