LUXO ACELERADO
2025-07-22 21:03:41

E o Rolls-Royce mais potente de sempre. São 659 CV que elevam a experiência de silêncio e refinamento dos automóveis elétricos a um patamar próximo da perfeição. A autonomia, como é tradição do construtor britânico, é a suficiente Em 1900, quatro anos antes de conhecer Henry Royce, o entusiasta do automóvel Charles Stewart Rolls escreveu um artigo de opinião sobre os veículos elétricos. “o automóvel elétrico é totalmente silencioso e limpo. Não produz cheiro ou vibrações. Serão muito úteis assim que houver estações onde os carregar”, antecipou o cofundador da Rolls-Royce. Foi preciso passar mais de um século para, em setembro de 2021, O construtor britânico confirmar a produção daquele que seria apresentado em outubro do ano seguinte como o primeiro automóvel elétrico da Rolls-Royce. Spectre, um automóvel que se move de forma silenciosa, quase impercetível. Na essência, o que a Rolls-Royce sempre procurou ao desenvolver enormes motores v12 6.6 sobre os quais é possível equilibrar uma moeda. Foi um sucesso. No entanto, clientes exigentes como os da Rolls-Royce querem sempre mais e não tardou a que os 584 cv e 900 Nm soubessem a pouco. Faltava uma versão Black Badge, ainda mais exclusiva. Ajustes à programação dos motores, 254 cv e 305 Nm no eixo dianteiro e 483 cv e 595 Nm no traseiro, permitiram elevar os valores combinados até aos 659 cv e 1075 Nm. Para descobrir o potencial do Spectre Black Badge é preciso pressionar o botão Infinity oo do volante. Não é definido como um modo de condução, porque os condutores da Rolls-Royce encontram-se acima dessas banalidades. Pela mesma razão, o launch control chama-se Spirited Mode. E esta configuração que permite retirar 0,2 segundos ao sprint do Spectre normal fixando-o ônos 4,3 segundos. Há uns anos seria impressionante... Hoje continua a ser porque, apesar de ser um tempo acessível a muitos elétricos, há poucos coupés a medir 5,49 metros e a pesar 2,9 toneladas, mais condutor que o consigam fazer. ARSENAL TECNOLôGICO Por baixo de toda a pele, madeira, lã e LEDs que dão forma a um habitáculo tão requintado quanto o gosto de quem tem 470 480 EUR para pensar em adquirir um Spectre, a configuração que ilustra estas páginas custa 582 411 EUR, encontra-se uma arquitetura em alumínio denominada Rolls-Royce 3.0. Ou, em termos “vulgares”, uma versão ainda mais refinada da base do BMW i7. Desenvolvido pelos próprios clientes, que assinaram acordos de confidencialidade para poderem conduzir versões de pré-produção antes do lançamento oficial, o Spectre Black Badge utiliza um mapa de direção mais pesado em conjunto com uma programação específica dos amortecedo-res. O objetivo é controlar os movimentos da carroçaria em curva e evitar o empinar da frente durante a aceleração, contribuindo para uma condução mais dinâmica. Não tivemos oportunidade de conduzir O Spectre Black Badge numa estrada de serra, mas fizemo-lo em autoestrada e parece um navio. Sempre que se esmaga o acelerador, a traseira afunda, a frente levanta e O Spirit of Ecstasy, de quem só vemos a ponta superior das asas, onde imaginamos o fim do interminável capot, parece voar em direção ao céu. E é assim que deve ser. Um Rolls-Royce não deve maltratar as costas dos ocupantes “à la” BMW M5. Não é um desportivo. Por isso utiliza o potencial do arsenal tecnológico que tem à disposição para maximizar o conforto. ARTE DE SER ROLLS-ROYCE Ao contrário de outros construtores que maçam os condutores com modos de condução e opções de personalização, a Rolls-Royce sabe que as escolhas só atrapalham. O perfil especial do Spectre Black Badge abriu duas exceções: o botão Infinity e o Spirited Mode, acionado com o travão e acelerador em simultâneo, como em qualquer BMW. O resto, que não é pouco, é processado em segundo plano. As barras estabilizadoras ativas são particularmente eficientes. Desativam-se em reta, para que as eventuais imperfeições pisadas por um lado não afetem o conforto do outro. Um movimento de volante reativa o sistema, que só funciona em reta. E difícil encontrar um automóvel que pise com o conforto e a solidez do Spectre Black Badge. Carregar uma bateria de 700 kg entre os eixos ajuda, mas há um refinamento difícil de igualar. A entrega dos 1075 Nm de binário é um exemplo da arte de ser Rolls-Royce. E rápido, como os 4,3 segundos da prova de arranque demonstram, sem sofrer da brusquidão que tantas vezes afeta os automóveis elétricos. E uma sensação difícil de explicar, principalmente porque se passa tudo dentro do mais absoluto silêncio. Há um volante, um par de pedais, uma paisagem a passar cada vez mais acelerada pelo para-brisas e é tudo. Não há qualquer ruído. E preciso passar dos 120 km/h para os espelhos se fazerem notar... muito ao longe. Entre o isolamento natural proporcionado pela bateria e soluções como a espuma dentro dos pneus Pirelli PZero (255/40 R23 à frente e 295/35 R23 atrás), o silêncio a bordo dos primeiros protótipos era intenso ao ponto de causar desconforto e desorientação em alguns pilotos de teste. A solução, inédita, passou por filtrar algum ruído para o interior. Acostumada a definir a velocidade máxima como “ suficiente”, a Rolls-Royce aplica a mesma teoria aos 530 km de autonomia proporcionados pela bateria de 102 kWh. Durante o breve contacto que tivemos ficámos com a sensação de que a autonomia real anda pela metade. São 250 km que, para a Rolls-Royce, são suficientes para a maioria dos clientes que, se precisarem de mais, utili-zam o helicóptero ou o avião privado. E este o nível de confiança de um construtor consciente de que, em média, produz o sétimo automóvel da garagem dos clientes. VER ESTRELAS Neste caso é importante não ser a primeira escolha. E importante ser o resultado de uma decisão ponderada, antecipada, construída à medida. E esta a essência de um Rolls-Royce, desenhado ao gosto do cliente. Para ficar com uma ideia do nível de personalização de um RollsRoyce basta considerar a paleta de 44 mil cores disponíveis para a carroçaria. Se mesmo assim o cliente não encontrar a tonalidade desejada é possível criar uma personalizada. O mesmo é válido para o interior onde, desde que cumpram os rigorosos critérios de qualidade, a pele e a madeira podem ser fornecidas pelo proprietário. Quando não dá rédea solta aos 659 CV, O Black Badge é igual aos outros Spectre. Um coupé de quatro lugares pensado para condutor e acompanhante, com um par de bancos para utilizações pontuais. Não são propriamente acanhados, mas também não são muito confortáveis. Ficam tão recuados que podem parecer claustrofóbicos. ã frente é uma sala, com uma alcatifa tão fofa e alta que o pé direito escorrega em direção ao acelerador. O volante tem excelente pega e os comandos apresentam uma mistura equilibrada entre botões e ecrãs. A porta, com perto de 1,5 metros de comprimento e articulação no pilar B, tem movimento automático. Abre com um toque e fecha com uma pressão no pedal do travão. Combinando a cor exclusiva Vapour Violet com os apontamentos em preto das edições Black Badge, o Spectre das imagens conta ainda com a grelha iluminada para tornar a presença mais imponente. No interior, o já habitual forro de tejadilho com LED a simular um céu estrelado é complementado pelo painel frontal retro iluminado, com uma constelação de mais 5500 estrelas. Henry Royce pode não ter vivido o suficiente para conduzir o primeiro Rolls-Royce elétrico, mas definiu os fundamentos que transformaram a marca britânica num ícone de conforto e refinamento. Uma arte aperfeiçoada ao longo de décadas ao som ritmado de uma dúzia de cilindros em v. Ao contrário do que acontece com os construtores “vulgares”, a Rolls-Royce, que só encontra concorrência em iates e aviões, recebeu a eletrificação como uma bênção. Era o passo necessário para atingir o patamar máximo do refinamento. Chegou lá com o Spectre e ultrapassou-o com a versão Black Badge, que se tornou no Rolls-Royce mais potente de sempre. O FIXO o centro das jantes em alumínio forjado de 23 polegadas é fixo. A grelha frontal é iluminada. O Spirit of Ecstasy pode recolher automaticamente quando o Spectre é trancado. A mala é pequena para um coupé com 5,5 metros 0 ROLLS-ROYCE MAIS POTENTE DE SEMPRE ACELERA ATE AOS 100 KM/H EM 4,3 SEGUNDOS COM UMA SOUPLESSE INIGUALãVEL A PERSONALIZAçâO ACABA NO MOMENTO DA ENCOMENDA. AO VOLANTE NâO Hâ MODOS DE CONDUçâO OU PROGRAMAS PARA A SUSPENSâO E DIREçâO METAL Todos OS cromados têm o toque frio do metal. A climatização tem uma consola independente. O relógio analógico dá um toque clássico. 0 painel frontal tem uma constelação retro iluminada com mais de 5500 estrelas ROLLS-ROYCE SPECTRE BLACK BADGE PREçO 470 480 EUR (582 411 EUR VERSãO ENSAIADA) MOTOR 2 X ELeTRICO POTeNCIA 659 CV (485 KW)/ND RPM BINãRIO MAX.900 NM/O RPM PESO 2900 KG RELAçãO PESO/POTeNCIA 4,4 KG/CV CAIXA AUTO 1 .VEL. | TRAçãO INTEGRAL ACEL. 0-100 KM/H 4,3 SEG. VEL. MAX. SUFICIENTE CONSUMO (WLTP) 40 KWH/100 KM (22,2 KWH/100 KM+) EMISSõES DE CO2 (WLTP) O G/KM CAPACIDADE DA BATERIA N. D. KWH (UTEIS: 102 KWH) AUTONOMIA ELeT. 255 KM (530 KM+) TEMPO DE CARGA (22 KW) 5,5 H (195 kW) 34 MINUTOS ATe 80% POTeNCIA MãXIMA DE CARGA EM CC/AC 195 KW/22 KW COMP: 5,48 LARG. 2,02 ALT. 1,57 (METROS) DISTãNCIA ENTRE EIXOS 3,21 (METROS) BAGAGEIRA N. D. (LITROS) *VALOR ANUNCIADO O CONFORTO | PRESTAçõES REFINAMENTO O PREçO | AUTONOMIA MALA RICARDO MACHADO