JOVENS DO SLI POSICIONAM PORTUGAL NA CORRIDA À LUA
2025-07-23 21:03:36

A Lua volta a estar no horizonte da humanidade. No CEiiA, jovens do programa Sustainable Living Innovators mostram que o futuro da exploração espacial também se escreve em português. O auditório do CEiiA, em Matosinhos, transformou-se num observatório de futuros possíveis. Ali, no coração de um centro de engenharia dedicado à mobilidade, aeronáutica e espaço, a Lua deixou de ser um ponto branco no céu para se tornar uma plataforma de aprendizagem, de desafio e de pertença planetária. No Dia Internacional da Lua, assinalado a 20 de Julho, a missão foi clara: imaginar como viver fora da Terra. E demonstrar que Portugal não está de fora desta nova era de exploração lunar. Com 29 jovens de Portugal e do Brasil reunidos no âmbito do programa Sustainable Living Innovators (SLI), a sessão comemorativa foi muito mais do que uma efeméride simbólica. Foi um ponto de partida. Ao longo da manhã, entre apresentações de conceitos e intervenções de especialistas internacionais, ficou claro que a Lua deixou de ser apenas um sonho longínquo para se tornar um destino concreto de investigação, cooperação internacional e transferência tecnológica. "A Lua inspira-me a ensinar os meus alunos a pensar como cientistas, mas também a sonhar como poetas e artistas", resumiu Juan Nolasco, da Moon Village Association. Essa dupla dimensão esteve presente em toda a sessão: da robustez técnica dos protótipos ao entusiasmo contagiante de quem vê na exploração espacial uma forma de melhorar a vida na Terra. Juan Nolasco, da Moon Village Association Anna Costa "A Lua inspira-me a ensinar os meus alunos a pensar como cientistas, mas também a sonhar como poetas e artistas", resumiu Juan Nolasco Anna Costa Fotogaleria Juan Nolasco, da Moon Village Association Anna Costa O astronauta João Lousada, convidado especial do evento, conduziu os participantes numa verdadeira viagem imaginária, desde o lançamento num foguetão Soyuz até à Estação Espacial Internacional e à futura base lunar. Mais do que partilhar experiências pessoais, ofereceu uma visão realista e apaixonada do que significa preparar o corpo humano, a engenharia e a sociedade para viver noutro corpo celeste. "Há 25 anos temos presença humana permanente no espaço. E isso só é possível através da colaboração internacional". Enquanto astronauta análogo, João Lousada tem participado em missões terrestres que simulam condições lunares ou marcianas. "Missões análogas são missões que ocorrem aqui na Terra, em locais que simulam, de uma maneira ou de outra, o ambiente espacial que queremos explorar". O objectivo é testar tecnologias, processos e comportamentos humanos antes de os aplicar em ambientes reais como a Lua ou Marte. "O que mais me surpreende é a resiliência das pessoas, a capacidade de se adaptarem a ambientes tão diferentes, com equipas de culturas e formações diversas, mas que conseguem trabalhar juntas para atingir os objectivos da missão". João Lousada Anna Costa Anna Costa_ Dia da Lua _ Dia 20 de Julho 2025 _ CEiiA Matosinhos? Anna Costa Anna Costa_ Dia da Lua _ Dia 20 de Julho 2025 _ CEiiA Matosinhos? Anna Costa Fotogaleria João Lousada Anna Costa Numa dessas missões, em Israel, o astronauta e a sua equipa viveram durante seis semanas num habitat isolado, testando tecnologias como radares geológicos, ferramentas impressas em 3D, coletes contra radiação, estufas compactas para produção de alimentos e mesmo um chuveiro que permite a higiene com apenas um litro de água. A experiência é exigente tanto a nível físico como psicológico. "Temos objectivos complexos por um lado, e por outro estamos longe da família, sem apoio directo. Conjugar estes dois factores é talvez a parte mais difícil destas missões". Temos objectivos complexos por um lado, e por outro estamos longe da família, sem apoio directo. Conjugar estes dois factores é talvez a parte mais difícil destas missões. João Lousada, astronauta análogo Esse realismo contrasta com a ideia, tantas vezes alimentada pelo imaginário popular, de que a conquista da Lua se faz apenas de foguetes e astronautas. Na verdade, é feita de preparação, testes, simulações e cooperação intergeracional. Foi isso que o SLI procurou espelhar ao desafiar os jovens a conceber, em apenas uma semana, um modelo de base lunar operativa. Não um sonho, mas um sistema orquestrado de soluções interdependentes. Entre os dias 25 de Julho e 8 de Agosto, essas ideias serão testadas com o apoio de 20 parceiros nacionais e internacionais. Os jovens do SLI têm entre os 16 e os 20 anos. Anna Costa O desafio é cooperar, inovar, criar propostas concretas para uma base lunar situada na cratera Faustini, no Pólo Sul da Lua. Anna Costa As quatro equipas de trabalho apresentaram soluções integradas para os eixos de construção, energia, mobilidade e saúde. Anna Costa Todas as propostas demonstraram que a criatividade e o rigor técnico não têm idade. Anna Costa Fotogaleria Os jovens do SLI têm entre os 16 e os 20 anos. Anna Costa Os jovens do SLI, com idades entre os 16 e os 20 anos, têm precisamente esse desafio: cooperar, inovar, criar propostas concretas para uma base lunar situada na cratera Faustini, no Pólo Sul da Lua. As quatro equipas de trabalho apresentaram soluções integradas para os eixos de construção, energia, mobilidade e saúde. Desde bases subterrâneas que protegem da radiação, a painéis solares com gestão inteligente, rovers modulares com localização própria, ou aplicações de monitorização médica em tempo real, todas as propostas demonstraram que a criatividade e o rigor técnico não têm idade. Juan Nolasco, da Moon Village Association, defendeu que a Lua "não é um destino final, é um desvio da Terra". A cratera Faustini, onde decorre a simulação, é um local particularmente desafiante, mas também rico em potencial. "Principalmente pela questão da água e do acesso aos recursos dessa região". Sublinhou ainda a importância de desenvolver tecnologias para purificação de água na Lua, que depois "podem ser usadas em água contaminada aqui na Terra". Para o investigador, é através de programas como o SLI que Portugal se posiciona "na linha da frente para a formação de jovens para a futura exploração espacial". Arquitecturar (n)o espaço Essa perspectiva foi reforçada por Monika Lipinska, arquitecta espacial e investigadora, que encerrou a sessão com uma intervenção sobre design de habitats lunares sustentáveis. "O mais importante é olhar para os humanos. Não importa o quão longe estamos, continuamos a ter as mesmas necessidades". Para Monika Lipinska, o grande desafio é encontrar equilíbrio entre a robustez técnica e o bem-estar psicológico. "Ao invés de só sobreviver no espaço, queremos que os humanos vivam no espaço". Monika Lipinska, arquitecta espacial e investigadora Anna Costa Monika Lipinska, arquitecta espacial e investigadora Anna Costa Monika Lipinska, arquitecta espacial e investigadora Anna Costa Fotogaleria Monika Lipinska, arquitecta espacial e investigadora Anna Costa No seu trabalho, a arquitecta estuda como materiais biológicos e soluções baseadas em biotecnologia podem permitir construções mais leves, resilientes e integradas no ecossistema lunar. "Com materiais biológicos, podemos levar uma pequena quantidade e depois cultivá-los directamente no destino". Esta abordagem, ainda que desafiante devido ao ambiente hostil da Lua, pode tornar-se uma mais-valia para criar um ciclo de vida fechado e sustentável. "Se conseguimos fechar o ciclo de vida na Lua, então também o poderemos fazer na Terra". Essa ligação entre exploração espacial e sustentabilidade terrestre atravessou silenciosamente todo o evento. As soluções energéticas pensadas para a Lua - como painéis ajustáveis com IA ou baterias de lítio de alto rendimento - podem ser aplicadas em zonas remotas ou em contextos de catástrofe. Os sistemas de mobilidade, como o rover modular apresentado, podem ser adaptados para missões de resgate. E as aplicações de monitorização fisiológica em tempo real têm valor imediato em situações de emergência médica. Na recta final da sessão, os jovens subiram ao palco. Ao lado de astronautas, cientistas, professores e parceiros industriais, simbolizaram a ideia-chave que atravessou todo o evento: a de que o futuro do espaço começa agora. E começa em rede, entre gerações, países, disciplinas e sonhos. Portugal pode ainda não ter enviado um astronauta à Lua, mas já está a formar quem vai desenhar as próximas missões. Através do SLI, e com programas como este, já está na corrida. Fotogaleria Protótipo Anna Costa Fotogaleria O astronauta João Lousada foi o convidado especial do evento Anna Costa Fotogaleria Jovens que integram o projecto SLI Anna Costa Conteúdo comercial