DS Nº8 À GRANDE E À FRANCESA
2025-07-23 21:04:11

Se tivermos de apresentar o novo topo de gama da DS de forma resumida, basta dizer que é um modelo “à grande e à francesa!”. Esta expressão, que nos remete para luxo, opulência e elegância, retrata perfeitamente o Número 8, que chegará ao mercado em setembro próximo, com três opções totalmente elétricas, de 230, 245 e 350 cv. A mais acessível custará 59.000EUR. Primeiro DS em 70 anos de história a ser lançado em exclusivo com motorizações elétricas, o novo N08 reclama a herança de sete décadas de uma sólida reputação de automóveis distintos, luxuosos e bastante confortáveis. Quando o vimos pela primeira vez, momentos antes de nos sentarmos ao volante, para uma dupla jornada de ensaios dinâmicos através das estradas de montanha da região francesa do Jura e dos arredores de Genebra, na Suíça, não ficámos imediatamente com uma boa impressão. Precisámos de algum tempo e, sobretudo, de viver a experiência de algumas centenas de km a bordo, em todos os lugares, ora conduzindo, ora mesmo viajando atrás, como passageiro. A comparação entre o DS N08 e o modelo que fez estrear esta designação merece alguma observação , bastante até , atenta aos pormenores, bem como ao cruzamento da experiência com o novo modelo e a memória do passado, igualmente vivida nalgumas experiências que nunca se apagaram. Em miúdo, nunca me atrevi a conduzir o DS 23 Pallas Injection Electrónique de um vizinho meu, mas jamais me esqueci de incontáveis viagens a bordo, quase sempre confortavelmente instalado no banco de trás, forrado a couro negro, que sempre me fez pensar neste automóvel como um sofá rolante. Quando me sentei atrás, no novo DS N08, estas memórias reabriram-se como se as tivesse vivido não há 50 anos, mas sim há muito pouco tempo... Devo confessar que rapidamente estabeleci paralelos entre esse DS 23 em que tanto viajei e o novo DS N08. As linhas do novo modelo são estranhas, tal como em 1955 foi considerado o DS original. A frente, de um e de outro, não foram um amor à primeira vista para ninguém e não foi à toa que em Portugal puseram a alcunha de “boca de sapo” ao DS. Mas habituámo-nos e isso tornou-se num fator de diferenciação, que contribuiu para a imagem de elegância. E vistos de perfil, a silhueta permanece com o mesmo princípio, destacando-se a linha superior que vai descendo em direção à traseira. Isso não faz do DS N08 um coupé, nem tão pouco é um SUV, muito embora as dimensões avantajadas e altas, tal como estas duas condições contrariam a imagem de uma “limousine”. O mais certo é dizermos que o DS N08 é tudo isso ao mesmo tempo. E independentemente das formas, os 4,82 metros de comprimento por 1,58m de altura e 1,90m de largura permitem que uma vez a bordo sintamos que o espaço disponível é acima da média. Os 2,90m de distância entre eixos permitem que o habitáculo seja realmente amplo e atrás ainda há uma bagageira volumosa, com 620 dm3 de capacidade. Baseado numa plataforma já “com barbas”, que recentemente deu expressão à última gama dos Peugeot 3008 e 5008, o DS N08 terá mais tarde uma versão híbrida, mas para já vai chegar apenas com três opções elétricas, com potências de 230, 245 e 350 cv, e todas oferecem uma reserva momentânea de potência, disponibilizando 30, 35 e 25 cv adicionais, para uma subida até aos 260, 280 e 375 cv! A motorização mais potente fica reservada para a variante com tração integral, com motores à frente e atrás, enquanto as outras duas são de tração dianteira. Em termos de autonomia, a DS assegura que os valores WLTP são de 550 (230 cv), 750 (245 cv) e 688 (350 cv) quilómetros com um único carregamento. E em termos de tempos de recarga, podemos indicar que a bateria da versão “Long Range” de 350 cv, com células de níquel, manganês e cobalto, aceita até 160 kW de corrente contínua que em apenas 10 minutos acrescenta mais 200 km de alcance. E a recarga dos 20 aos 80% faz-se em apenas 27 minutos! Qualquer dos DS N08 atinge 190 quilómetros por hora de velocidade máxima e enquanto o mais potente acelera dos 0 aos 100 km/h em 5,4 segundos, os modelos de 230 cv e 245 cv precisam de 7,7 e 7,8 segundos, respetivamente, para atingir os 100 km/h. Conduzimos as versões de 230 e 350 cv e, condicionados pelas limitações legais, percebemos que o motor menos potente chega perfeitamente para viajarmos em bom ritmo. E dentro dos parâmetros considerados legais, não há nenhum reparo ao desempenho. Como andámos quase sempre em montanha, deu para sentir que a suspensão nos deixa bem agarrados à estrada, sem nos massacrar com demasiada firmeza. O mais espantoso desta experiência foi termos terminado sempre com quase a mesma autonomia com que partimos para a estrada. Não que haja milagres, mas as subidas foram sempre bem mais suaves que as intermináveis descidas, que permitiram regenerar significativamente a carga da bateria, demonstrando que a condução elétrica é uma realidade cada vez mais apurada. E fiável. Afinal, os 550 quilómetros de alcance médio da versão do DS N08 com menor autonomia permitem ir vencer as maiores distâncias de um longa viagem em Portugal sem preocupações, como ir de Lisboa ao Porto sem parar, ou da capital até ao Algarve igualmente sem interrupções. Alexandre Correia (texto) Nascido sob o nome de código VGD, acrónimo de “veículo de grande difusão”, o primeiro DS começou a ser pensado em 1938, mas a Segunda Guerra Mundial congelou o projeto, que acabaria por ser recuperado apenas em 1950. E a partir do momento em que o DS voltou ao gabinete de projetos da Citroën, foram precisos cinco anos até ao seu lançamento. A estreia do DS, a 6 de outubro de 1955, foi absolutamente marcante: assim que o público pôde ver o modelo, no Salão Automóvel de Paris, só no primeiro dia do certame registaram-se 12.000 pedidos e até ao encerramento do certame, uns dias mais tarde, as vendas efetivas tinham atingido as 80.000 unidades. Quase 20 anos depois, a 24 de abril de 1975, quando a produção chegou ao fim, tinham sido fabricadas 1.456.115 Citroën DS, divididos por uma gama que, além da “limousine” de quatro portas e seis ou cinco lugares, chegou a contar com uma prática carrinha de cinco portas e três filas de assentos e um descapotável de duas portas e quatro lugares. Com o passar dos anos, a memória dos DS nunca se perdeu e o modelo ficou para a história do automóvel como um dos mais sólidos símbolos do luxo, elegância e conforto franceses sobre rodas. Daí que em 2014 a sigla DS saiu como que de uma longa hibernação, para prestigiar uma versão especialmente rica do Citroën C3. Em 2015, a DS libertou-se da Citroën e ganhou estatuto de marca própria. Numa primeira fase, pretendia-se conquistar alguma clientela europeia, mas sobretudo os chineses, que tiveram mesmo direito a modelos exclusivos. E o maior de todos os DS veio até da China, mas rapidamente passou ao esquecimento e é como se nunca tivesse existido. Falamos do número 9, que nesta apresentação foi simplesmente ignorado. E hoje, embora presente em cerca de quatro dezenas de países, a DS aposta sobretudo na Europa, onde concentra a maioria dos 450 concessionários exclusivos. Aos DS 3, DS 4 e DS 7, a partir de setembro junta-se o novo DS 8, que será lançado em Portugal com um preço de entrada de 59.000 euros (Nº8 Pallas FWD 230 cv). O modelo de 245 cv, com equipamento Pallas, tração dianteira e bateria “Long Range”, custará 64.500 euros.com o equipamento mais rico, designado por Étoile, a versão de 230 cv custa 65.000 euros e a de 245 cv “Long Range” sobe para 71.100 euros. Finalmente, a versão Étoile 4x4, com 350 cv, será vendida por 75.600 euros. O nível topo de gama, designado por Jules Verne, fica reservado aos motores de 245 e 350 cv, mas somente estará disponível mais tarde e os preços ainda não são conhecidos. FICHA TÉCNICA DS N08 PALLAS FWD 230 Motor elétrico Bateria iões de lítio, 73,7 kWh Potência 169 kW / 230 cv (260 cv de potência máxima no pico) Binário 343 Nm Tração dianteira Transmissão auto. 1 velocidade + marcha atrás Suspensão tipo McPherson (dianteira), multi-link (traseira) Comprimento 4820 mm Largura 1900 mm Altura 1580 mm Bagageira 620 litros Peso 2132 kg Consumo 15,7 kWh/100 km (ciclo combinado WLTP) Autonomia EV 550 km (anunciada) Acel. 0-100 km/h 7,7 segundos Velocidade máx. 190 km/h Tempos de carregamento 3h20 , 22 kW AC (20-80%) 0h27 , 200 kW DC (20-80%) PREÇO desde 59.000EUR DS N08 GAMA EM PORTUGAL VERSÃO POTÊNCIA BATERIA AUTONOMIA* PREÇO FWD 230 230 cv 73,7kWh até550km desde59.000EUR FWD Long Range 245 245 cv 97,2kWh até750km desde64.500EUR AWD Long Range 350 350 cv 97,2kWh até688km desde75.600EUR * ciclo combinado WLTP. DS: 7 DÉCADAS DE PERCURSO, DO PIONEIRO AO DS N08 Alexandre Correia