TROCA DE BATERIAS A NOVA FORMA DE IR À BOMBA
2025-07-23 21:05:07

Reduzir o tempo de espera nos carregamentos de bateria é importante para convencer os últimos resistentes da validade do carro elétrico como meio de transporte prático para uso diário. A Ample não é a primeira a propor trocar uma bateria descarregada por uma pronta a usar, mas quer ser a primeira a prometer compatibilidade entre marcas. Com a mobilidade elétrica a crescer em todo o mundo, a questão da recarga rápida continua a ser um dos principais desafios enfrentados por utilizadores e fabricantes. As longas esperas associadas ao carregamento de veículos elétricos ainda são um entrave para a adoção em massa por todo o público, sobretudo fora dos centros urbanos. Neste contexto, uma tecnologia que estava longe do uso geral volta agora à ordem do dia: a troca de baterias. Num processo que pode demorar apenas alguns minutos, esta solução promete perder tão pouco tempo parado como um carro a gasolina. A mais recente aposta neste conceito chega através da Free2Move, empresa de soluções de mobilidade do grupo Stellantis. Em parceria com a Ample, uma startup califor-niana especializada em tecnologia de troca de baterias, a Free2Move vai operar uma frota de veículos Fiat 500e na cidade de Madrid, com a particularidade de poderem trocar de bateria em apenas cinco minutos. A operação comercial arranca este ano com uma frota de cem veículos, depois de um teste realizado o ano passado com 40 unidades. A chave do sistema da Ample está na criação de unidades de bateria modulares, concebidas para se adaptarem a diferentes plataformas de veículos, com tamanhos e capacidades variáveis. No entanto, para usufruírem desta tecnologia, os automóveis precisam de passar por um processo de conversão. A substituição das baterias realiza-se em estações próprias, com aspeto de garagem automatizada, onde o carro entra, o sistema identifica o modelo e procede à substituição da bateria descarregada por uma totalmente carregada. A aposta da Stellantis e da Free2Move não é um caso isolado. A corrida pela troca rápida de baterias promete atrair novos jogadores, numa tentativa de ultrapassar a lentidão da expansão da infraestrutura de carregamento. Um dos nomes em destaque é o da CATL, maior fabricante mundial de baterias para veículos elétricos e também fornecedora da própria Stellantis. No final de 2023, a CATL apresentou o Choco-Swap, um serviço de troca de baterias com promessas ainda mais ambiciosas, em que a substituição pode ser feita em apenas 100 segundos, ou um minuto e quarenta. Lançado na cidade chinesa de Xiamen, o Choco-Swap pretende ter até mil estações de troca a funcionar até ao final de 2025. A meta é alcançar 30 mil postos até 2030, muitos deles integrados em estações de serviço já existentes, de forma a reciclar a infraestrutura atual. Para além do uso automóvel, estas baterias terão também aplicação na rede pública de energia. Para já, a solução da CATL está limitada a construtores chineses como a BAIC, FAW, SAIC, GAC e Changan, alguns dos maiores grupos automóveis da China. Um dos pioneiros no setor foi a NIO, também chinesa, com o seu sistema Power Swap, lançado em 2020 na China e expandido para a Europa em 2022. Apesar de inovador, o serviço é exclusivo para veículos da marca, o que restringe o seu alcance. Até à data, a NIO conta com apenas 60 estações ativas na Europa. Outras marcas tentaram abordagens distintas. A Audi, por exemplo, lançou em 2021 o Audi Charging Hub, uma solução de carregamento ultrarrápido com design moderno e espaço fechado, mas que não prevê a substituição de baterias. Está presente apenas em algumas cidades da Alemanha, Suíça e Áustria, e foca-se sobretudo em oferecer conforto e velocidade no carregamento tradicional. Agora com um novo fôlego, a tecnologia de troca de baterias está prestes a atingir a sua maturidade como opção tecnológica, aliada a parcerias estratégicas e à ne-cessidade crescente de soluções práticas para mobilidade elétrica, principalmente para quem não é proprietário de uma garagem ou para quem não pode recorrer aos postos de carregamento rápido, cuja utilização regular é mais cara que o carregamento em casa durante a noite. E assim pode criar-se uma inovação na língua portuguesa, em que continuamos a “ir à bomba”, mesmo num veículo movido a eletricidade. Paulo Manuel Costa (texto) Paulo Manuel Costa