PARAÍSO DE TRANQUILIDADE
2025-07-23 21:05:13

Não existe uma fórmula única para a felicidade e para o bem-estar, nem uma escolha unanime para as férias ideais. Porém, é provável que, para muitos, nessa definição a palavra tranquilidade assuma uma grande relevância. Se é o seu caso, a Serra de Peneda tem tudo para o surpreender final, é tão fácil surpreendermo-nos! Convencidos de que era só mais uma visita ao Gerês decidimos, desta vez, aceder àquele que é o único Parque Nacional em Portugal, através da porta do Mezio, desde Arcos de Valdevez, mas em vez de tomarmos a direção “ habitual” da Barragem da Caniçada, procurámos as placas rumo à aldeia de Soajo onde está o maior conjunto de espigueiros (24, o mais antigo datado de 1782) de toda a região do Minho. Além de aproveitarmos para conhecer estas estruturas comunitárias que ainda hoje são usadas para armazenar os cereais, resguardando-os da humidade do inverno e dos predadores, tivemos em conta que é daqui que parte a estrada que nos levará até Melgaço, um percurso de 50 km e inúmeras paragens para apreciarmos uma paisagem avassaladora, dominada por majestosas formações graníticas por entre as quais espreitam pequeónos lugarejos que por esta altura ganham nova vida com o regresso (temporário) daqueles que tiveram que partir. Ainda em Soajo, seguindo pela N308, junto ao Restaurante “Saber ao Borralho” vire à direita e prossiga sempre pelo caminho da Costa Velha, para encontrar 11 km mais adian-te o Miradouro de Tibo, local de paragem obrigatória que nos mostra uma paisagem totalmente diversa daquela que domina a região do Gerês. Percebemos, então, de forma clara, o porquê da denominação Peneda-Gerês, tais as diferenças entre as duas serras (Gerês e Peneda), diferenças essas que se manifestam muito para além da paisagem. Se Ono Gerês a pressão turística (e urbanística) está comprometer a beleza e autenticidade, na Peneda tudo é ainda puro, belo e tranquilo. Tranquilidade que é crucial manter também na condução pois estamos em território de cavalos selvagens e gado da raça Cachena (típica da região) que vagueiam livremente pelos campos e, também, pelas estradas. Aqui e ali não resistimos a uma paragem, para desfrutar do silêncio absoluto, para nos refrescarmos num dos ribeiros de águas cristalinas ou para percorrer uma das brandas. Estas estruturas em pedra, às vezes com dois pisos (em cima para as pessoas e em baixo para o gado), cujas origens remontam há milhares de anos, serviam para abrigar os pastores que no verão se deslocavam para o topo da montanha à procura de melhores pastagens para o gado. No trajeto de menos de 500 metros entre a branda de Santo António, impecavelmente preservada, e a branda da Aveleira (casas recuperadas que podem ser alugadas), vale a pena parar para almoçar no restaurante “O Brandeiro” que serve diversas iguarias da região. UM VW GOLF PARA 7 O caminho aqui é em calçada, por vezes bastante danificada, nada que atemorize o Volkswagen Caddy, o nosso companheiro nesta viagem em que utilizámos a surpreendente versão longa com a motorização híbrida plug-in. Surpreendente?... não tanto se tivermos em conta que o Caddy tem por base a última geração do Volkswagen Golf, nomeadamente, a plataforma MEB reconhecida pelo conforto e pela dinâmica que consegue oferecer. Disponível em versão de carga e para passageiros, com motores a gasóleo (TDI, de 102 cv), a gasolina (TSI, de 116 cv) e híbrida plug-in (150 cv) esta última foi a nossa escolhida, na configuração com três filas de bancos, para sete adultos e bastante bagagem, mesmo com a ocupação máxima. Ao espaço e ao conforto, à versatilidade e ao pra-zer de condução, o vw Caddy eHybrid adiciona outra característica que justifcou a nossa escolha: a economia e o respeito pela natureza garantido pela propulsão híbrida plug-in, também disponível para a versão Cargo. Depois de um primeiro contacto em cidade nos ter mostrado que a autonomia totalmente elétrica superior a 100 km é uma realidade, carregámos a bateria num posto de 50 kW (25 minutos) para prosseguirmos a viagem por autoestrada. Em modo híbrido, que gere o funcionamento dos motores elétrico e a combustão, verificámos que ao cabo de 180 km (quando a energia na bateria se esgotou e o motor elétrico deixou de poder dar o seu contributo) o consumo médio não ia além dos 3,2 l/100 km. Percebemos, porém, que para uma viagem longa que contemple autoestrada e cidade O Caddy oferece a possibilidade de reservarmos uma determinada percentagem da energia elétrica para que o motor elétrico possa funcionar à chegada à cidade, por exemplo, maximizando a eficiência. ARTE DE BEM RECEBER Nesta viagem pela Serra da Peneda recorremos a esta funcionalidade para percorrermos em modo 100% elétrico locais que importa que continuem imaculados, como Castro Laboreiro, o Santuário da Senhora da Peneda e Melgaço. Locais de enorme beleza, repletos de significado e encanto, como Cevide, a uma dezena de quilómetros de Melgaço, mesmo à beira do rio Minho, onde o “Marco n01” assinala o preciso local onde Portugal começa. Tanto quanto pelo simbolismo, vale a pena conhecer a história deste pequeno lugar de contrabandistas, camponeses que arriscavam a vida vendendo café (por exemplo) do lado de lá da fronteira, na povoação de Cortegada, pequena estância termal que não pode deixar de visitar nem que seja apenas para conhecer o magnífico restaurante instalado no antigo Balneário, mesmo junto ao rio. Comer bem é, aliás, uma arte que O Minho cultiva de forma especial e que Melgaço honra por inteiro no restaurante “Sabino”, em pleno centro histórico da vila. Melgaço (o ponto mais a norte de Portugal) e Monção que formam uma de sub-região do vinho Alvarinho, caracterizada pelo clima específico, decorrente da proximidade ao rio Minho e, principalmente, da cadeia montanhosa que protege as vinhas dos ventos atlânticos, dando origem a vinhos afamados que são a principal fonte de emprego e subsistência da região. A visita às adegas é, por isso, uma experiência a não perder. As Festas de Melgaço, entre 2 e 15 de agosto são outro dos momentos altos do ano, enquanto os aman-tes de desporto como o canyoning, o rafting ou a canoagem vão, com certeza, ficar fascinados com as múltiplas oportunidades oferecidas pelos rios Minho e Laboreiro. A beleza e diversidade das paisagens que caracterizam a região de Monção e Melgaço, convidam a um passeio pelos campos e pelas florestas de faias e carvalhos onde a frescura e o silêncio absoluto convidam a uma permanência prolongada. No regresso, para entendermos ainda melhor o contraste entre as duas serras que formam O Parque da PenedaGerês, podemos optar pela N202 (e depois a N101) que acompanha a fronteira com a Galiza, até Valença e aí optar entre a autoestrada A3 em direção a Ponte de Lima e Braga, ou em alternativa, prosseguir pela N13, para Vila Nova de Cerveira e Caminha. Qualquer que seja a opção vai ficar claro porque é que dizemos que a Peneda é mesmo um paraíso de tranquilidade. O OBRIGATóRIO O Santuário da Senhora da Peneda (foto à esquerda) é um dos locais de visita obrigatória percorrendo a N202, rumo às portas de Lamas de Mouro e atravessando um impressionante vale glaciar EVOLUíDO O Volkswagen Caddy oferece espaço e conforto para sete ocupantes, o que não admira se tivermos em conta que o ponto de partida é a plataforma do Volkswagen Golf. O interior possui todas as funcionalidades mais avançadas. o acesso aos lugares traseiros é feito através de duas portas deslizantes PODEMOS RESERVAR A ENERGIA ELeTRICA PARA A CONDUçaO NA CIDADE OU PARA PRESERVARMOS ESTAS PAISAGENS ENCANTADORAS DESPORTOS os rios Minho e Laboreiro garantem condições de excelência para a prática de desportos como o canyoning. Ou, simplesmente, para nos refrescarmos e desfrutarmos da tranquilidade e da beleza única da paisagem MILENAR Os espigueiros do Soajo são estruturas milenares que ainda hoje têm a função original: abrigar os cereais das intempéries e dos predadores. Em baixo uma das múltiplas festas que por esta altura animam as vilas e aldeias AVENTURAS Nas Portas de Lamas de Mouro os cavalos selvagens e o gado da raça Cachena vivem em total liberdade,na companhia dos cães da raça Castro Laboreiro. Em Cevide (fotos abaixo) começa Portugal. Terra de contrabandistas que driblavam os polícias dos dois lados da fronteira, às vezes pagando com a vida a ousadia de querer ganhar mais uns tostões, num tempo em que a miséria imperava VOLKSWAGEN CADDY EHYBRID PREçO 43 312 EUR MOTOR GASOLINA 4 CIL. 1498 CC (HíBRIDO PLUG-IN) POTéNCIA 150 CV (110 KW)/3500 RPM BINâRIO MAX. 320 NM/1500-3000 RPM CAIXA AUTO 6 VEL. TRAçâO DIANTEIRA ACEL. 0-100 KM/H ND SEG. VEL. MAX. 183 KM/H CONSUMO 0,5 L/100 KM (1,3 L+) | CAPACIDADE DA BATERIA 25,7 (19,7 UTEIS) KWH AUTON. ELéT. 110 KM (120 KM+) TEMPO DE CARGA (11 KW) 2,5H | COMP: 4,85 LARG. 1,86 ALT. 1,86 (M) DIST. ENTRE EIXOS 2,97 (M) BAGAGEIRA 3500 (l) *VALOR ANUNCIADO 0 ESPAçO VERSATILIDADE CONFORTO SISTEMA MULTIMéDIA CONSUMO SEM BATERIA AS DIFERENçAS ENTRE AS SERRAS DO GERÊS E DA PENEDA MANIFESTAM-SE NA PAISAGEM E NA TRANQUILIDADE BRANDAS As brandas tiveram um importante papel na região, servindo de apoio aos pastores. Em Melgaço não deixe de visitar uma das quintas produtoras do famoso vinho Alvarinho. Obrigatório, também, atravessar a fronteira para almoçar, junto ao Rio Minho, no antigo balneário de Cortegada JÚLIO SANTOS