pressmedia logo

EDITORIAL - EDITORIAL - A MELHOR SOLUÇÃO POSSÍVEL

Blue Auto

2025-07-24 21:06:54

A transição energética progride a bom ritmo, com a indústria automóvel a evoluir a passos largos dos combustíveis fósseis para a eletrificação. A prová-lo, no último ano os carros totalmente elétricos atingiram a sua maior quota de mercado de sempre: quase 20% das vendas globais de veículos ligeiros. Uma progressão que se anuncia imparável: a consulta especializada BloombergNEF prevê que no final de 2025 as vendas de elétricos em todo o mundo se aproximem das 22 milhões de unidades, o que a confirmar-se representará um crescimento homólogo de 25%. E à medida que a tecnologia dos motores elétricos se torna mais acessível e cada vez mais atrativa face aos motores de combustão interna, os construtores automóveis aceleram a eletrificação das suas gamas, passando a oferecer cada vez mais veículos zero-emissões. Apesar dessa realidade incontornável, confirmada pelos números e pelas previsões, a transição energética continua a ser posta em causa por alguns setores, que aproveitam as hesitações e percalços inevitavelmente associados a uma mudança tão disruptiva como aquela agora em curso para voltar a questionar a necessidade dessa transição e, com isso, também a validade da mobilidade elétrica. Neste último caso, através da reafirmação de posições e conclusões sem fundamento, que não correspondem à verdade. Uma das mais comuns é a que defende o argumento de que os automóveis elétricos nem sequer são menos poluidores do que aqueles equipados com motores térmicos, estes sim apresentados como cada vez mais “limpos” e energeticamente eficientes. Todos esses argumentos falham, regra geral, no básico, que é relembrar que a eletrificação tem como fundamento a necessidade absoluta de descarbonizar o automóvel, um verdadeiro desígnio social e não simples opção política ou tecnológica. E a juntar a isso, falham também porque não conseguem contrariar o facto que nos diz que a eletrificação é, à falta de outra melhor, a solução mais viável para o automóvel atingir mais rapidamente esse desígnio que é a descarbonização. Antes de mais, porque os carros elétricos poluem sim menos do que os carros a gasolina ou a diesel. E isso é um facto científico. Como nos relembra a principal conclusão de um recente estudo publicado pelo insuspeito ICCT , Conselho Internacional para o Transporte Limpo (uma organização independente, sem fins lucrativos, que fornece pesquisas e análises técnicas e científicas imparciais de alta qualidade), ao afirmar que não só os veículos elétricos são o tipo de propulsão mais “limpo” (leia-se: menos poluente), como a vantagem ambiental face às outras formas de motorização está mesmo a crescer mais rapidamente do que o previsto. O estudo levou em consideração o potencial contributo para o aquecimento global dos automóveis de passageiros vendidos na União Europeia, avaliando as emissões de gases com efeito de estufa ao longo do ciclo de vida dos veículos e das baterias, desde a produção até à sua reciclagem, passando pela produção de combustível ou eletricidade, pelo consumo e pela manutenção. Comparando todo o tipo de motorizações , a gasolina, diesel, gás natural, híbridos elétricos, híbridos plug-in, elétricos a bateria e elétricos a pilha de combustível alimentada a hidrogénio ,, esse estudo atualizado estima nomeadamente que as emissões de um veículo de passageiros do segmento médio equipado com motorização BEV (100% elétrico a bateria) são hoje 73% inferiores às de um modelo equivalente a gasolina, enquanto as de um HEV e as de um PHEV são cerca de 20% e 30% inferiores, respetivamente. Os automóveis elétricos são aqueles que menos poluem, e sabemos agora que poluem cada vez menos. O que só confirma aquilo que já se sabia: que a mobilidade elétrica não tem de ser a única solução para descarbonizar, que pode até não ser a melhor solução, mas que é sim, pelo menos por enquanto, a melhor solução possível