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AMBIENTE - GRANDES E PEQUENAS EMPRESAS RENDIDAS AO DESÍGNIO DA CONSTRUÇÃO VERDE

Dinheiro Vivo

2023-08-26 06:00:12

1 GRANDES PEQUENAS EMPRESAS RENDIDAS AO DESÍGNIO DA CONSTRUÇÃO VERDE Há soluções desenvolvidas em Portugal que estão a ditar o caminho da sustentabilidade de um dos setores mais poluentes do mundo. Desde novos materiais, onde a preocupação é o aproveitamento de resíduos, até tecnologias que permitem construir edifícios eficientes, há uma revolução em CUrSO. Até 2060, a quantidade de embodied carbon (carbono incorporado) proveniente dos materiais de construção pode atingir a marca alarmante de 100 giga tons - o equivalente à edificação de uma cidade como Nova Iorque, por mês, lembram os fundadores da building. Esta st ami p portuguesa quer inverter esse caminho, assim como as outras quatro empresas que o Dinheiro Vivo ouviu e deixa aqui como exemplo. São apostas para a construção de um mundo mais amigo do ambiente. bulld.lng põe IA ao serviço do ambiente A building, startup criada pelos jovens engenheiros civis Elias Silva e Leonardo Pappas, desenvolveu uma solução baseada on Inteligência Artificial (IA) e machine learning que permite analisar e simular diferentes cenários de disposições construtivas, tendo e m conta critérios como a eficiência energética, materiais, custo, tempo de construção e emissões de carbono. Como explicam, a plataforma da building é uma ferramenta para utilizar na fase de conceção dos empreendimentos, momento em que é possível estudar e testar os materiais a usar na obra, em que quantidade e em que pontos da estrutura. "Garantimos edifícios mais sustentáveis e eficientes, por-que estudamos múltiplos cenários de design", recorrendo a elementos de arquiteturae engenharia, dizem os empreendedores A solução tecnológicapermite construir imóveis "mais sustentáveis e eficientes" e "reduzir os eidos de projeto, re-trabalho e despe rdidos". A startup ainda está a dar os primeiros passos, mas já despeitou atenções. A building foi uma das três ideias vencedoras da Final Nacional do ClimateLaunchpad 2023, organizada pela UFTEC - Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, e vai agora representar Portugal na final europeia daquela que é a maior competição mundial de projetos deantech (em português, tecnologias limpas). Elias Silva e Leonardo Pappas, cuja experiência profissional engloba trabalhos em edifícios em betão, aço e estruturas mistas, coberturas metálicas, pontes e pavilhões industriais, lançaram-se neste projeto com a vontade de "promover mudanças positivas", num setor "responsável por aproximadamente 40% de todas as emissões de carbono e oerca de 1/3 de todo o lixo gerado na Europa". Como afirmam, "trabalhamos para construir edifícios que sejam neutros na emissão de carbono" e com a ambição de ir "para além de Portugal".com a building "temos o grande sonho de salvar 1 trilião de Kg C02 e estar presentes em toda a Europa até 2028". Poupança de água é o foco da OU Cerca de 70% do consumo de água numa casa ocorre dentro da casa de banho e, destes 70%, cerca de 30% deve-se ao autoclismo. Alterar esta realidade através de soluções que limitem o uso deste recurso, evitem o seu desperdício e permitam a utilização de águas salgadas é o foco da maior fabricante de autoclismos da Europa do SuL Desde o início da década de 90 que a portuguesa Oli trabalha no desenvolvimento de produtos que garantam a proteção dos recursos hídricos. Foi, aliás, pioneira na massificação da dupla descarga, hoje comum nas casas portuguesas, mas que exigiu uma alteração de comportamento dos consumidores. A empresa de Aveiro, que experta para mais de 90 países, tem uma equipa de 20 engenheiros alocados ao desenvolvimento de projetos e produtos inovadores com o objetiw de criar um espaço de banho sem desperdício de agua. Só no ano passado, investiu 1,2 milhões de euros em inovação, adianta António Ricardo Oliveira, administrador da empresa. Entre as mais recentes apostas da Oli, destaca-se a inclusão de matéria-prima reciclada em alguns materiais e a incorporação de tecnologia dentro de tanques de autoclismos para monitorizar o consumo e a aferição de potenciais fugas ou perdas. A fabricante reconhece que a poupança da água é um desafio constante, mas com artigos eficientes pode chegar aos 30%. Um claro beneficio ambiental, a que acresce uma redução substantiva na fãtura mensal. A Oli tem sduções de dupla descarga que garantem essa eficiência, asam como autoclismos capazes de funcionar com água salgada, que são cada vez mais utilizados em países onde a água potável é cada vez mais escassa, diz. Ainda assim, aOli depara-se muitas vezes com requisitos legais e normativos em mercados externos que impedem a implementação destas inovações. Mlcrocrete Inova com excedentes de produção A Mia ocre te, empresa especializada no fabrico de microcimento material para revestimento de acabamentos, com aplicação em paredes, pavimentos, tetos e inclusive móveis desenvolveu um produto para o setor da construção à base de excedentes de produção que simula a pedra natural. O M Saba é fabricado com microamento, pó de mármore, granito e óxidos de ferro. Como explica Sérgio Vasconcelos, CEO da Miaocrete, os resíduos provenientes do processo da limpeza das máquinas de produção de microcimento são incorporados no fabrico do M Sabi, evitando o desperdício e contribuindo para a economia circular O desenvolvimento deste novo material, que exigiu um investimento de 50 mil euros, foi também uma resposta às necessidades do mercada O M Sabi permite criar um ambiente em pedra em espaços internos e externos, em paredes e chão, e pode ser aplicado sobre revestimentos já existentes, evitando demolições e transporte de escombros. Segundo o gestor, o produto é leve e flexível, apresenta grande resistência mecânica, e tem uma espessura de apenas sete milímetros, o que feci lita o transporte e a instalação. Este ano, ganhou o Prémio Inovação da Tektonica, mas está a ser produzido desde 2022. Sérgio Vasconcelos já o aplicou numa obra na Comporta - cerca de mil metros quadrados foram revestidos com M Sabi e está a desenvolver o trabalho de apresentação nos mercados externos, onde está a despertar muita curiosidade em países como França, Itália e Estados Unidos. Entretanto, a Microcrete decidiu voltar a olhar para o M Liner, produto pre miado em 2018, de forma a que possa ser aplicado em paredes e ligar e desligar as luzes de uma casa sem in- 80% a utilização de fios elétricos DST desenvolve betão ecológico A DST está apta a lançar no mercado um novo tipo de betão, cuja produção assenta na utilização de resíduos de construção e demolição e de subprodutos da indústria siderúrgica. O betão ecológico reduz em 30% a incorporação de agregados naturais, de que são exemplo as areias, e potencia a economia circular, através da reciclagem dos detritos da indústria da construção. É também uma resposta à pegada ambiental do setor da construção. O betão (tradicional) éo segundo produto mais consumido no mundo a seguir á água. Segundo Mafalda Rodrigues, responsável do projeto, "existem vários caminhos que a indústria da construção pode seguir com vista à sustentabilidade do se tor e um deles tem a ver com a re dução do consumo intensivo de agregados naturais, nomeadamente na produção de betão e de misturas betuminosas através da sua substituição por agregados reciclados". O outro é "dar um fim aos re síduos inertes provenientes de de molições" e promover-lhes uma nova vida. O betão ecológico foi desenvolvido no âmbito do CirMat, projeto orçado em meio milhão de euros que envolveu a DST, o Instituto Supe rior Técnico, a Universidade do Minho e a Norwegian Universty, tendo-se materializado para já na construção de duas paredes estruturais. O desafio agora é a sua colocação no mercado. Como refere Mafalda Rodrigues, o betão ecológico pode ser utilizado em qualquer tipo de obra, estando a sua utilização dependente da abertura dos donos de obra a estes produtos inovadores. O papel de projeristas, promotores e arquitetos é "fundamental para potencializar a sua aceitação", sublinha. O grupo DST tem capacidade produtiva assegurada nas suas cinco centrais de betão no pais, a que soma duas unidades licenciadas para rece ber resíduos inertes de construção e demolição. r Empresas de construção cada vez mais comprometidas com a defesa do ambiente. FOTO: RU OUVE KA/GLOttU. HAGE US Microcrete ganhou o Prémio Inovação da Tektonica 2023 com um material produzido à base de resíduos, que simula a pedra natural. Mercados estão interessados.