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UMA MANOBRA, UMA PASSAGEM, UMA VITÓRIA: PIASTRI BATE NORRIS E VENCE GRANDE PRÉMIO DA BÉLGICA (APÓS ATRASO DE MAIS DE UMA HORA)

Observador Online

2025-07-28 21:04:00

Demorou mas foi: depois do adiamento do arranque por mais de uma hora devido à chuva, Piastri conseguiu ter uma manobra perfeita para passar Norris e liderou toda a corrida. Leclerc fechou o pódio. Uma paragem de três semanas, uma notícia que prometia mudar o jogo no Mundial de Fórmula 1. Entre as dificuldades que Charles Leclerc e sobretudo Lewis Hamilton continuam a enfrentar na Ferrari, as mudanças que Adrian Newey vai preparando na Aston Martin e uma Mercedes apostada em reduzir o fosso para o topo de uma forma mais regular, a saída de Chris Horner da Red Bull para a entrada de Laurent Mekies poderia funcionar como fator de viragem entre o domínio dos dois pilotos da McLaren. Funcionou mesmo. E logo na primeira oportunidade em pista, a formação austríaca mostrou serviço com uma "surpresa" na sprint. Na sequência de um grande arranque, Max Verstappen assumiu a dianteira da prova na manhã de sábado e conseguiu mesmo terminar à frente de Oscar Piastri e Lando Norris, mostrando que ainda existe gasolina nas ideias da Red Bull para colocar o tetracampeão mundial a discutir a difícil possibilidade de ir ainda ao quinto título mundial consecutivo na temporada em que mais se fala de uma hipotética saída para a Mercedes. A qualificação da parte da tarde trouxe um cenário diferente, com Norris e Piastri a rodarem três décimas mais rápido do que o neerlandês e Leclerc a relegar Verstappen para a quarta posição da grelha, mas o aviso estava deixado: a mudança técnica na Red Bull pode ter impacto naquilo que será o resto do Mundial. Até onde era o que se veria na corrida deste domingo, com os McLaren a tentarem provar o seu favoritismo. "É muito difícil em apenas duas semanas dizer que muitas coisas precisam mudar do nada. É uma questão de começar o relacionamento e entender como todos estão a trabalhar. A certa altura, começamos a chegar a conclusões e talvez queiramos mudar algo. Mas isso é algo que só vai acontecer nas próximas semanas, meses, agora ainda é muito cedo. O Laurent [Mekies] está muito interessado e motivado, e também é isso que nós queremos. Dou-me muito bem com ele e tem sido um início muito bom", comentara Max Verstappen, a propósito do fim de semana na Bélgica. "A equipa fez um trabalho extraordinário. O Max resistiu à pressão do Oscar [Piastri] durante 15 voltas não sendo o mais rápido. Foi impressionante a gestão dos pneus e a defesa da posição. Agora teremos uma redefinição das escolhas para encararmos o resto do fim de semana", acrescentou o novo diretor francês, elogiando o trabalho do neerlandês na corrida sprint. Os dados estavam lançados para uma corrida onde Lando Norris poderia recuperar a liderança do Mundial tendo em conta a pole position e os nove pontos de atraso face ao seu companheiro de equipa, Oscar Piastri, entre outras curiosidades como a capacidade de Charles Leclerc manter a Ferrari nos lugares de frente em contraponto com a qualificação falhada de Lewis Hamilton, a confiança de Alexander Albon ao sair com o seu Williams da quinta posição, os argumentos para Yuki Tsunoda fazer o seu melhor resultado na Red Bull saindo da sétima posição ou a vontade de Kimi Antonelli corrigir o 18.º lugar na qualificação que fez com que deixasse a pista e chegasse à zona de entrevistas rápidas em lágrimas. Fatores importantes? O início da corrida e a capacidade de adaptar estratégias ao que fosse acontecendo numa pista maior com menos voltas. Tudo o que estava preparado, teve de ser mudado. Logo na volta de formação, os comissários entenderam que não estavam reunidas condições para a corrida começar devido à chuva e houve uma espera de mais de uma hora que fez com que a prova começasse... quando devia estar a terminar. "Its a bit silly", ainda atirou Max Verstappen no rádio, sabendo que quanto mais tempo demorasse o início, pior seria para o carro que tinha preparado para a corrida. Imperou a segurança, imperou a prudência, imperou depois Oscar Piastri, que aproveitou a volta de saída para encontrar o ponto certo de ultrapassagem para ficar à frente de Lando Norris sem que o britânico tivesse a mínima capacidade de reagir à manobra do piloto australiano. As mudanças não eram muitas, as batalhas estavam definidas: Piastri e Norris pela vitória, sendo que nunca houve capacidade por parte do líder do Mundial em ganhar a vantagem que passou a ter depois da primeira paragem nas boxes que o colocou com sete segundos de avanço; Leclerc e Max Verstappen pelo pódio, com o piloto neerlandês a esboçar algumas vezes a passagem apesar das dificuldades em acompanhar o Ferrari em velocidade de ponta; muitos carros a tentarem subir o possível numa linha que respeitava a grelha à exceção da quinta posição, com George Russell a passar para a frente de Alexander Albon e Lewis Hamilton a mostrar andamento para subir vários lugares com um ritmo de corrida ao nível dos melhores. Se antes havia muito para contar, se recuando até ao ano passado havia ainda mais para recordar (George Russell perdeu a vitória por ter um carro abaixo do peso definido como mínimo regulamentar), durante a corrida não foi assim, com a segunda ronda de paragens a chegar com a queda a pique de Isaac Hadjar para a 20.ª e última posição depois de ter saído do top 10 e a passagem de Tsunoda para 12.º a serem os pontos de maior interesse entre a liderança de Piastri mais sólida face a Norris e o maior à vontade de Leclerc a defender a derradeira posição do pódio frente a Max Verstappen. As nuvens iam aparecendo, o vento estava diferente, o risco de chuva na parte final ia passando com as estratégias a assumirem pista seca até ao fim. A história do Grande Prémio da Bélgica estava escrita, com Lando a forçar ao máximo o ritmo na parte final mas apenas para reduzir a diferença para o vencedor Piastri e Leclerc a agarrar-se com tudo ao último lugar do pódio com os pneus no limite que levaram a um pequeno erro sem impacto. Max Verstappen, George Russell, Alexander Albon, Lewis Hamilton (que teve outra corrida fantástica a subir mais de dez lugares), Liam Lawson, Gabriel Bortoleto e Pierre Gasly fecharam o top 10, com Tsunoda a ficar em 11.º. Com isso, o australiano reforçou também a liderança no Mundial de 2025, aumentando não só a vantagem para o companheiro Lando Norris mas também, ou sobretudo, para Verstappen nesta segunda vida na Red Bull. [Additional Text]: Oscar Piastri conseguiu passar Lando Norris na primeira volta sem safety car no arranque e dominou por completo o Grande Prémio da Bélgica, aumentando a vantagem na liderança do Mundial Bruno Roseiro