EUROPA VIVE UMA REVOLUÇÃO NA MOBILIDADE
2025-08-06 21:03:05

A mobilidade elétrica está a redesenhar o mapa competitivo do sector automóvel. A antecipação estratégica, o investimento em inovação e a adaptação fiscal e operacional são essenciais para garantir relevância e rentabilidade neste novo cenário Pedro Miranda, Diretor Comercial Adjunto de Business Development da Ayvens Portugal, destacou na edição de março da Fleet Magazine as principais conclusões do mais recente relatório anual da Ayvens, que evidenciam a competitividade dos veículos elétricos nas frotas empresariais. Os dados mostram que, em 86% dos casos analisados, os veículos eletrifcados (100% elétricos e PHEV) apresentam o melhor TCO, percentagem que sobe para 95% nos ligeiros de passageiros. Mesmo os pequenos furgões 100% elétricos estão a tornar-se mais competitivos, sobretudo em utilizações acima dos 30.000 km anuais. O artigo de Pedro Miranda, bem como o estudo Mobilidade 2025, podem ser consultados através dos QR Code presentes no fnal do texto. Para além da análise dos custos de utilização por segmento e motorização, o estudo da equipa da Ayvens em Portugal traça um retrato da transformação em curso no sector automóvel europeu. O documento destaca as vantagens históricas da indústria europeia, como a excelência na engenharia de motores térmicos, a forte fdelização às marcas e a solidez da rede de distribuição, mas sublinha que tudo isso está a ser posto à prova pela entrada de novos construtores chineses, que chegam ao mercado com produtos mais inovadores, acessíveis e tecnologicamente avançados. A transição dos veículos mecânicos tradicionais para modelos defnidos por software está a transformar profundamente o sector automóvel. Esta mudança permite atualizações remotas que modifcam o desempenho, a autonomia ou o acesso a funcionalidades, promovendo também uma integração digital mais avançada e novos modelos de serviço. O estudo aponta que os construtores chineses lideram nesta evolução, estando à frente de muitos fabricantes europeus. Refere ainda que o custo de produção de um veículo elétrico na Europa continua a ser bastante superior ao da China, devido aos preços da energia, da mão-de-obra e dos componentes, o que aumenta a pressão sobre a indústria europeia e reforça a necessidade de medidas públicas que sustentem a sua competitividade. Consciente dos desafos da transição energética, a União Europeia e os países do espaço europeu têm adotado várias medidas estratégicas para acelerar a adoção de viaturas elétricas. Sabendo que empresas e entidades públicas lideram pelo exemplo na promoção da mobilidade elétrica, esses esforços passam por incentivos diretos à compra e utilização de veículos elétricos, apoio à instalação de infraestruturas de carregamento e políticas para atrair investimento estrangeiro na produção de baterias em solo europeu. O estudo destaca ainda a importância da qualifcação profssional especializada e da necessidade de implementar medidas que incentivem a adoção de veículos de baixas emissões. A criação de ecossistemas digitais próprios e a proteção contra práticas comerciais desleais são também elementos centrais da estratégia europeia para salvaguardar a competitividade industrial, como lembra o estudo da Ayvens Portugal. Embora a Comissão Europeia tenha sinalizado uma possível fexibilização no modelo de contabilização das emissões médias dos veículos até 2027, os objetivos de CO2 defnidos pela União Europeia para 2030 continuam a ser bastante exigentes. O objetivo europeu de garantir que, a partir de 2035, todos os novos veículos vendidos na União Europeia tenham zero emissões mantém-se inalterado. Até lá, as metas intercalares continuam a obrigar os fabricantes a formarem grupos entre várias marcas, recorrendo à compra e venda de créditos de CO2 para cumprir as regras e evitar multas elevadas por incumprimento. Esta dinâmica já tem refexos no mercado, com a redução da produção de modelos a combustão nos segmentos A e B. Estes segmentos, além de concentrarem volumes elevados de produção, são penalizados pela forma como as emissões são calculadas, desfavorecendo os veículos mais leves. A isso soma-se o facto de a rentabilidade nestes segmentos depender fortemente da escala de produção. Apesar do alívio nas medidas ESG para grandes empresas e grupos económicos, qualquer incumprimento das normas pode afetar negativamente os indicadores ambientais, sociais e de governança nos relatórios de desempenho. Resultados menos favoráveis podem limitar o acesso a concursos públicos e a crédito bancário, incluindo o “crédito verde” com juros bonifcados. Considerando estes fatores, salvo mudanças signifcativas nas condições económicas ou fscais que justifquem uma revisão da Política de Frota, as empresas continuarão a ser os principais motores da transição elétrica.