GOVERNO VOLTA A ANUNCIAR COMPRA DE DOIS KITS DE COMBATE A FOGOS PARA AVIÕES C-130
2025-08-06 21:06:24

Sistemas vão custar 16 milhões de euros, acrescidos de IVA, e não se sabe quando estarão prontos para serem utilizados. Portugal tem quatro C-130, mas apenas um com os sistemas de navegação exigidos. O ministro da Defesa, Nuno Melo, voltou a anunciar esta quarta-feira que o Estado português vai comprar dois kits de combate a fogos para os aviões C-130, uma aquisição que significa um investimento de 16 milhões de euros, acrescidos de IVA. O primeiro anúncio ocorreu em Outubro do ano passado, não tendo nos últimos 10 meses o Governo concretizado essa intenção. O novo anúncio foi feito no final de uma cerimónia no Ministério da Defesa e ocorre no dia em que o PÚBLICO noticiou que a Força Aérea Portuguesa (FAP) tem actualmente três aviões pesados e sete helicópteros ligeiros que podem ser usados para combater incêndios rurais, mas o Estado não comprou os kits que permitem adaptar as aeronaves para esta missão. Em causa estão três KC-390 (mais três ainda vão chegar) e sete helicópteros Koala que podem ser usados para combater fogos apesar de essa não ser a sua missão principal. Em Agosto de 2019, quando foi assinado o contrato de compra dos aviões KC-390, o ministro socialista João Gomes Cravinho destacava que estes teriam um "duplo uso - civil e militar, incluindo combate aos incêndios". O que não disse é que o contrato não previa a compra dos kits que possibilitam essa missão. A própria Força Aérea descreve no seu site o KC-390 como "um avião de transporte militar multifacetado, para uso táctico e logístico, reabastecimento em voo e combate a incêndios florestais". Os KC-390 foram adquiridos para fins militares. A Força Aérea entende que os C-130 são mais adequados para o combate aos fogos Nuno Melo, ministro da Defesa A Força Aérea Brasileira (FAB) usou pela primeira vez, em Julho do ano passado, o KC-390, equipado com o chamado "sistema modular aerotransportável de combate a incêndios", numa situação real. Segundo aquela entidade, o avião adaptado com um tanque com capacidade para transportar perto de 12 mil litros, tem "sido uma ferramenta eficaz no combate a incêndios florestais, como no Pantanal e no interior do Estado de São Paulo". A FAB destaca, numa nota divulgada no seu site, que o KC-390 está indicado para o "combate a incêndios florestais de grande escala". Melo diz que não faz sentido usar os KC-390 nestas missões Esta quinta-feira em declarações aos jornalistas, no Ministério da Defesa, em Lisboa, Nuno Melo afirmou que o Conselho de Ministros aprovará em breve a aquisição de dois dos "mais modernos kits de combates a fogos florestais" para equipar os C-130 da Força Aérea, afastando o uso dos KC-390 para este tipo de missões. "A aquisição já está no circuito legislativo para ser decidida em Conselho de Ministros, não sei se no próximo ou no seguinte", precisou o governante. O ministro alega que a realidade brasileira, pela dimensão dos seus fogos, é muito diferente da portuguesa, logo não faz sentido usar os KC-390 para estas missões. Os Lockheed C-130 são operados há mais de 45 anos pela Força Aérea, pretendendo-se que os seis KC-390 comprados à Embraer, que devem chegar até 2029, os substituam. Estes novos aparelhos vão custar 960 milhões de euros aos cofres públicos. Neste momento, a frota dos C-130 está reduzida a quatro aparelhos, mas apenas um está dotado de novos sistemas de navegação e segurança exigidos para operar no espaço europeu (outro está a ser modernizado). "Os KC-390 foram adquiridos para fins militares. A Força Aérea entende que os C-130 são mais adequados para o combate aos fogos", justificou o ministro. O presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), Tiago Oliveira, defendeu numa entrevista ao PÚBLICO e à Rádio Renascença, em Junho do ano passado, uma "gestão ibérica" dos C-130 para combater fogos. Nessa altura, explicou que havia um grupo de trabalho com a Força Aérea e a Protecção Civil para equacionar que futuro dar a estes aviões pesados. "Acreditamos que com uma gestão ibérica, em que os espanhóis podiam usar os nossos C-130 e nós os Canadair deles, poupavam aos dois países muito dinheiro", defendeu Tiago Oliveira. O especialista em fogos rurais sustentou ainda que os 72 meios aéreos que faziam parte do dispositivo de combate aos incêndios do ano passado (este ano são 73) eram demasiados e que os 88 milhões gastos em 2024 eram um custo excessivo. "O que necessitamos é que toda a adicionalidade de meios seja objecto de uma análise de custo-benefício", argumentou. Nuno Melo disse que o objectivo do Governo é que as aeronaves estejam adaptadas para o combate aos fogos com a "maior rapidez possível", mas não se comprometeu com qualquer data, sublinhando que é preciso tempo para construir os kits, adaptá-los às aeronaves e depois formar tripulações para este tipo de missões. "Os kits de incêndio, de novo, colocados nos C-130, transportam muito maior quantidade de água, suponho que até 12 toneladas, com descargas muito maiores de uma só vez ou parcelares, comparativamente com helicópteros e serão, em complemento, um equipamento importante", sustentou o governante. Os C-130 foram usados durante vários anos no final do século passado para combater incêndios, mas o facto de terem deixado de ser accionados pela Protecção Civil fez com que os kits deixassem de ser utilizados. No total, acrescentou o ministro, o país terá disponíveis no futuro para combater fogos nove helicópteros Black Hawk, cujo início de operação está previsto para 2026, bem como dois aviões Canadair que serão entregues a Portugal em 2030. Com Lusa tp.ocilbup@arieviloem Mariana Oliveira