pressmedia logo

CENTROS COMERCIAIS - MOTOR ECONÓMICO DO RETALHO NACIONAL?

Hipersuper

2025-08-10 21:07:03

CENTROS COMERCIAIS Centros comerciais têm sabido antecipar tendências e adaptar-se a novos contextos Os desafios que se colocam ao futuro do retalho organizado centraram os debates e as apresentações na edição de 2025 do APCC Summit, organizado pela Associação Portuguesa de Centros Comerciais. “Neste cenário de permanente transformação, marcado pelos avanços tecnológicos, pelas mudanças do comportamento do consumidor, pela crescente exigência em matéria de sustentabilidade e por uma influência de um e-commerce cada vez mais relevante, os desafios são complexos, mas as oportunidades são igualmente significativas”, destacou Cristina Moreira dos Santos, presidente da APCC. Ainteligência artificial, a automação, a ciência de dados, a sustentabilidade e o comércio eletrônico, mas também as mudanças no comportamento do consumidor, a volatilidade económica e a arquitetura e design estão a provocar mudanças na forma como se gerem e se desenham os centros comerciais. Mas o setor “tem sabido antecipar tendências e adaptar-se a novos contextos”, sublinhou Cristi-na Moreira dos Santos, presidente da Associação Portuguesa de Centros Comerciais, na abertura do APCC Summit, realizado a 04 de junho. Fruto dessa estratégia, o setor apresenta um crescimento sustentado e os centros comerciais são já frequentados por 88% dos portugueses. “os centros comerciais são muito mais do que espaços de comércio. São locais de encontro, de lazer, cultura e serviços. Verdadeiros pontos de convergência social e urbana, com um papel determinante na vida das cidades e das suas comunidades, na qualificação do espaço público e na revitalização das zonas envolventes", destacou a presidente da APCC. Como grandes temas que marcam o futuro do retalho organizado, a responsável referiu a IA e a automação, a ciência de dados, a eficiência energética, a mobilidade urbana e a adaptação Fotos: DR a um consumidor mais exigente e digital, “sem esquecer o contexto de volatilidade económica que obriga a estratégias cada vez mais ágeis e inteligentes”. Neste cenário de permanente transformação, os desafios são complexos, mas as oportunidades são igualmente significativas, assegurou. Cristina Moreira dos Santos apontou como uma das prioridades da APCC, a produção e divulgação de estudos de informação “factual e de qualidade", como o estudo do Impacto Socioeconómico dos Centros Comerciais em Portugal, desenvolvido pela Nova SBE, a pedido da APCC. “Trata-se de um trabalho essencial que reafirma o importante papel dos centros comerciais como dinamizadores da economia”, defendeu Cristina Moreira dos Santos que destacou uma das conclusões: o efeito multiplicador do setor é de 2,51. "Ou seja, cada um euro gasto num centro comercial gera um impacto quase três vezes superior na economia nacional”. ANOS FANTàSTICOS” NO RETALHO A apresentação do estudo realizado pela Nova SBE foi um dos pontos altos do APCC Summit. Entre outras conclusões, revelou que os centros comerciais contribuem para 5% do PIB nacional, geraram mais de 14 mil milhões de euros em 2024 e que cada euro gerado pelo retalho organizado, contribuiu para 2,51 euros da economia do país. Outro momento importante foi o painel Análise das perspetivas a curto, médio e longo prazo do setor imobiliário de retalho , moderado por Paulo Sarmento, International Partner na Cushman & Wakefie, e que reuniu Fernando Ferreira, partner da Dils, José Maria Ribeiro de Almeida, diretor, Retail Capital Markets Iberia na JLL, Rui Vacas, head of Capital Markets Iberia da Nhood e Grégoire Huillard, diretor de Desenvolvimento e Investimentos da Klépierre Iberia. Este último destacou o contexto do mercado em Portugal, afirmando que “favorece o crescimento imobiliário de retalho” “Estamos a viver anos fantásticos no retalho em Portugal”, afirmou por sua vez Fernando Ferreira sobre a evolução do setor, que entre 2018 e 2022 viveu uma “travessia longa” até ao crescimento do interesse neste formato de retalho. Mas atualmente, afirmou, “os centros comerciais encontram-se numa posição muito sólida", para a qual também contribuiu o dinamismo do turismo. Na sua opinião, os centros comerciais são cada vez mais locais onde os consumidores vão, pela experiência global. “A capacidade de trazer pessoas para o espaço é um dos principais desafios dos gestores de centros comerciais”, sublinhou. Também Rui Vacas falou no desafio apresentado pelas exigências ambientais. “o ESG é incontornável, é praticamente impossível negociar centros comerciais sem certificações. Temos que passar a mensagem aos nossos clientes de que o ESG é cada vez mais importante”, defendeu. Grégoire Huillard destacou, por sua vez a resiliência do setor dos centros comerciais, que disse ser “impressionante”, em Portugal, graças à dinâmica económica, de consumo e turística. “Portugal é o mercado onde identificamos mais oportunidades, mesmo com ativos de menor dimensão do que em Espanha”, destacou. Já José Maria Ribeiro de Almeida, referiu a questão do e-commerce que, na sua opinião, não só não é uma ameaça como vem complementar o setor. "As lojas têm armazéns maiores e mais eficientes e adaptados às entregas de última milha”, lembrou, defendendo que os retalhistas que ainda não investem no online vão ter que o fazer. TECNOLOGIA AO SERVIçO DO CLIENTE Moderado por Inês Drummond Borges, Board Memberl Chief Transformation Officer da Sonae Sierral, o painel Impulsionar o Futuro: Tecnologia, Inovação e Dados teve a participação de Manuela Veloso, head of AI Research na JPMorgan Chase & Co, Carlos Oliveira, presidente do Conselho Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação e Joana Rafael, chief Operating Officer e co-fundadora da Sensei. ? levou a palco questões como o papel da tecnologia, particularmente da IA, na transformação do modelo e negócio dos centros comerciais. Manuela Veloso defendeu que as ferramentas de IA poderão ser um suporte para os consumidores destes espaços, com difusão de informações, oferta e apoio, entre outras tarefas. Numa visão de futuro, previu a hipótese de os espaços virem a ter robôs a dar informações, carregar sacos ou pacotes, etc, numa palete alargada de serviços. Para Carlos Oliveira, as tecnologias trazem grandes desafios, mas também inúmeras oportunidades, e “quem melhor usar as tecnologias, e a IA, vai ultrapassar os concorrentes”. O presidente do CNCTI destacou ainda que Portugal tem sido um utilizador de linha da frente das tecnologias disponíveis, mas que enfrenta ainda desafios enquanto produtor dessas mesmas tecnologias. Já Joana Rafael, destacou o trabalho que tem sido feito pela Sensei no desenvolvimento de uma tecnologia que transforma as lojas físicas em lojas autónomas. Tecnologia que a Sensei implementou este ano em Leiria, numa loja piloto do Continente considerada a “maior loja autónoma do mundo". A co-fundadora da start-up portuguesa defendeu que a tecnologia implementa em lojas autónomas gera melhorias operacionais e de experiência do cliente. Questionados sobre qual seria a aposta tecnológica de cada um, Carlos Oliveira disse que é preciso olhar para o negócio antes de olhar para a IA. Manuela Veloso defendeu que se deve desafiar as pessoas a usarem a tecnologia de forma a que o objetivo seja atingido , “sabemos ainda muito pouco de como criar negócio com a IA”, definiu. ? Joana Rafael afirmou que a tecnologia deve centrar-se em melhorar a experiência do cliente, “entregar o que o cliente quer”, e saber o que usar para o conseguir. Carla Pinto, diretora-executiva da APCC, encerrou o APCC Summit 2025, considerando-o “um exercício de reflexão e de projeção para o amanhã”. “Num tempo em que tudo muda a uma velocidade sem precedentes da tecnologia à economia, das preferências dos consumidores à forma como vivemos e ocupamos espaços , a capacidade de nos reunirmos, de escutarmos as diferentes perspetivas e traçar os caminhos comuns é mais do que importante, é absolutamente vital”, afirmou. H A IA, a automação, a sustentabilidade e o comércio eletrónico, mas também as mudanças no comportamento do consumidor, a volatilidade económica e a arquitetura e design estão a provocar mudanças na forma como se gerem e se desenham os centros comerciais. E a verdade é que os centros comerciais, que contribuem para 5% do PIB nacional, têm sabido antecipar tendências e adaptar-se a novos contextos. Carla Pinto, diretora executiva da APCC, garante: “ os centros comerciais irão manter-se como elementos-chave nas dinâmicas social e económica do país”. pág. 52 Cristina Moreira dos Santos Presidente da Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC) Ana Grácio Pinto...