CRAZY DRIVE - ROAD TO SOMEWHERE
2025-08-11 21:05:05

TRÊS AMIGOS LEITORES, E ASSINANTES, DA AUTODRIVE. MISSâO: COMPRAR UM CARRO DE 500 EUROS. OBJETIVO: IR ANDAR EM NÜRBURGRING E PELO CAMINHO VISITAR LE MANS, SPA, HOCKENHEIM, MONZA... PARIS E INÚMEROS RESTAURANTES. AQUI FICA O RELATO DE UM "CRAZY DRIVE” AO MAIS PURO ESTILO DA AUTODRIVE! Fotos , “The Three Amigos” (& groupies) Quem nunca teve um jantar de amigos em que a dada altura um deles se vira e diz: “E se fôssemos..?” Certamente todos nós já ouvimos isso. Foi assim que esta aventura começou a ganhar contornos, num restaurante de hambúrgueres depois de umas voltinhas no Autódromo Virtual de Lisboa, ali para os lados de Carnaxide. Diogo, Filipe e Gustavo, sentados a discutir aquela que viria a ser a viagem mais épica de cada um até hoje. A ideia inicial começou com “E se fôssemos a Núrburgring com um carro de 500EUR?”. A ideia não parecia impossível e tinha potencial para histórias mirabolantes. Nem 10 minutos tinham passado e já O Google Maps estava aberto, a calcular rotas. Naquela noite, ficou claro: a vontade estava lá, e não era pouca. Seguiram-se semanas de trocas de anúncios de carros mais ou menos capazes de ir e voltar à Alemanha. As pérolas encontradas valeram cada minuto passado em apps de classificados. Quando começámos a ligar para alguns, a paródia aumentou ainda mais. O primeiro carro a ser visitado foi um Citroen AX preto. Das cinco portas só uma abriu. Fechar? Bem a bagageira não fechava de todo! Seguiu-se um Fiesta “acelerado", um Saxo com um tubo de rega montado no sistema de refrigeração e um 106 com uma tampa de J&B no reservatório da água, mas nada parecia transmitir muita confiança. Passaram-se meses onde o principal tema de conversa era a viagem. As namoradas já gozavam com a ideia, tal era o descrédito em nós. Certo dia lá apareceu um Renault 19 de 1995. Vermelho Ferrari (Vâ, desbotado), cinco portas, ar saudável e bancos a transpirar conforto. Estava no Porto e tinha o clássico “carro de garagem” no anúncio do OLX. Que bela desculpa para ir à Invicta comer uma francesinha. Num sábado de manhã, bem cedo, lá foram os três estarolas em direção ao Porto. Feita a primeira ronda ao carro, tudo parecia apontar para que era “o tal”. Test drive feito, cartório com eles. O primeiro grande passo estava dado. Habíamus carro! Na viagem de regresso a Lisboa, ficou bem claro o que o carro precisava: travões novos e uns pneus atrás. Aproveitámos a ida ao mecânico e fizemos um check-up geral aos consumíveis. oleo e filtro mudados e estava pronto para a estrada. A data de partida estava definida, 25 de abril de 2025, saída marcada a partir do emblemático autódromo do Estoril. Foi no Dia da Liberdade que às 8:00 da manhã, três jovens arrancaram da Praça Ayrton Senna da Silva rumo à Alemanha num Renault 19. Foi o culminar de quase um ano de preparação, de muitos “o que vão fazer se o carro avariar” e de “não chega a Espanha”. o primeiro dia teve direito a um pequeno-almoço reforçado em Vendas Novas. Como não podia deixar de ser, três bifanas às 10 da manhã. O destino era San Sebastián, no norte de Espanha. De automobilístico tinha pouco, mas sabíamos que lá se comia bem. Na verdade, esta road trip antecipava-se bastante gastronómica. Uns pintxos e uma noite bem dormida depois, era tempo de rumar ao primeiro marco PetrolHead da viagem: Le Mans. O Renault 19 teve oportunidade de fazer as curvas Mulsanne e Indianapolis com direito a dupla ultrapassagem numa das voltas. No final desse dia apareceu o primeiro susto. O amortecedor traseiro direito parecia mais cansado que o esquerdo. Certezas não temos, mas os corretores de Le Mans não foram pensados para carros familiares com 30 anos. O terceiro dia de viagem trazia, diz Filipe, a foto mais mítica da viagem. Foram 15 minutos parados à frente da torre Eiffel a “prender” as melhores chapas para pôr no post de Instagram desse dia. Até foi aí que a página (@roadtosomewhere. project) atingiu os 500 seguidores. Um casal australiano, nada forçado a seguir a página e a tirar uma foto connosco, foram os responsáveis pela efeméride. A febre começava a ser mundial. Paris ainda permitiu passar na sede da FIA. O objetivo era homologar O Renault para pista, mas disseram que não o podiam fazer a um carro que em primeira arrancava de marcha atrás. Era tempo de ir até Spa, onde estava o segundo circuito a visitar. Foi na Bélgica, a 28 de abril, que os três amigos comiam uma Mitraillette enquanto Portugal estava às escuras. Foi um dia triste para os seguidores da aventura, que se preparavam para perder o “Dia D” da chegada à Alemanha, mais concretamente a Núrburgring! Não pode ser aqui reproduzido todo o diálogo à chegada, tal era o número de CAPS LOCK e asteriscos que as frases teriam. Celebrações feitas e bilhetes comprados, era a hora da verdade. Ir para a entrada do circuito, esperar que a sesSão abrisse. Escusado será dizer que o bólide vermelho se destacava no meio de tantos Porsche 911 GT 3 RS. Ainda antes de entrarmos em pista, o reconhecimento apareceu, com um casal de tugas a aproximar-se do carro e a perguntarem: “vocês são os do Renault 191?”. o resto é História. Três voltas limpinhas ao Inferno Verde. O Tempo de cada uma? Foram concluídas com sucesso, obrigado. Naquele dia havia pouca coisa que nos pudesse escapar da memória. Principalmente a voz dos copilotos que se revezavam a dizer “vem aí um a abrir!”. Cumprido o grande objetivo da viagem, era hora de jantar na companhia de camaradas portugueses que tinham levado os seus MX-5, e afins, à pista. Noite passada, já perto de Estugarda, seguia-se um dia dedicado a dois museus: Sinsheim (não é a marca de roupa, é bem melhor) e o da emblemática Mercedes,Benz. Foi também em Estugarda que aconteceu o primeiro encontro com a polícia. Apesar de demorado, foi pacífico, com o Diogo a trocar dois stickers da viagem pela devolução dos seus documentos. Alemanha para trás, era tempo de atravessar a Suíça, com o mínimo de paragens possíveis visto que estavam fora do nosso budget. No sexto dia, depois de acordarmos com uma vista de filme perto do Lago de Como, rumámos a Monza e passámos na rádio, uma cortesia da Cidade FM! O destino desse dia era Bordighera, uma cidade italiana com vista para O Mediterrâneo. a entrada do hotel encontrámos um Mercedes com matrícula portuguesa estacionado mesmo à porta e lá deixámos um sticker (por colar) no pára-brisas e fomos dormir. O dia seguinte era inteiramente dedicado à Côte dAzur, com a paragem mais emblemática do dia no Mónaco. Casino, túnel, Grand Hotel. O Renault 19 esteve lá. Era semana de preparação do GP de Fórmula E. Ainda vimos o Félix da Costa ao longe, mas perdemos o momento para uma foto com ele. Seguiu-se Nice, Cannes e Grimaud, com pernoita em Saint-Martin-de-Crau. A aventura estava a caminho do fim. Faltavam dois dias e 2000 quilómetros até à casa de partida, o Autódromo Fernanda Pires da Silva. No penúltimo dia, algures numa autoestrada em Espanha, às 2h30 da manhã fomos ultrapassados por um Mercedes em velocidade de passeio. Era português. Tinha um autocolante ao lado da matrícula. Branco. Redondo. Igual ao nosso. Sim, era o Mercedes de Bordighera! “Qual a probabilidade?” dissemos nós, mais vezes do que alguém já disse na vida. Entre aquilo e o Euromilhões, é fazer as contas! Dois dias, quase 1500 quilómetros depois, com França pelo meio, de madrugada, no meio do nada... Para o último dia, já de regresso a Portugal, estava reservado o maior perigo de toda a viagem. Um senhor que já tinha idade para não conduzir decidiu arrancar de um stop à papo seco, incapaz de ver o Renault 19 vermelho reluzente (Not!) a aproximar-se. Valeram os reflexos do condutor. Passado o susto, aproximava-se o destino final e já se reviviam os melhores momentos a bordo. Foram oito países, três voltas naquele que é provavelmente o circuito mais emblemático do mundo num carro de 500EUR e muito pouca preparação. Acima de tudo foi uma grande aventura, uma história para a vida. Uma daquelas que começa num jantar de amigos com “E se fôssemos.... ?" e acaba a voltarmos. // CRAZY DRIVE “ROAD TO SOMEWHERE” 500 EURICOS DERAM AZO A UM RENAULT 19 Jà COM FACELIFT E UM MOTOR 1200 8V COM INJEçàO, 58 CV E 3 AMI6OS A BORDO! Filipe Zuzarte